Vigilante recusa chácara de R$ 2,68 milhões oferecida em disputa trabalhista de R$ 730 mil

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Vigilante cobra mais de R$ 730 mil por direitos trabalhistas e surpreendeu ao rejeitar chácara milionária apresentada como garantia judicial em Goiás Uma chácara avaliada em R$ 2,68 milhões foi recusada por um vigilante que cobra cerca de R$ 730 mil de uma empresa de segurança na Justiça do Trabalho, em Goiás.

Apesar de o imóvel valer mais de três vezes o valor da dívida, o trabalhador decidiu não aceitar a propriedade como garantia judicial e pediu o bloqueio de dinheiro nas contas da empresa. A disputa envolve a Dimivig Vigilância e Segurança Patrimonial Ltda., processada pelo funcionário por horas extras não pagas.

Segundo o advogado do vigilante, Christiano de Lima e Silva Melo, o trabalhador cumpria jornadas superiores às 12 horas previstas em sua escala. A Justiça do Trabalho reconheceu as irregularidades e invalidou os registros de ponto e o regime de compensação de jornada 12×36 entre abril de 2023 e novembro de 2024.

A decisão também contempla adicional noturno, verbas rescisórias e o reconhecimento da rescisão indireta do contrato, quando o empregado pode encerrar o vínculo por falta grave do empregador. Embora a propriedade tivesse valor suficiente para garantir a dívida trabalhista, a defesa do vigilante considerou que aceitar o imóvel poderia dificultar o recebimento do dinheiro.

Segundo Christiano, a recusa foi uma decisão estratégica. O advogado argumenta que a Dimivig mantém contratos milionários com o governo de Goiás e o Ministério Público estadual e acredita que a apresentação da chácara poderia atrasar o pagamento.

“A apresentação da fazenda [foi] apenas uma manobra para ganhar tempo e não dispor do dinheiro de maneira imediata”, afirmou. Diante disso, o trabalhador pediu à Justiça o bloqueio de valores diretamente nas contas bancárias da empresa, em vez de manter o imóvel como garantia da dívida.

A medida foi autorizada, mas o TRT-18 (Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região) estabeleceu um limite: o bloqueio não poderia ultrapassar 30% do valor da dívida por mês. A restrição busca garantir que a cobrança não comprometa o funcionamento da empresa nem o pagamento dos demais funcionários.

Em nota anterior ao g1, a defesa da Dimivig esclareceu que a chácara de R$ 2,68 milhões não foi oferecida como pagamento ao vigilante, mas exclusivamente como garantia judicial. Isso significa que o imóvel serviria para assegurar o cumprimento de uma eventual obrigação financeira, sem que a propriedade fosse necessariamente transferida ao trabalhador.

Segundo os advogados da empresa, a chácara foi posteriormente substituída por um seguro-garantia judicial, acompanhado de uma complementação de R$ 219.196,76. A defesa afirma que a nova garantia já foi aceita pela Justiça.

Também ressalta que a execução do processo é provisória e que o valor da dívida ainda está em discussão. Em junho de 2026, a Justiça homologou os cálculos da execução provisória em R$ 730.655,87, considerando os valores atualizados até 31 de maio.

De acordo com o advogado do vigilante, após a recusa da chácara, a empresa apresentou uma nova garantia judicial com acréscimo de 30% sobre o valor devido. Christiano explicou que a estratégia adotada pela defesa busca assegurar que o trabalhador tenha condições de receber o dinheiro caso a cobrança seja confirmada.

“Nossa equipe trabalha e, nesse caso, trabalhou em busca da solução que dê maior segurança e liquidez para o cliente”, declarou. Em agosto, o vigilante e a empresa participaram de uma audiência de conciliação, mas não chegaram a um acordo.

Segundo o advogado, o processo aguarda retorno do TST (Tribunal Superior do Trabalho) para que a empresa seja intimada a realizar o pagamento. Até o momento relatado, portanto, a dívida ainda não havia sido quitada, e a disputa judicial continuava em andamento.

Carolina Sott é repórter e editora no ND Mais, onde acompanha de perto os movimentos da política, segurança pública e economia no Brasil. Atuante na área desde 2020, é formada em Jornalismo pela Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense) e tem MBA em Jornalismo Digital.

Escreve matérias que revelam bastidores, contextualizam disputas de poder e mostram, de forma clara, como decisões feitas no alto escalão impactam o cotidiano dos brasileiros. Interessada pelo que move Brasília, São Paulo e outras capitais, costuma ler sobre política e assuntos relevantes para o cenário político e social.

Indicada ao prêmio Microfone de Ouro da Acaert, já passou por portal de notícias e rádio, onde produziu e apresentou conteúdos que traduzem escolhas complexas para a vida das pessoas. Cobriu as Eleições Municipais em Lages (2020) e Florianópolis (2024), além de trabalhar na cobertura das Eleições Gerais de 2022 em um portal de notícias.

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