247 – O setor agrícola brasileiro marca presença na 17ª Conferência das Partes (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas, sediada em Yerevan, na Armênia, até o dia 30 de outubro. Quatro anos após a formulação do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal na COP15, delegações de todo o mundo se reúnem para avaliar a implementação de suas 23 metas, das quais ao menos sete estão diretamente ligadas às cadeias produtivas agropecuárias.
Com o desafio de demonstrar que a atividade produtiva é aliada da conservação, a CropLife Brasil (CLB) participa das negociações apresentando contribuições técnico-científicas. Para subsidiar o posicionamento oficial do país, a entidade articulou previamente uma carta com 12 propostas, entregue a ministérios estratégicos do Governo Federal, incluindo Relações Exteriores (MRE), Agricultura (Mapa), Indústria e Comércio (MDIC) e Ciência e Tecnologia (MCTI/CTNBio).
As diretrizes defendidas pelo setor estruturam-se sobre as metas do Marco Global que afetam o agro, com destaque para: Meta 3 (Conservação): Reconhecimento estratégico da manutenção de áreas de vegetação nativa dentro das propriedades rurais.
Meta 7 (Redução da poluição): Mitigação dos impactos e riscos associados aos defensivos agrícolas, com a criação de indicadores de avanço. Meta 10 (Sustentabilidade produtiva): Adoção de inovações como sementes melhoradas, biotecnologia e bioinsumos para garantir resiliência sistêmica e segurança alimentar.
Meta 13 (Repartição de benefícios): Divisão justa e equitativa derivada da utilização de recursos genéticos e conhecimentos tradicionais. Meta 15 e 16 (Riscos e Consumo sustentável): Redução do desperdício e fomento à logística reversa, com destaque internacional para a eficiência do Sistema Campo Limpo (inpEV) na destinação de embalagens vazias.
Meta 17 (Biossegurança): Fortalecimento de marcos regulatórios para o uso seguro da biotecnologia. Biológicos em alta: o lançamento do Hub Renera – Um dos grandes destaques da participação brasileira ocorre no dia 26 de outubro, com a apresentação do Renera — Brazilian Bioinputs Hub.
O projeto, encabeçado pela CLB em parceria com a ApexBrasil, tem a missão de promover internacionalmente a expertise nacional em soluções baseadas na natureza, facilitando a transição global para sistemas alimentares regenerativos e de baixo carbono. A ofensiva internacional é respaldada pelo aquecimento acelerado do setor de bioinsumos (que engloba biodefensivos, inoculantes e biofertilizantes) no Brasil.
Dados do primeiro semestre de 2026 da plataforma CropData mostram que o mercado doméstico movimentou R$ 1,82 bilhão, um crescimento de 9,6% ante o mesmo período de 2025. A área agrícola tratada com biológicos saltou 18,3%, alcançando 46,2 milhões de hectares.
No front das exportações, a alta é ainda mais expressiva: entre janeiro e setembro deste ano, os embarques de tecnologias biológicas brasileiras cresceram 31,1%, gerando receitas de US$ 68,4 milhões. Os produtos desenvolvidos no Brasil estão sendo absorvidos não apenas por vizinhos como Argentina, Colômbia e Paraguai, mas também por mercados altamente regulados, como Estados Unidos e Países Baixos.
Brasil 247