Hoje, Dia de Finados, é um feriado nacional, tão importante em algumas comunidades como o da Páscoa e o do Natal. É uma tradição que vem de nossa origem ibérica, posto que, em Portugal e na Espanha, já existia o costume de se comemorar, festivamente, o dia dos ancestrais, desde a época dos celtas, povo mais místico, ou dos iberos.
A Igreja Católica, a partir da Idade Média, incorporou esse costume ao ritual litúrgico, criando o “Dia dos Fiéis Defuntos”, no dia 2 de novembro, posterior ao Dia de “Todos os Santos”, no dia 1º. Em alguns países de tradição católica como México, Guatemala e Filipinas, o feriado é nos dois dias.
Aqui, também, já foi assim, há até algum tempo. Em outra religiões, como nas ditas Protestantes ou Evangélicas e no Espiritismo, não se estimulam essas práticas, embora o costume de ir ao cemitério, levar flores e acender velas para os mortos continue entre a população.
Não tenho o hábito de ir aos cemitérios, no Finados, mesmo porque meus mortos foram enterrados em locais diversos: minha mãe e meus avós maternos fazem seu descanso eterno em Muqui; meu pai jaz isolado em Ibitirama, cidade que tanto amou, mas que não chegou a ver independente de Alegre; meus avós paternos repousam em Divino de São Lourenço, onde ainda residem muitos de seus descendentes.
Todos os meus mortos me acompanham, em todos os dias de minha vida, e não preciso de ir ao cemitério para me lembrar deles. Minha memória, enquanto houver, é guardiã de suas lembranças, de suas vidas vividas e, para mim, isso basta.
Quanto às flores, prefiro-as vivas, nos pés, enfeitando nossas primaveras e alegrando nossos outonos ou, então, oferecidas aos vivos que fizerem por merecê-las. Em Domingos Martins, onde passo os feriados e finais de semana, há um grande comércio de flores, nesses dias que antecedem o Finados.
Apesar da tradição luterana de grande parte de sua população, descendentes de alemães, pomeranos e italianos invadem os cemitérios, levando suas flores e preces aos ancestrais mortos. Pelas estradas, encontramos dezenas de mulheres e crianças carregando copos de leite, margaridas, antúrios, palmas de Santa Rita, lírios, açucenas e rosas dos mais variados matizes para enfeitar os túmulos.
Os homens dão uma passada rápida no cemitério, quando o fazem, e se dirigem rápido para os bares, vendas e bodegas, pois há sempre uma próximo às igrejas e aos cemitérios, para comemorar a vida, com goles de cachaça ou copos de cerveja, enquanto não chega a sua vez. Eles sabem que vão antes das mulheres, por isso, não são muito chegados às flores, enquanto vivos.
A maior comemoração aos mortos acontece no México, a mais importante do mundo, tombada pela Unesco como “Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade”. Quem quiser saber mais sobre essa tradição, acesse o Google, ou consulte a professora.
Ester Abreu, que até já me trouxe um doce de caveirinha, que eles comem por lá.
A Gazeta