Senadora largou na frente, mas deputado virou nas pesquisas; candidatos disputam eleitorado de direita e trocam acusações sobre gestão pública O segundo turno na disputa pelo governo de Tocantins foi marcada, principalmente, por desdobramentos da operação “Overclean” da Polícia Federal (PF) e por uma disputa voto a voto entre Professora Dorinha (União Brasil, foto) e Vicentinho Júnior (PSDB)
Os dois terminaram o primeiro turno separados por 13.412 votos, diferença de apenas 1,58 ponto percentual. Na etapa inicial, Dorinha recebeu 386.260 votos, ou 45,52% dos válidos.
Vicentinho teve 372.848 votos, equivalente a 43,94%. O resultado deixou para trás Laurez Moreira (PSD), que obteve 8,24%, e transformou o eleitorado dos candidatos derrotados em uma das principais incógnitas da segunda etapa.
Pesquisas de intensão de voto ao governo do Estado apontam uma diferença de menos de dez pontos percentuais entre Dorinha e Vicentinho. No início das sondagens, Dorinha apareceu na frente mas com o transcorrer da campanha Vicentinho assumiu a liderança.
Com esse novo cenário, a campanha de Dorinha passou a explorar desdobramentos da operação “Overclean” da Polícia Federal e que alcançou Vicentinho Júnior. Uma planilha apreendida pela Polícia Federal (PF) apontou uma suposta movimentação de 170 milhões de reais nas contas da GMD Borba Distribuidora, registrada em nome de Gillaynny Marjorie Duarte Borba de Oliveira, esposa de Vicentinho
A PF investiga se o deputado eventualmente recebeu alguma vantagem indevida e isso foi explorado à exaustão pelo grupo político de Dorinha. O parlamentar nega irregularidades.
Em setembro do ano passado, a PF solicitou ao ministro Kassio Nunes Marques a adoção de medidas cautelares contra o parlamentar, mas o magistrado rejeitou todos os pedidos da PF. A “Overclean” é uma operação da PF que investiga principalmente integrantes do União Brasil eventuais contratos fraudulentos operados pelo empresário baiano José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”.
Além de Vicentinho, a PF também suspeita que outro beneficiário desse esquema seria o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A campanha de Dorinha veiculou peça que associava Vicentinho e sua mulher à movimentação de R$ 170 milhões e falava em risco de cassação de mandado.
A Justiça Eleitoral foi obrigada a intervir e tirou a peça do ar. Outro componente relevante da eleição foi a disputa pelo eleitorado de direita.
Flávio Bolsonaro (PL) venceu a eleição presidencial no Tocantins no primeiro turno, com 50,44% dos votos válidos, contra 43,42% de Lula (PT). No segundo turno estadual, tanto Dorinha quanto Vicentinho procuram se aproximar desse eleitorado.
Vicentinho apoia Flávio desde o primeiro turno. Dorinha, que integra uma coligação da qual o PL faz parte, também recebeu o apoio do candidato presidencial no segundo turno.
O Antogonista