Após o Banco Central interromper ciclo de cortes, o ministro da Fazenda defendeu a revisão de gastos e benefícios fiscais O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira 5 que o governo federal tem de criar condições para a redução da taxa básica de juros, a Selic.
Um dia depois de o Copom interromper o ciclo de cinco cortes consecutivos e manter os juros em 13,75% ao ano, o ministro classificou o índice como elevado e prejudicial à economia. “É uma taxa de juros bastante alta e muito ruim para a economia e para todos os setores.
Mesmo setor financeiro, setor produtivo. Então, precisamos adotar as medidas necessárias para que a gente dê as condições para que, de maneira sustentável e estrutural, a taxa de juros diminua no Brasil”, afirmou Durigan a jornalistas, em Brasília.
O ministro evitou fazer críticas diretas à decisão do Banco Central, mas reconheceu que cabe ao governo trabalhar para melhorar as condições econômicas que permitam uma redução duradoura dos juros. “O esforço que nós temos que fazer no governo Lula 4 é dar as condições corretas, estruturais, os corretos estímulos para que a gente diminua a taxa de juros”, declarou.
Entre as medidas defendidas pela equipe econômica estão a revisão de benefícios fiscais, a redução de privilégios e a reavaliação de despesas primárias. Segundo Durigan, o objetivo é melhorar o resultado das contas públicas e criar condições para que o orçamento federal volte a registrar superávit.
“Quando a gente vai fazendo ajustes graduais, vai implementando medidas, olhando para corte de privilégios, retomada de uma série de revisões de benefícios, revisões de gasto primário, a gente dá as condições para que o orçamento seja superavitário”, afirmou. Em meio à pressão do mercado financeiro por medidas de ajuste fiscal e diante da reação negativa dos indicadores econômicos após o resultado das eleições, Lula começa nesta quinta-feira uma rodada de conversas com economistas e representantes de diferentes setores para discutir os rumos da economia.
O primeiro encontro será com nomes próximos ao presidente e deverá reunir, entre outros, Durigan, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e os ex-ministros Guido Mantega e Luciano Coutinho.
No domingo 8, Lula também fará um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão. A previsão é que o presidente aborde a situação econômica, com referências à taxa de juros e à dívida pública, e reafirme o compromisso de adotar medidas para garantir a estabilidade das contas sem abandonar as promessas de campanha.
Vinícius Nunes Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes.
Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News. Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu.
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