Por Gustavo MaiatoPostado em 23 de outubro de 2026 Kirk Hammett é o ponto fraco de "72 Seasons", na avaliação do jornalista Gastão Moreira.
Em edição do Arrepiômetro, quadro em que analisa um disco específico, publicada em 25 de abril de 2023 no canal KazaGastão, o apresentador comentou faixa a faixa o 11º álbum de estúdio do Metallica e reservou as críticas mais duras aos solos do guitarrista. Lançado em 14 de abril de 2023 pela Blackened Recordings, selo da própria banda, o trabalho teve produção de Greg Fidelman, parceiro de Rick Rubin que já havia trabalhado com o grupo em discos anteriores.
Gastão lembrou que o lançamento coincide com os 40 anos de "Kill 'Em All", estreia do quarteto, de 1983. O título faz referência aos primeiros 18 anos de vida, período em que, segundo ele, uma pessoa molda o próprio caráter.
O jornalista também notou a ausência de baladas e classificou a capa como feia. Na divisão de méritos, o apresentador considerou a voz de James Hetfield o ponto alto do álbum, com o vocalista cantando com potência.
Elogiou ainda a produção, que avaliou como contida, e o som da bateria de Lars Ulrich, com destaque para a caixa. Robert Trujillo, por outro lado, ficou escondido na mixagem, na opinião de Gastão, que disse ter sentido falta de mais espaço para o baixo, mesmo reconhecendo a dificuldade de encaixá-lo entre duas guitarras.
Sobre Hammett, foi direto: "Acho que os riffs de guitarra são muito mais legais do que os solos, e para mim o ponto fraco desse álbum é justamente a performance do Kirk Hammett.
Alguém devia falar para ele, proibir ele de usar o wah-wah. Parece que ele sempre usa quando está faltando um pouco mais de criatividade.
Não sei, cara, o trabalho dele me pareceu um pouco preguiçoso. Me desculpem os fãs dele."
A duração foi outro alvo. "O álbum, para mim, é longo.
São 77 minutos distribuídos em 12 faixas. Poderia muito bem ser um EP com menos faixas.
Tem músicas que começam muito bem, mas depois elas são tão longas que começam a se repetir e se tornam um pouco enfadonhas", afirmou. Nas letras, Gastão viu sinceridade de Hetfield ao tratar das dificuldades pessoais recentes do vocalista, mas apontou o abuso de rimas óbvias.
Entre as faixas, "Lux Æterna", primeiro single, divulgado em novembro de 2022, foi apontada como a melhor do disco, mesmo sendo a mais curta, com 3min22. "Eles são espertos, por isso lançaram primeiro essa música, mas ela deu uma impressão errada do disco.
Essa música, para mim, é um dos futuros clássicos da banda. Vai estar em todos os setlists a partir dos próximos shows", disse.
Completam o pódio "Room of Mirrors", que ele descreveu como uma mistura de prog e thrash, e a épica "Inamorata", de 11 minutos, cujo trecho final o fez lembrar de "Victim of Changes", do Judas Priest. O restante do repertório dividiu o jornalista.
A faixa-título abre bem o álbum, mas se estende demais; "Shadows Follow" cansa pela repetição; "Screaming Suicide" remete à New Wave of British Heavy Metal (movimento de bandas britânicas do fim dos anos 1970); e "Sleepwalk My Life Away" tem clima stoner e grunge que lembra Alice in Chains, sem emocionar.
No balanço, Gastão defendeu o lançamento como combustível para manter a banda na estrada: "Missão cumprida. Fizeram um disco decente, mais um álbum decente na sua carreira.
Não é o maior clássico, mas trouxe boas músicas e acho que vai ser bem recebido pela maioria dos fãs."
Whiplash