Disputas em Estados com 2º turno são marcadas pela influência de Lula e Flávio

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Fonte da notícia: Valor Valor

As disputas pelos governos de Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Tocantins e Distrito Federal serão decididas nas eleições deste domingo (25). O segundo turno nessas regiões chega à reta final com algumas decisões mais apertadas e outras com claros favoritos.

Porém, em comum, todos pleitos locais foram marcados pela nacionalização das campanhas, com influência decisiva da corrida presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Nos outros 21 Estados, a decisão ocorreu no primeiro turno - um recorde histórico desde a redemocratização do país.

No Acre, no Espírito Santo e no Distrito Federal, a vitória quase foi decidida em 4 de outubro, com candidatos alcançando a marca de mais de 49% dos votos válidos. Mas a decisão acabou mesmo ficando para o 2º turno.

No Amazonas, maior dos seis Estados em termos de população, a disputa no segundo turno envolve o senador e ex-governador Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL). Em 4 de outubro, Aziz obteve 40,63% dos votos válidos, enquanto Maria do Carmo recebeu 24,49%.

A última pesquisa Quaest de segundo turno indica que a liderança de Aziz segue com folga: 51% dos votos totais, contra 37% da adversária. Ao longo da campanha, Aziz explorou seu alinhamento a Lula em programas de TV e rádio, além de pedir votos para o presidente em agendas públicas.

O petista venceu no Amazonas no primeiro turno com 48,23% dos votos. Menos conhecida entre o eleitorado amazonense do que o rival, Maria do Carmo buscou colar sua imagem em Flávio para se popularizar e atrair o voto bolsonarista do Estado.

No Espírito Santo, o segundo turno ficou definido apenas nos instantes finais da apuração. O ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos) teve 49,65% dos votos válidos, ficando a apenas 7.453 votos da vitória.

No domingo, a disputa será contra o atual governador, Ricardo Ferraço (MDB), que recebeu 34,06% dos votos válidos. Ferraço, que herdou o governo de Renato Casagrande (PSB), sofreu com a nacionalização da disputa.

Apesar de ser historicamente adversário do PT - quando era senador, foi membro titular da comissão especial que tratou do impeachment da então presidente Dilma Rousseff -, ele viu seu principal concorrente receber acenos de Flávio e angariar os votos dos bolsonaristas capixabas. No Estado, o presidenciável do PL venceu o primeiro turno com 54,78% dos votos válidos, enquanto Lula teve 37,76%.

A última pesquisa Quaest, divulgada em 14 de outubro, mostrou Pazolini com 47% dos votos totais, enquanto Ferraço tinha 38%. No Rio Grande do Norte, por outro lado, o candidato Allyson Bezerra (União) buscou fugir da polarização nacional.

No entanto, seu adversário, Cadu de Lula (PT), foi na direção oposta e adotou o nome do presidente como nome de urna para vincular diretamente sua imagem ao petista. No Distrito Federal, Celina Leão ficou a apenas 168 votos de ganhar no primeiro turno; ela disputa com Leandro Grass

Em uma disputa acirrada, Bezerra chegou ligeiramente à frente no primeiro turno com 36,94% dos votos válidos, enquanto Cadu recebeu 36,16%. Os dois chegam ao 2º turno em empate técnico, segundo pesquisa Quaest divulgada em 13 de outubro.

De olho na força de Lula no Estado e por conta da associação direta do adversário, Bezerra se declarou neutro sobre a disputa presidencial para focar em propostas da gestão estadual. Já Cadu, que foi secretário de Fazenda do atual governo de Fátima Bezerra (PT), tenta se beneficiar da boa votação dada a Lula, que teve 59,75% dos votos válidos no Rio Grande do Norte.

Flávio ficou com 34,77% no Estado. No Distrito Federal, a atual governadora Celina Leão (PP) ficou a apenas 168 votos da vitória no primeiro turno.

Ela chegou a 49,93% contra 34,47% de Leandro Grass (PT). Refletindo o cenário nacional, a disputa na capital foi marcada pela polarização entre a esquerda e o bolsonarismo.

A última Quaest de 21 de outubro apontou Celina com 50% das intenções de voto, enquanto Grass tem 35%. Ao longo da campanha, Leão contou com apoio de figuras de destaque da extrema-direita, como as senadoras eleitas Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL).

Eleita vice-governadora em 2022, a candidata do PP assumiu a titularidade do Palácio do Buriti após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB). Ao longo da campanha, ela buscou se afastar de críticas e suspeitas sobre a gestão Ibaneis por conta da crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e a negociação com o Banco Master.

Do outro lado, Leandro Grass (PT) contou com a força do PT e de Lula para chegar ao segundo turno. Porém, com uma desvantagem expressiva nas pesquisas, ele tem o desafio de atrair eleitores de fora do campo da esquerda para tentar um crescimento na reta final do pleito.

No Tocantins o momento político é marcado pelo histórico recente de instabilidade, com afastamento e retorno do atual governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) em dezembro de 2025. Em um primeiro turno acirrado, a senadora Dorinha Seabra (União), que tem o apoio de Barbosa, terminou à frente com 45,52% contra 43,94% do deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB).

As últimas pesquisas apontam uma virada de Vicentinho. Segundo a Quaest de 13 de outubro, ele marca 53,85% contra 46,15% de Dorinha.

O candidato tucano conseguiu no segundo turno o apoio do vice-governador e ex-candidato ao governo, Laurez Moreira (PSD), que terminou em terceiro lugar com 8,24% dos votos. Ao longo da campanha, Vicentinho e Dorinha disputaram o apoio de Flávio Bolsonaro, de olho no bom desempenho do senador no Estado - ele venceu com 50,44% dos votos válidos.

Lula ficou com 43,42% no Estado. Apesar de ter sido vice-líder no Senado do governo Lula por indicação do União Brasil, partido que compôs o governo, Dorinha conseguiu o apoio formal de Flávio.

O movimento foi articulado pela ampla coligação em torno de sua candidatura que inclui o PL, Republicanos, Podemos e Avante. A aproximação gerou incômodo em Vicentinho, que era mais próximo do bolsonarismo, e classificou o movimento da adversária como “oportunismo eleitoral”.

Já no Acre a atual governadora Mailza Assis (PP) obteve 49,76% dos votos, enquanto o senador Alan Rick (Republicanos) ficou na segunda colocação, com 32,27%. Ambos são do campo bolsonarista e exploraram a aproximação com Flávio, que teve uma vitória expressiva no Estado, alcançando 64,56% dos votos ante 28,73% de Lula.

O cenário para o segundo turno se manteve estável, com a candidata do PP marcando 49% e o do Republicanos 32%, segundo a Quaest de 13 de outubro. Ao longo da campanha, Mailza buscou reforçar seu elo com o bolsonarismo publicando fotos em suas redes sociais com o candidato do PL à presidência.

Foi Alan Rick, porém, que conseguiu uma declaração de apoio do senador no segundo turno, fato usado como trunfo eleitoral em suas redes. Mailza assumiu o Palácio Rio Branco em abril deste ano, após a renúncia de Gladson Cameli (PP) para concorrer ao Senado.

Ela contou com a força da máquina estadual para se tornar favorita na disputa. Já Rick buscou apresentar-se como uma alternativa à atual administração, se concentrando em propostas de segurança pública.

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