Durigan nega discussão sobre controle de juros e uso de reservas internacionais

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Fonte da notícia: CBN CBN

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que não está em discussão o tabelamento de juros da Selic nem o uso de reservas cambiais para compensar eventual fuga de capitais do Brasil. O posicionamento veio após a suposta possibilidade de o presidente Lula se encontrar nesta semana com André Lara Resende.

O economista é um dos criadores do Plano Real e defensor da proposta de desindexação da dívida pública - que chegou a 82,9% do PIB - da alta da taxa básica de juros da economia brasileira. A informação do encontro é do colunista Lauro Jardim.

Segundo Durigan, no entanto, não há agenda prevista entre Lula e Resende. Em nota, ele afirmou que "vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente e com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, mas não há nada agendado.

Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende". Apesar da negativa do ministro, as discussões sobre o texto do economista alimentaram ruídos no PT.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra das Relações Institucionais e ex-presidente nacional da sigla, afirmou que a proposta de Lara Resende é fundamental para enfrentar o que chama de "ofensiva terrorista" contra as políticas fiscais do governo. Estudiosa do tema, a economista Mônica de Boille afirmou que a proposta de Lara Resende é uma espécie de continuação do Plano Real.

Ela ressalta que hoje, quando a Selic sobe, a dívida pública também sobe - e a ideia de Lara Resende é fazer uma separação desses dois mecanismos. "Porque quando a gente fez o plano lá atrás, um dos eixos fundamentais foi a desindexação da nossa economia, que era extremamente indexada porque o Brasil é anacrônico ao conviver com hiperinflação durante 25 anos.

Para que isso fosse possível, indexamos a economia inteira, o que fez com que a inflação ficasse resistentemente alta. Para quebrar esses mecanismos introduzimos o Plano Real com um monte de reformas fiscais e monetárias, mas foi difícil quebrar esses mecanismos de indexação e a gente não os quebrou por completo.

Hoje, eles ainda existem na dívida pública, são os instrumentos da dívida atrelados à Selic, o que significa que quando aumenta a Selic, aumenta a dívida pública. O que o André está propondo é um mecanismo de desindexação da dívida à Selic", afirmou.

Já o professor de Economia da Universidade de Brasília (UNB) Cesar Bergo pondera que a discussão é boa, porém, traz risco de fuga de capitais. "Para que dê certo, seria necessário trabalhar o alongamento da dívida brasileira.

Hoje, os títulos são pós-fixados e isso provoca uma situação muito complicada para baixar juros porque vai gerar fuga de capitais. A proposta dele para a utilização das reservas brasileiras não vai resolver o problema: seria queimar as reservas sem resolver o problema", disse.

Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para definir a Selic. A expectativa do mercado financeiro é pela manutenção de juros em 13,75% ao ano.

Publicação Original CBN cbn.globo.com
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