Os estudantes que farão o Enem em novembro já precisam planejar a gestão do tempo. No primeiro domingo (8 de novembro), são cinco horas e meia para fazer a redação e responder a 45 questões; no segundo, são cinco horas para mais 45 perguntas.
Todo ano, professores de pré-vestibular veem candidatos que dominam o conteúdo perderem pontos preciosos por gastarem tempo demais em poucas questões, deixando o restante do caderno comprometido. Para entender como evitar esse e outros erros comuns e usar a lógica do TRI a favor da nota, a reportagem de A Gazeta conversou com os professores de pré-vestibular André Cupertino e Jeisdens de Assis.
De acordo com Cupertino, muitos alunos acabam se confundindo com o funcionamento da Teoria da Resposta ao Item (TRI). “A teoria trabalha [com a ideia de] que existe uma régua de dificuldade: questão fácil, questão média, questão difícil.
É um sistema antichute. A título de exemplo, imagine um aluno que fez 45 questões e acertou várias questões difíceis, mas errou muitas questões fáceis.
O sistema entende que ele chutou essas questões, que acertou na sorte do chute e a nota final é reduzida por causa disso”, explica. Jeisdens vê o mesmo problema todos os anos com seus alunos, mas orienta que a estratégia na hora da prova é começar pelas questões fáceis.
"Nenhuma questão vem rotulada como fácil, média ou difícil. Mas, quando uma questão aparece no meio do caminho e o aluno não consegue responder rapidamente, o melhor a fazer é pular para a próxima e deixar essas questões mais ‘difíceis’ para o final", diz.“Vencer a prova não significa responder tudo imediatamente.
O importante é garantir os acertos mais prováveis”, complementa André Cupertino. Essa recomendação é rápida e o aluno deve fazer antes da primeira resposta.
O professor Jeisdens acredita que a primeira coisa a se fazer, quando abrir o caderno de questões, é folhear rapidamente todas as páginas, observando o que vem pela frente, sem compromisso de resolver nada. Isso ajuda o candidato a identificar, de forma visual, o que parece mais simples e o que provavelmente vai exigir mais tempo.
É dessa forma que o candidato pode fazer um cálculo simples e rápido, a quantas perguntas “fáceis” consegue responder rápido, economizando o tempo estimado de três minutos por questão. A orientação de pular e voltar depois também entra aqui.
Caso tenha ultrapassado esses três minutos e a questão não foi resolvida, não vale a pena insistir mais. Devo fazer a redação antes ou depois das questões?
O professor Cupertino acredita que a ordem de resolução deve começar pela redação. "A redação não dá pra chutar.
Considerando só a redação, já temos 20% da nota final, independentemente do curso desejado pelo candidato", justifica. E a ordem de respostas do segundo dia de prova?
No dia de Ciências da Natureza e Matemática, os professores acreditam que compensa iniciar por matemática. O mesmo cuidado vale para as questões de cálculo, segundo Jeisdens: elas parecem mais "concretas", mas consomem desproporcionalmente mais energia mental.
Por isso, vale identificá-las já na folheada inicial e deixá-las para o fim. Tem como controlar o estresse na hora da prova?
Para os alunos que ficam ansiosos, a dica é prestar atenção ao próprio corpo. Fazer pequenas pausas com água e lanches leves.
Também é permitido ir ao banheiro quando necessário, até mesmo para lavar o rosto ou respirar com mais calma. Os professores confirmam que para além de treinar as diferentes maneiras dele de interpretar, os simulados ajudam na gestão de tempo, que não pode ser aprendida apenas no dia da prova.
Ao realizar os simulados, os alunos podem sentir como é ficar as cinco horas dentro da sala, organizar sua própria estratégia ao responder as perguntas e preparar sua mente para não ser pego de surpresa nos dias de prova. Jeisdens resume a importância do treino: "O maior inimigo, na hora da prova, é o cansaço mental.
E é esse cansaço, mais do que o físico, que os simulados ajudam a treinar, mudando só o ajuste do método a cada pessoa, já que cada um tem a sua forma de estudar", finaliza.
A Gazeta