A Nissan optou por ter uma linha de produtos fabricados na América do Sul enxuta, porém, atualizada. A opção por dois modelos — Kicks e Kait — deu certo e a montadora vai encerrar 2026 com resultados acima da média da indústria.
De janeiro a setembro, registrou crescimento de 29,5% na produção da fábrica de Resende (RJ). O resultado se destaca quando comparado ao da indústria de automóveis, que avançou 11,4% no mesmo período.
Um dos principais motivos do aumento no ritmo de produção foi o avanço da venda dos produtos brasileiros nos mercados vizinhos. Até setembro, as vendas da montadora no mercado externo cresceram 145%.
A operação brasileira da Nissan, que até aqui tinha pouca presença no mercado externo, agora exporta 22% do que produz na fábrica construída no sul-fluminense há 14 anos. O bom momento da Nissan, que mantém participação pequena no mercado, com 3,21% das vendas de automóveis até setembro, coincide com a chegada de um novo presidente, Ricardo Gondo, executivo muito conhecido na comunidade automotiva no Brasil.
Formado em engenharia mecânica, o brasileiro assume o comando da marca japonesa depois de uma carreira de quase 30 anos na Renault do Brasil, da qual foi presidente até meados do ano passado. Há dois meses no novo cargo, Gondo disse que a empresa está satisfeita com o segmento de mercado no qual decidiu investir, o de SUVs compactos e médios, ainda só a combustão.
Mas revelou que há planos para reforçar presença no mercado de eletrificados, incluindo modelos 100% elétricos. A estreia nesse segmento, no entanto, será com um híbrido, o SUV X-Trail, que será importado do Japão, provavelmente a partir de 2027.
Com esse veículo, a Nissan também apresenta no Brasil a tecnologia e-power, sistema por meio do qual o carro é sempre movido por motor elétrico. O motor a combustão, a gasolina, serve como gerador de energia.
Gondo confirmou planos de desenvolver a tecnologia flex, que permite uso de etanol, em veículos com esse sistema. Na sua primeira entrevista à imprensa especializada, nesta sexta-feira (16), Gondo não forneceu nenhuma informação a respeito de eventual acordo com a chinesa Dongfeng para utilização compartilhada da estrutura fabril da Nissan no Brasil.
A Strellantis tem informado que existe a possibilidade de um entendimento nessa linha com a mesma marca. Gondo destacou, ainda, os resultados da marca japonesa no mercado interno.
De janeiro a setembro, a marca vendeu 56,5 mil automóveis. O volume é o mesmo de igual período do ano passado.
Mas a oferta de produtos diminuiu. Além de Kicks e Kait, a marca vende o sedã compacto Versa, importado do México.
Saíram de linha o sedã Sentra e a picape Frontier, cuja produção foi transferida da Argentina para o México. Gondo disse hoje que a empresa estuda retornar ao mercado de picapes.
Nissan Kicks Divulgação
Valor