Em entrevista ao ND+ Negócios & Dinheiro, Amanda Brum explica por que só 5% dos brasileiros estão em fundos e como linguagem simples e educação financeira podem mudar esse cenário Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
Apenas 5% dos brasileiros aplicam em fundo de investimento, segundo a Anbima. Este dado levou o ND+ Negócios & Dinheiro até a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, entidade que representa as instituições dos mercados financeiro e de capitais, para entrevistar Amanda Brum, jornalista e CMO da associação.
Para Amanda, um dos principais obstáculos é a linguagem. “A gente tem um desafio gostoso de simplificar o que as pessoas por anos tentaram complicar”, afirma.
Ela compara: todo mundo sabe o que é refrigerante ou café, mas poucos conseguem explicar o que é um CDB. Os números mostram que há espaço para avançar.
O Brasil encerrou 2025 com 36% da população investindo em produtos financeiros, o equivalente a 60,6 milhões de pessoas. E o interesse cresce: em 2025, as buscas por “fundos de investimento” superaram em 30% as pesquisas por “caderneta de poupança”.
A estratégia da Anbima é mostrar que o mercado de capitais está no cotidiano, do agronegócio à infraestrutura. “Nada mais é do que facilitar que o dinheiro de quem tem para investir chegue em quem precisa de dinheiro”, resume Amanda.
Depois da campanha No Fundo Você Pode, que somou 925 milhões de impactos, a associação passou a divulgar o mercado de capitais diretamente para a população. A mudança também é de canal.
A audiência dos influenciadores de finanças cresceu mais de 300% em cinco anos e chegou a 310,7 milhões de seguidores. Segundo Amanda, o YouTube lidera como fonte de informação sobre finanças, seguido por Instagram e TV aberta.
No Busão da Anbima, que ouviu mais de 700 pessoas pelo país, a equipe flagrou investidores com o aplicativo da corretora aberto enquanto seguiam a dica de um influenciador. O pano de fundo é o endividamento.
A proporção de famílias com dívidas bateu recorde de 82% em julho e estava em 81,7% em setembro, segundo a CNC. A Anbima aponta que quem teve contato com educação financeira se endivida menos, investe mais e tem menos estresse.
“Então é real: educação financeira transforma”, diz Amanda. Ela conta que percebeu a funcionária que trabalha em sua casa entrando na espiral do endividamento.
As duas anotaram renda e gastos numa folha de papel e descobriram que sobrava dinheiro. Guardado todo mês, ele bancaria em um ano a viagem que a funcionária sonhava fazer com o marido.
A ordem, segundo Amanda, é quitar as dívidas, formar uma reserva de emergência e só então investir pensando em objetivos, como a casa própria ou a faculdade dos filhos. A reserva deve cobrir de três a seis meses de salário para quem tem carteira assinada e de seis meses a um ano para empreendedores.
E muitos já começaram sem perceber. Quem guarda dinheiro na caixinha do banco digital ou na poupança já é investidor, e há produtos a partir de R$ 10.
“Talvez você não saiba, mas você já investe.” A Anbima oferece cursos gratuitos de educação financeira.
Na plataforma Cursos Anbima, a associação disponibiliza cursos multimídia gratuitos, que emitem certificado digital de participação ao final. Basta fazer o cadastro, sem pagar nada.
Eles ajudam quem precisa reorganizar as finanças, mas o objetivo principal é desmistificar e democratizar o universo dos investimentos. A proposta conversa com a tese defendida por Amanda Brum na entrevista: traduzir o “economês” para que produtos como o fundo de investimento deixem de parecer coisa de especialista.
Onde se inscrever? As inscrições são feitas pela plataforma de educação da Anbima, em cursos.anbima.com.br.
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