Indicadores de endividamento e de inadimplência mostraram recuo em outubro, destacou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) divulgada nesta quinta-feira. No estudo, a parcela de famílias que se declararam endividadas ficou em 81,6% no antepenúltimo mês de 2026, ante 81,7% em setembro – embora ainda superior a outubro de 2025 (79,5%).
Já a fatia de endividados que admitiram dívidas em atraso caiu de 29,6% para 29,3% entre setembro e outubro, sendo menor do que a de igual mês de 2025 (30,5%). Por sua vez, a parcela de endividados inadimplentes, sem condição de quitar dívidas, também caiu, de 12,5% para 12,2% de setembro para outubro, sendo também inferior a outubro do ano antecedente (13,2%).
O fim das ‘bets’, apostas online, pode ter contribuído para quitação de parcelas atrasadas, em outubro, disse o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes. “A taxa Selic [taxa básica de juros que norteia juros de mercado] ainda está mais alta do que deveria, o preço do crédito segue caro, mas quando uma fonte de gastos some repentinamente, como foi com o banimento das 'bets', naturalmente sobra mais dinheiro no bolso das famílias”, disse.
“E este dinheiro deve ir para quitar parcelas atrasadas, como vimos com a redução da inadimplência, mas também pode ir para o consumo”, completou. Entretanto, os pesquisadores da CNC pontuam que o recuo na parcela de endividamento entre setembro e outubro pode ser considerado “marginal”.
Segundo eles, a Peic de outubro evidencia “um quadro de estabilidade estatística em patamares historicamente elevados” em endividamento. Mesmo com parcela menor dos que se declararam endividados no estudo em outubro, os resultados da pesquisa mostram que, na prática, mais de oito em cada dez lares comprometidos ainda contavam com algum tipo de obrigação financeira a vencer em outubro.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, explicou que a acomodação dos índices não autoriza “conclusões prematuras”, como de começo de tendência de queda, nos dois indicadores. Para o executivo, os resultados ainda evidenciam fragilidade do poder de compra da população.
"A oscilação tímida observada em outubro mostra que o orçamento doméstico segue comprimido e sem fôlego para alavancar o consumo", destaca Tadros. Os apontamentos de Tadros são comprovados em outro tópico da pesquisa.
Na Peic, o tempo médio de atraso de pagamento de dívidas mostrou leve recuo, de 65,3 dias em setembro para 65,1 dias em outubro. No entanto, 48,8% do total de débitos admitidos pelos devedores na pesquisa conta com atrasos superiores a três meses (mais de 90 dias).
Além disso, 19,3% dos lares brasileiros continuaram, em outubro, com mais da metade de sua renda mensal comprometida exclusivamente com o pagamento de dívidas. Outro aspecto preocupante, delineado na análise da CNC mostrou ainda que, mesmo com recuo de endividamento e de inadimplência na média da pesquisa, as famílias de baixa renda se mostraram mais inadimplentes.
Nas quatro faixas de renda pesquisadas no estudo, aumentou de 38,5% para 38,6% a fatia de endividados inadimplentes entre setembro e outubro nos com ganhos de até três salários mínimos mensais. “Nesse mesmo segmento mais vulnerável, o percentual de famílias que admitem que não terão condições de quitar seus débitos atrasados fechou o mês [de outubro] em 18,3% ”, acrescentou economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.
A parcela média, para todas as faixas de renda, de inadimplentes sem condição de quitar dívida foi de 12,2% em outubro, reiterou a CNC. Unsplash
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