O primeiro levantamento da safra 2026/27 projeta 367,1 milhões de toneladas de grãos no Brasil, alta de 1,4% sobre o ciclo anterior. O cálculo é da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, e aponta novo recorde da produção agrícola nacional.
A área plantada deve alcançar 85,4 milhões de hectares, crescimento de 2,3% em relação à safra passada. Soja e milho somam quase 90% do volume previsto, e a safra está sendo semeada em todo o país.
O acréscimo sobre o ciclo 2025/26 é de cerca de 5 milhões de toneladas. A soja e o milho respondem por quase nove de cada dez toneladas do total.
A soja ocupa metade da colheita e o milho ganha tração A soja tem projeção de 181,6 milhões de toneladas, cerca de metade de toda a produção de grãos do país.
A área semeada chega a 49,3 milhões de hectares, alta de 1,4%, e 15,6% do plantio estava concluído no início de outubro. No Centro-Oeste e no Sul, a Conab trabalha com estabilidade de área por causa das condições de mercado e das incertezas climáticas.
O milho deve produzir 148 milhões de toneladas, alta de 2,4%, em 23,7 milhões de hectares, 4,9% mais que no ciclo anterior. A primeira safra de milho tem o maior salto e chega a 4,5 milhões de hectares, avanço superior a 10%.
A instalação de usinas de etanol de milho e o crescimento do consumo na produção de proteína animal explicam a demanda. A soja tem demanda externa consolidada e preço formado em dólar.
O arroz e o trigo, voltados ao mercado interno, dependem de safra cheia para sustentar a oferta. O milho cresce com comprador garantido na indústria de etanol e de ração.
A lavoura de alimento depende de preço e de clima para manter a área no ano seguinte. O trigo é cultura de inverno no Sul e o plantio depende do preço no momento da semeadura.
O arroz irrigado exige água e investimento alto, e a área não se refaz em um ano. O arroz recua de novo e o feijão fica sem folga
O arroz deve fechar em 10,8 milhões de toneladas, queda de 2,9% depois de já ter recuado no ciclo 2025/26. A área se mantém em 1,5 milhão de hectares e a queda vem da produtividade menor.
O Rio Grande do Sul responde por cerca de 70% da produção e havia semeado 27% da área até a primeira semana de outubro. A concentração deixa o abastecimento nacional dependente do clima em uma faixa do Sul.
O feijão deve repetir 2,9 milhões de toneladas, e o consumo interno estimado é de 2,65 milhões de toneladas. A folga de cerca de 250 mil toneladas equivale a menos de 9% da colheita.
A semeadura da primeira safra de feijão chegou a 18,1% no país, e São Paulo já plantou 100% da área. Perda relevante em qualquer região consome essa margem e chega ao preço da cesta.
O trigo cai 27,2% com a colheita em curso A safra de trigo de 2026 está sendo colhida e deve somar 5,7 milhões de toneladas, redução de 27,2% sobre o ciclo passado.
O cereal é o item da cesta em que o Brasil mais depende de compra externa. Somados, soja e milho chegam a 329,6 milhões de toneladas.
Arroz, feijão e trigo não passam de 19,4 milhões, cerca de 5% do total previsto. A Conab expõe o desequilíbrio antes da crise
Para o deputado federal Dilceu Sperafico, do Paraná, o resultado representa avanço para o agronegócio, os produtores e trabalhadores rurais, oferta de alimentos e economia nacional. Os mesmos números mostram a commodity em alta e o arroz e o trigo em queda.
A Conab afirma que o primeiro levantamento combina dados de campo, modelos estatísticos e análise meteorológica, porque as informações ainda são incipientes. A estatal divulga levantamentos ao longo de todo o ciclo e cada edição corrige a anterior.
A Conab também administra os estoques públicos de alimentos, ferramenta que o governo federal usa para segurar preço em ano de quebra. O levantamento chega antes de qualquer decisão de compra, e é aí que o dado vira política pública.
O Plano Safra e o crédito de custeio definem qual lavoura financia o plantio da próxima temporada. A escolha sai nos próximos meses, com o mapa do desequilíbrio na mão.
A Conab entrega ao governo o retrato do abastecimento antes de a falta de arroz e trigo chegar ao varejo. Reforçar estoque, redirecionar crédito ou apenas registrar mais uma queda segue sendo decisão de quem governa.
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