O consumidor brasileiro voltou a ficar mais confiante em outubro. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Ipsos chegou a 54,1 pontos, alta de 1,9 ponto sobre setembro, revertendo a queda registrada no mês anterior.
Com o resultado, o indicador segue acima da linha dos 50 pontos, que separa o otimismo do pessimismo, e coloca o Brasil entre os cinco mercados mais otimistas entre os 30 países pesquisados. A melhora foi puxada pela percepção sobre o curto prazo.
O subíndice de Situação Atual subiu 3,4 pontos em relação a setembro, para 45,6. O de Investimento avançou 3,2 pontos, para 51,4, e voltou à zona de otimismo.
As Expectativas Futuras também cresceram, chegando a 67,8 pontos. O subíndice de Emprego ficou estável, em 53,6 pontos.
Outubro teve os dois turnos das eleições gerais, com a disputa de 25 de outubro, que definiu a reeleição presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar do clima de polarização, a economia real funcionou como amortecedor.
A arrecadação federal somou R$ 239,4 bilhões, recorde para o mês e alta real de 5,62%, reflexo da expansão da massa salarial. A estabilidade de emprego e renda ajudou a elevar em três pontos percentuais, para 39%, a parcela dos brasileiros que consideram que o país segue no “rumo certo”.
Crime e violência recuaram seis pontos percentuais, mas continuam como principal preocupação, citada por 46%, segundo o estudo What Worries the World,. A corrupção política e financeira subiu três pontos, para 38%, e passou ao segundo lugar, em meio ao aquecimento do debate eleitoral e a investigações recentes.
O país também enfrentou desastres climáticos: mais de 6,9 milhões de pessoas foram afetadas por tempestades no Sul e no Sudeste, e foi decretado estado de emergência por causa de queimadas históricas no Pará e na Amazônia. Para a Ipsos, a estabilidade na percepção sobre emprego e renda pode ter evitado uma piora maior da confiança.
Nos EUA, apenas 25% veem o país no rumo certo, queda de 13 pontos em um ano e pior resultado das Américas. A inflação, apontada por 42%, é a principal preocupação.
Na Argentina, o desemprego preocupa 57% da população, mas a avaliação sobre o rumo do país melhorou seis pontos, para 45%. Já a França tem o pior índice de “rumo certo” entre os 30 países analisados pela pesquisa, com 7%, pressionada pela inflação em alta, que preocupa 39% da população.
Para Rafael Lindemeyer, líder do Cluster de Experience da Ipsos Brasil, o resultado mostra um consumidor que “destravou o freio de mão” e está mais disposto a gastar. Segundo ele, o que sustentou o otimismo em um mês complexo foi a economia real, com emprego estável e arrecadação em alta.
Lindemeyer avalia que a alta da preocupação com corrupção reativa o perfil do “consumidor auditor”, que opera com uma régua de confiança muito elevada. “Marcas que entregam clareza, cumprem suas promessas de valor e oferecem estabilidade no atendimento são as que capturam essa janela de otimismo imediato”, afirma.
Globo