Marcinho VP mandou criar associação de moradores mesmo preso, diz polícia

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Fonte da notícia: Metropoles Metropoles

Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) indica que Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV), teria ordenado a criação de uma associação de moradores mesmo estando preso há décadas. A suspeita surgiu após os investigadores identificarem uma conversa entre Márcia Nepomuceno, companheira do traficante, e Marco Antonio Quintal Henrique, conhecido como Marquinhos Balão.

No diálogo, Marquinhos informou a Márcia que havia criado uma associação de moradores em Vila Norma, localidade possivelmente situada em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, a pedido de Marcinho VP. Para a Polícia Civil, a conversa reforça a suspeita de que o traficante continuaria utilizando familiares e pessoas de confiança para transmitir ordens e interferir em decisões tomadas em comunidades sob influência da facção.

Marcinho VP nasceu em Vigário Geral, na Zona Norte do Rio, mas se mudou ainda criança para Vila Norma, onde passou parte da infância e da adolescência. Em sua autobiografia, ele relata que começou a trajetória no crime na comunidade, praticando roubos aos 17 anos.

A coluna identificou que Marquinhos consta como presidente de uma associação de moradores no Complexo do Alemão desde dezembro de 2021. A entidade foi fundada em 2004.

Não foi possível confirmar se ela tem relação com a associação mencionada na investigação, que estaria localizada em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A apuração teve início após a apreensão do celular de Márcia durante diligências relacionadas a um inquérito instaurado em São Paulo para investigar uma suspeita de disparo de arma de fogo envolvendo o rapper Oruam, filho do casal.

Márcia está presa desde o mês passado, quando foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), por suspeita de impor um monopólio no fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. As ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que também investiga o caso, aponta que recursos atribuídos ao CV teriam sido utilizados para custear despesas pessoais e familiares de Marcinho VP. Entre os episódios identificados está uma conversa entre Márcia e Luiz Paulo Silva de Souza, conhecido como Magrão, sobre a liberação de R$ 28 mil que seriam solicitados a Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, apontado como uma das lideranças do tráfico no Complexo do Alemão.

Segundo a investigação, R$ 8 mil seriam destinados a um chá de bebê, enquanto os outros R$ 20 mil seriam utilizados na compra de móveis para uma filha de Márcia. Os valores seriam cobrados de Marcinho VP, chamado de “Nego” na conversa.

Em outro diálogo, Márcia pediu ao filho Oruam que solicitasse R$ 10 mil a Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como chefe do tráfico no Complexo da Penha. O dinheiro seria utilizado para pagar uma fatura de cartão de crédito.

Para os investigadores, as mensagens indicam que integrantes da família de Marcinho VP teriam acesso a recursos administrados por lideranças do Comando Vermelho, inclusive para despesas particulares.

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