247 – O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), criticou a participação do ex-governador Anthony Garotinho nas eleições de 2026 e afirmou que o político não poderia sequer ter votado, uma vez que está com os direitos políticos suspensos. Paes questionou a autorização para que Garotinho disputasse o primeiro turno e apontou consequências para o processo eleitoral no estado.
Em publicação na rede social X, Paes afirmou que a candidatura foi permitida apesar dos alertas feitos sobre a situação jurídica do ex-governador. “Acreditem se quiser: nem votar o Garotinho pode.
Está com os direitos políticos suspensos. Mas lhe foi permitido – apesar de todos os nossos alertas – candidatar-se no primeiro turno, votar e ser votado! E, por óbvio, interferir no processo eleitoral!”, declarou.
A manifestação ocorre em meio à controvérsia judicial envolvendo os votos recebidos por Garotinho no primeiro turno da eleição para o governo do Rio de Janeiro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, em 8 de outubro, anular os 274.411 votos destinados ao ex-governador, alterando o cálculo dos votos válidos e permitindo que Douglas Ruas (PL) fosse declarado vencedor da disputa sem a realização de um segundo turno.
Antes da exclusão desses votos, Ruas havia alcançado 49,27% dos votos válidos, enquanto Paes registrara 42,76%. Com a anulação da votação de Garotinho, o candidato do PL ultrapassou a maioria absoluta exigida para vencer a eleição na primeira rodada.
A situação eleitoral de Garotinho está relacionada a uma condenação por improbidade administrativa envolvendo irregularidades no projeto Saúde em Movimento. O ex-governador teve os direitos políticos suspensos por oito anos, a partir de julho de 2025, quando a condenação transitou em julgado.
A decisão judicial também estabeleceu a devolução de mais de R$ 234 milhões aos cofres públicos. Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) havia rejeitado o registro da candidatura de Garotinho.
Mesmo assim, o ex-governador participou da disputa na condição de candidato sub judice, enquanto aguardava uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral. A controvérsia se intensificou nos dias anteriores à votação.
Em 2 de outubro, o ministro Floriano de Azevedo Marques determinou que os votos recebidos por Garotinho fossem considerados nulos. No dia da eleição, entretanto, o presidente do TSE, Nunes Marques, autorizou a contabilização dos votos como válidos até o julgamento definitivo do recurso.
Posteriormente, o plenário do TSE decidiu, por cinco votos a dois, confirmar a impossibilidade da candidatura e excluir os votos de Garotinho da totalização. Os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior divergiram quanto aos efeitos da medida sobre o resultado eleitoral, defendendo que os votos fossem considerados no cálculo do primeiro turno.
A decisão provocou uma disputa judicial sobre a necessidade de realização de uma segunda rodada de votação. O PSD, partido de Eduardo Paes, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar os efeitos da anulação dos votos e defender a realização do segundo turno entre Paes e Douglas Ruas.
A ação ficou sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin, que, em 19 de outubro, solicitou informações ao TSE sobre o caso. Acreditem se quiser: nem votar o Garotinho pode.
Está com os direitos políticos suspensos. Mas lhe foi permitido – apesar de todos os nossos alertas – candidatar-se no primeiro turno, votar e ser votado! E, por óbvio, interferir no processo eleitoral!
O mínimo de legitimidade na eleição seria interessante! Perder é do jogo! Armação não!— Eduardo Paes (@eduardopaes) October 23, 2026
Brasil 247