CNI: Transporte é a principal dificuldade de infraestrutura no Brasil para 75% dos empresários

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Fonte da notícia: Jovem Pam Jovem Pam

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta quinta-feira (5), aponta que o transporte é apontado por três em cada quatro empresários industriais brasileiros como a principal dificuldade de infraestrutura do país. O levantamento ouviu 2,5 mil representantes de empresas de médio e grande portes nos 27 estados.

De acordo com o estudo, 75% dos entrevistados consideram o transporte o principal problema de infraestrutura no Brasil. A pesquisa também mostra uma dependência da indústria em relação às rodovias: 98% das empresas afirmaram utilizar esse meio para escoar a produção.

A dependência se estende por longas distâncias. Entre as empresas que utilizam o transporte rodoviário, 23% percorrem mais de 1,6 mil quilômetros para transportar seus produtos.

Outros 9% fazem trajetos entre 1,2 mil e 1,6 mil quilômetros, enquanto 17% percorrem entre 800 e 1,2 mil quilômetros. Para a CNI, o uso de caminhões em percursos extensos contribui para elevar os custos logísticos.

A entidade defende que o transporte rodoviário seja priorizado em trajetos curtos e médios, com integração a ferrovias, hidrovias e à cabotagem em deslocamentos mais longos. A pesquisa aponta que parte dos empresários estaria disposta a mudar o meio utilizado.

Entre os que recorrem às rodovias, 45% afirmaram que transfeririam, ao menos parcialmente, suas cargas para outros meios de transporte caso houvesse condições adequadas de infraestrutura. Desse grupo, 63% indicaram as ferrovias como alternativa.

Custos de transporte O levantamento também mostra o peso dos custos logísticos sobre a atividade industrial.

Para 75% dos empresários, as despesas com transporte são altas ou muito altas. Além disso, 91% afirmaram que os custos logísticos aumentaram nos últimos dez anos.

Para 70% dos entrevistados, a alta foi expressiva e provocou perda de competitividade. A energia elétrica também aparece entre os principais fatores de pressão sobre a indústria.

Segundo a pesquisa, 81% dos executivos consideram alta ou muito alta a conta de luz. Na avaliação da CNI, os custos elevados de transporte estão relacionados a deficiências na infraestrutura, à concentração da matriz logística no modal rodoviário e a fatores regulatórios.

A entidade afirma que esses problemas encarecem a produção e podem refletir nos preços dos produtos pagos pelos consumidores. Avaliação da infraestrutura

O estudo também perguntou aos empresários como avaliam diferentes áreas da infraestrutura brasileira. Os aeroportos receberam a maior proporção de avaliações positivas, com 64%, seguidos pelas telecomunicações (62%) e pelo fornecimento de energia elétrica (60%).

O saneamento básico teve 48% de avaliações positivas, enquanto os portos registraram 44%. Já as rodovias foram avaliadas positivamente por 38% dos entrevistados.

As hidrovias tiveram 27%, e as ferrovias, 21% — o pior resultado entre os segmentos analisados. A avaliação das ferrovias está relacionada, segundo a CNI, à existência de linhas antigas, trechos abandonados ou com baixa utilização.

A entidade estima que a malha ferroviária brasileira tenha aproximadamente 30 mil quilômetros, dos quais 12 mil estão sem operação. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que as deficiências de infraestrutura encarecem a produção e comprometem a competitividade da indústria brasileira.

Existe uma grande insatisfação dos empresários com algumas áreas da infraestrutura brasileira. O levantamento aponta problemas como rodovias em más condições, trechos ferroviários abandonados, limitações de acesso e capacidade nos portos, falhas no fornecimento de energia, dificuldades de conectividade à internet e restrições para o tratamento e a destinação de efluentes”Presidente da CNI, Ricardo Alban

“São gargalos que encarecem a produção, ampliam o Custo Brasil e comprometem a competitividade da indústria brasileira”, acrescenta Alban. O levantamento integra a publicação Panorama da Infraestrutura: Principais Demandas da Indústria Brasileira, que reúne propostas nacionais da entidade e 500 demandas locais identificadas pelas federações estaduais das indústrias.

A pesquisa foi realizada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com 2,5 mil empresas industriais de médio e grande portes nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Publicação Original Jovem Pam jovempan.com.br
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