Deputados reeleitos esperam “tiro, porrada e bomba” de novatos na Alesp

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Fonte da notícia: Metropoles Metropoles

São Paulo — A renovação de 42,55% da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) deve trazer mais embates para dentro da Casa. Pelo menos é o que acreditam alguns dos deputados reeleitos que se preparam para dias intensos com os futuros colegas.

Dos 40 novos parlamentares que começam no Palácio 9 de Julho em 2027, 35 ocuparão uma cadeira na Alesp pela primeira vez. Outros cinco já passaram pela Casa antes, mas estão fora da assembleia atualmente.

Ambos os grupos, no entanto, contam com perfis de atuação forte – e polêmica – nas redes sociais. “Vai ser tiro, porrada e bomba”, disse ao Metrópoles, sob reserva, um dos parlamentares reeleitos, que pertence à base do governo.

“No início a gente não vai conseguir discutir São Paulo, vai discutir ideologia somente. Depois vem São Paulo, infelizmente”, afirmou o deputado.

Em seu 5º mandato na Alesp, Carlos Giannazi (PSol) diz que o crescimento da extrema direita vai mudar a temperatura da base do governo. “A gente vai voltar um pouco ao que era em 2019.

Vai ter mais briga, confusão, debate ideológico”, afirma o deputado, lembrando da legislatura que teve nomes como Arthur do Val (ex-União) e Douglas Garcia (União). Conhecido por gravar vídeos provocativos contra a esquerda em universidades e manifestações, Garcia é um dos nomes que retornam à Alesp em 2027.

O político também ficou marcado por ofender, após um debate entre candidatos ao governo estadual, em 2022, a jornalista Vera Magalhães. Na ocasião, ele chamou a apresentadora de “vergonha do jornalismo”, e teve seu celular lançado para longe pelo também jornalista Leão Serva.

Deputada reeleita, Dani Alonso (PL) diz que os perfis ideológicos e combativos estarão presentes tanto na direita quanto na esquerda na próxima legislatura, o que deve gerar mais embates entre os grupos. “Até porque são deputados que vivem dessa audiência da internet”, afirma ela.

Ela ressalta, no entanto, que os parlamentares terão de construir consenso se quiserem aprovar projetos importantes para o estado. “São deputados que vieram dessa leva dos cortes da internet e foram eleitos por isso, a gente não pode desprezar.

Mas, na prática, a gente sabe que o que, de fato, muda a vida das pessoas, é quando se consegue aprovar um projeto, construir políticas públicas. É quando os ânimos acalmam e existe um consenso.”

Também da base, o deputado estadual Tenente Coimbra (PL) diz que a mudança na composição da Casa pode ser positiva para forçar um debate maior das pautas que chegam do governo. “A Assembleia não pode virar só um carimbador do Palácio.

A gente tem que discutir a fundo todos os projetos, mesmo aqueles que vêm do governo. E, infelizmente, na atual legislatura, muitas vezes isso [de discutir os projetos] não aconteceu.”

A atuação voltada aos cortes nas redes sociais, ponto forte de novatos como Eduarda Campopiano (PL), a candidata mais bem votada para a Alesp, divide os deputados. Enquanto Coimbra, por exemplo, diz que os vídeos de cortes “não prejudicam o trabalho do parlamento”, o deputado Paulo Fiorilo (PT) diz que a “necessidade de exposição” pode atrapalhar as discussões no Plenário.

“Pode ser um começo de muito tumulto, de muito bate-boca. Para que isso não ocorra é preciso que a gente tenha uma presidência que tenha pulso, aplique o regimento e impeça que se faça do plenário um ringue de luta livre ou um estúdio de TV para cortes, para likes e coisas do tipo”, diz o petista.

Vários dos deputados ouvidos pela reportagem citaram a necessidade dos novos colegas lerem o regimento interno da Casa no início do mandato. “Todo mundo chega com a expectativa lá em cima e às vezes pensam que pode tudo também.

Tem regras, Constituição, regimento interno. Enquanto não entenderem isso, eles vão causar”, resumiu um parlamentar sob reserva.

Publicação Original Metropoles metropoles.com
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