O nosso gigante Brasil está sendo vítima de um processo implosivo por parte da extrema-direita e de seus aliados dentro e fora do país. O que se iniciou com os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas, não pode ser compreendido como um episódio isolado.
Aquele dia tornou visível uma crise democrática alimentada pela contestação do resultado eleitoral, pela retórica golpista e pela tentativa de desacreditar as instituições da República. A partir dali, o Brasil passou a enfrentar uma sucessão de acontecimentos que colocaram à prova a Constituição, a democracia e a soberania nacional.
As investigações sobre a trama golpista avançaram, e o Supremo Tribunal Federal responsabilizou os envolvidos nos atos antidemocráticos. Em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República denunciou Jair Bolsonaro e outros envolvidos por sua suposta participação em uma trama para impedir a alternância democrática de poder.
A disputa também ultrapassou as fronteiras nacionais. Eduardo Bolsonaro mudou-se para os Estados Unidos em 2025 e buscou apoio político junto a aliados do governo Donald Trump, em meio ao processo judicial contra seu pai.
Em julho daquele ano, Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, vinculando publicamente sua decisão ao julgamento de Bolsonaro e às suas críticas ao Judiciário brasileiro. A crise comercial adquiriu, assim, uma dimensão política e diplomática que atingiu diretamente a discussão sobre a autonomia das instituições nacionais.
O que está em jogo, portanto, vai além da disputa entre grupos políticos. Está em jogo o modelo de país que os brasileiros desejam construir: uma República submetida à Constituição, com eleições livres, instituições independentes, direitos sociais e políticas públicas voltadas à população.
A democracia não se resume ao direito de votar; ela também pressupõe a proteção das liberdades, a igualdade perante a lei e a preservação das conquistas sociais. Para compreender o processo de desgaste da democracia brasileira, é necessário voltar a 2018, quando o então juiz federal Sérgio Moro condenou Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex do Guarujá.
Em 5 de abril daquele ano, após o Supremo Tribunal Federal negar o habeas corpus preventivo da defesa, Moro determinou que o ex-presidente se apresentasse à Polícia Federal. Lula foi preso em 7 de abril, em Curitiba, onde permaneceu por 580 dias.
A prisão teve consequências políticas profundas. Lula ficou impedido de disputar a eleição presidencial de 2018, vencida por Jair Bolsonaro, enquanto a Operação Lava Jato ocupava o centro do debate nacional.
A controvérsia sobre a imparcialidade do magistrado se intensificou quando, após a eleição, Moro aceitou o convite de Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal confirmou, por sete votos a quatro, a decisão que reconheceu a suspeição de Moro na ação do tríplex, mantendo a anulação das decisões por ele proferidas naquele processo.
Em decisão anterior, o STF também havia anulado as condenações de Lula por questões de competência da Justiça Federal de Curitiba. São decisões distintas, mas ambas alteraram o quadro jurídico que havia sustentado a prisão do ex-presidente.
Esse capítulo é indispensável para a análise dos caminhos que levaram o Brasil à crise institucional dos anos seguintes. Ele suscita questões fundamentais sobre a imparcialidade judicial, a relação entre Justiça e política, o uso eleitoral de processos criminais e a necessidade de que o Estado respeite rigorosamente o devido processo legal.
A prisão de Lula, por si só, não explica todos os acontecimentos posteriores, nem estabelece uma linha causal automática entre a Lava Jato e o 8 de janeiro. Mas a sequência histórica ajuda a compreender como a polarização política, a desconfiança nas instituições e as disputas em torno da legitimidade do poder se aprofundaram no país.
A aproximação entre Eduardo Bolsonaro e aliados do movimento trumpista antecede sua mudança para os Estados Unidos. Essa articulação passou a incluir iniciativas de pressão internacional contra autoridades brasileiras, especialmente no contexto do processo judicial envolvendo Jair Bolsonaro.
Em março de 2025, Eduardo Bolsonaro foi morar nos Estados Unidos e se licenciou do mandato parlamentar. De lá, buscou apoio político de integrantes do governo Trump para pressionar o Brasil em meio ao processo judicial contra seu pai.
Em setembro de 2025, a Procuradoria-Geral da República o acusou de coação no curso do processo, alegando que suas ações procuravam interferir no julgamento. O episódio levanta uma questão central para a soberania brasileira: até que ponto interesses políticos nacionais podem recorrer à pressão de um governo estrangeiro para tentar influenciar decisões das instituições brasileiras?
Em julho de 2025, Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre grande parte das importações brasileiras, associando publicamente a medida à situação judicial de Jair Bolsonaro e às suas críticas ao Supremo Tribunal Federal. As tarifas entraram em vigor em agosto, com exceções para determinados produtos.
A controvérsia deixou de se restringir ao debate político interno e passou a envolver comércio exterior, relações diplomáticas e soberania nacional. A utilização de medidas econômicas em meio a uma disputa política sobre decisões judiciais brasileiras abriu um debate sobre os limites da pressão internacional e sobre a autonomia de um país para conduzir seus próprios processos constitucionais.
Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à trama golpista. O governo Trump criticou o julgamento, enquanto autoridades brasileiras defenderam a independência das instituições nacionais.
O episódio aprofundou o conflito entre a responsabilização judicial no Brasil e a pressão política exercida por Washington. A discussão sobre a responsabilização dos envolvidos nos atos antidemocráticos também chegou ao Congresso Nacional, onde propostas de anistia e de revisão de penas provocaram disputas políticas.
A democracia pressupõe que ninguém esteja acima da Constituição, mas também exige que toda pessoa tenha direito à defesa, ao contraditório e a um julgamento conduzido de acordo com a lei. Outro elemento que merece atenção é a entrevista concedida por Joice Hasselmann a Leonardo Attuch, no Brasil 247, publicada em 22 de outubro de 2026, sob o título “Joice Hasselmann declara voto em Lula e explica o motivo: ‘Bolsonaro tentou me matar’”.
Ex-líder do governo Bolsonaro no Congresso, Joice rompeu com o grupo político que ajudou a levar ao poder e passou a apresentar publicamente suas críticas ao bolsonarismo. Na entrevista, anunciou seu voto em Lula no segundo turno e relatou sua interpretação dos riscos que enxerga na continuidade daquele campo político.
O depoimento ganha relevância por vir de alguém que esteve dentro desse ambiente político e que agora apresenta publicamente suas preocupações. Sua entrevista deve ser examinada em conjunto com os acontecimentos documentados: o 8 de janeiro, as investigações da trama golpista, as iniciativas de pressão sobre instituições brasileiras e a atuação de aliados políticos no exterior.
A discussão sobre o futuro da democracia, do Estado de Direito e da soberania nacional diante de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro exige análise das propostas, declarações, alianças e precedentes verificáveis. O que está em discussão é se o Brasil continuará a preservar a Constituição de 1988, a independência de suas instituições, os direitos sociais e a autonomia de suas decisões nacionais.
A eleição do dia 25 de outubro é um divisor de águas entre a vida e a morte de um povo que sofreu e sofre ainda o impacto de um brutal colonialismo que o subjugou e ainda subjuga como vassalo eterno de uma soberania torpe, de uma elite darwinista social que exclui e desmonta a sua criatividade e a sua mobilidade social.
Não queremos ser uma multidão de escravos vitimados por uma casta de extrema-direita corrupta e libertina que deseja submeter a população a forças trevosas, imperiosas, à la Calígula. #Foragolpismobolsonarista
#Lulasalvadordasoberania #ValReiterjornalista247
#Lula13
Brasil 247