247 – O presidente do PT, Edinho Silva, anunciou que o partido passará por uma reformulação e manterá sua base social mobilizada para sustentar o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva e influenciar as prioridades do Congresso. Em entrevista ao jornal O Globo, o deputado federal eleito afirmou que as mudanças seguem a orientação do presidente Lula e devem enfrentar contradições internas administradas ao longo da campanha.
Ao responder sobre críticas à sua condução do partido e relatos de lideranças que não teriam se empenhado na disputa presidencial, Edinho afirmou que a organização partidária precisa prevalecer sobre interesses individuais. “O PT não vai ser um amontoado de projetos pessoais, não vai ser instrumento de enriquecimento pessoal.
O PT é um instrumento de luta da classe trabalhadora brasileira e é isso que ele vai ser.” O dirigente não detalhou quais medidas serão adotadas, nem apresentou um calendário para a reformulação.
Disse, porém, que a orientação de Lula é promover mudanças na legenda. “Nós vamos fazer as mudanças que o partido precisa, porque essa é a vontade e a orientação do presidente.”
Mobilização e reformas na agenda do Congresso A manutenção da mobilização após a eleição aparece como prioridade na estratégia apresentada por Edinho.
O presidente do PT afirmou que a legenda pretende combinar negociação com os parlamentares e participação social para influenciar as decisões do Legislativo. “Vamos governar com um amplo diálogo com o Congresso, mas também com muita mobilização social para disputar a agenda do Congresso.”
Entre as propostas que considera necessárias, citou a reforma política e eleitoral, a reforma do Judiciário e o aprofundamento da reforma da renda. Também defendeu a criação de mecanismos de participação popular na condução do governo.
“Precisamos mudar nossa forma de governabilidade, instituindo instrumentos de participação popular. Vai ser um fator para definir a agenda do país.”
Segundo Edinho, a Executiva do PT se reunirá com movimentos sociais para discutir como manter esse envolvimento fora do calendário eleitoral. Na avaliação do dirigente, a defesa da democracia teve peso na reeleição de Lula e abriu espaço para ampliar a participação da sociedade.
PT rejeita anistia aos presos do 8 de Janeiro Questionado sobre manifestações de aliados favoráveis à anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro, Edinho reafirmou a posição contrária do partido.
“A postura hoje é que não tem anistia.” O dirigente disse que a prioridade é preservar a organização da base social e evitar o que considera ter sido um erro depois da eleição anterior.
“Não podemos cometer o mesmo erro de 2022, quando o PT se desmobilizou e a gente abriu brecha política para ver aquilo que nós vimos. A sociedade tem que entender que a democracia continua sendo atacada.”
Críticas a Trump e posição sobre Flávio Bolsonaro Na entrevista, Edinho criticou a atuação do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no processo eleitoral brasileiro.
O dirigente atribuiu às empresas americanas de tecnologia uma interferência na disputa e avaliou que as declarações de Trump sobre uma possível fraude agravaram o problema. “Foi muito ruim a posição do governo Trump durante o processo eleitoral, porque ficou nítida a interferência das big techs americanas.”
Ao ser perguntado sobre uma possível articulação entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, Edinho afirmou que as questões envolvendo o parlamentar devem ser tratadas pelas instituições competentes. “Primeiro, o Flávio é um problema da Justiça brasileira, não é um problema do PT, nem do governo Lula.
E as relações diplomáticas vão ser tratadas pelo Itamaraty.” Falhas na campanha e composição do governo
Responsável pela coordenação da campanha de Lula, Edinho reconheceu problemas na produção e na distribuição de materiais eleitorais. Segundo ele, a decisão de descentralizar essa tarefa prejudicou o abastecimento da militância e precisou ser revista.
“Claro que tivemos problemas, principalmente na produção de materiais, porque se adotou uma lógica de descentralização da produção de materiais, que deu errado. Isso foi corrigido.”
O dirigente relacionou as reclamações de Lula sobre a organização da campanha à falta de material nos estados visitados pelo então candidato. Também reconheceu o direito da base petista de fazer críticas, atribuindo à direção a responsabilidade de encontrar soluções.
Sobre a participação de partidos aliados no próximo governo, Edinho afirmou que o PT está disposto a negociar a composição da base de sustentação. Estabeleceu, contudo, um critério para essas conversas: “Mas o princípio dessa composição tem que ser a lealdade política, ao projeto que o presidente Lula vai construir nesse quarto mandato.”
Sucessão de Lula em 2030 Edinho vinculou a escolha de uma candidatura para a eleição presidencial de 2030 ao fortalecimento do PT.
Sem indicar um nome, afirmou que a formação de uma nova liderança dependerá da organização nacional do partido e de sua capacidade de representar as demandas da população. “O PT é o maior legado do presidente Lula.
Se o partido estiver forte, organizado nacionalmente e em sintonia com os anseios do povo brasileiro, essa liderança vai emergir naturalmente.” O presidente da sigla também destacou o desempenho petista no Nordeste, mencionando Camilo Santana, Rafael Fonteles e Rui Costa como representantes desse resultado.
Ao avaliar a votação em São Paulo, ressaltou que Lula recebeu 56% dos votos na capital paulista. Defesa da política fiscal e críticas aos juros
Na economia, Edinho defendeu o desempenho fiscal do governo e citou o arcabouço fiscal, a reforma tributária e as mudanças na tributação da renda como medidas que deveriam ser reconhecidas no debate sobre as contas públicas. “O presidente pegou um governo com 2,6% de déficit, estamos entregando uma Lei Orçamentária prevendo superávit”, afirmou.
O dirigente também criticou a condução da política monetária. Em sua avaliação, o Banco Central demorou a iniciar a redução dos juros antes da crise no Oriente Médio.
“O Banco Central perdeu o timing de reduzir a taxa de juros, antes da crise do Oriente Médio.” Edinho disse ter discutido a meta de inflação com Gabriel Galípolo e reforçou o papel do ministro da Fazenda, Dario Durigan, na condução da política econômica.
“E é importante que se diga que hoje quem tem legitimidade para falar de economia no governo é o ministro (da Fazenda) Dario Durigan.”
Brasil 247