José Reinaldo Carvalho apresenta estudo sobre a construção do PCCh em encontro na China

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O jornalista e analista político José Reinaldo Carvalho, editor internacional do Brasil 247, elaborou um estudo sobre os fundamentos teóricos e as experiências práticas da construção do Partido Comunista da China (PCCh) na Nova Era, tema de sua participação em um ciclo de debates organizado pela Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS).

O trabalho examina o papel da liderança política na modernização chinesa, os mecanismos de disciplina e combate à corrupção e o conceito de autorreforma partidária desenvolvido sob a liderança do presidente Xi Jinping. Intitulado “Teoria e prática da construção do Partido Comunista da China na Nova Era”, o estudo analisa a evolução histórica do PCCh, desde sua atuação na revolução chinesa até os desafios contemporâneos da construção do socialismo com características chinesas.

Carvalho sustenta que a capacidade de organização, renovação ideológica e planejamento estratégico do Partido constitui um dos principais fundamentos das transformações econômicas, sociais e tecnológicas alcançadas pela China. O trabalho também aborda uma questão central para o debate político contemporâneo: como uma organização partidária que exerce o poder por um longo período pode preservar sua capacidade de transformação, evitar a burocratização e manter vínculos com as necessidades da população.

Para o autor, a resposta desenvolvida pelo PCCh está associada à combinação entre formação ideológica, disciplina organizativa, fiscalização permanente, combate à corrupção e capacidade de adaptação às mudanças históricas. A construção do Partido como fundamento da modernização chinesa

Na interpretação apresentada por José Reinaldo Carvalho, o desenvolvimento da China não pode ser compreendido apenas por seus indicadores econômicos, pelo crescimento industrial ou pelos avanços tecnológicos. É necessário considerar o papel desempenhado pelo Partido Comunista como principal força de direção política do processo de transformação nacional.

O estudo relaciona a trajetória chinesa à superação das condições históricas anteriores à fundação da República Popular da China, em 1949, quando o país enfrentava as consequências de invasões estrangeiras, fragmentação territorial, pobreza e dependência econômica. Carvalho destaca que a revolução chinesa inaugurou uma nova etapa de construção nacional, marcada pela recuperação da soberania, pela criação de instituições políticas próprias e pelo estabelecimento de uma estrutura econômica independente.

Ao examinar esse processo, o autor recupera uma declaração de Xi Jinping durante as comemorações do centenário do PCCh, em 2021: “Sem o PCCh, não existiria a nova China, também não haveria a revitalização da nação chinesa.”

Segundo Carvalho, essa formulação sintetiza a concepção de que a soberania, o desenvolvimento e a modernização chinesa estão diretamente relacionados à capacidade dirigente do Partido. O jornalista também analisa a importância histórica da política de Reforma e Abertura, iniciada em 1978, após a terceira sessão plenária do 11º Comitê Central do PCCh.

Naquele momento, a direção chinesa estabeleceu a construção econômica e o desenvolvimento das forças produtivas como prioridades estratégicas, inaugurando um ciclo de transformações que alterou profundamente a posição da China na economia internacional. Para o autor, o desenvolvimento econômico, o fortalecimento do poder nacional, o progresso social e a construção socialista constituem dimensões interligadas de um mesmo processo histórico.

A Nova Era e o pensamento de Xi Jinping Uma das partes centrais do estudo é dedicada às transformações introduzidas a partir do XVIII Congresso Nacional do PCCh, realizado em 2012, e à consolidação do Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para a Nova Era.

Carvalho argumenta que esse período representa um aprofundamento da reflexão teórica sobre o exercício da liderança política e sobre as condições necessárias para assegurar a continuidade do projeto socialista chinês. O autor destaca que o PCCh não se apresenta apenas como uma estrutura administrativa ou uma organização responsável pela formulação de políticas públicas.

Na concepção política examinada no estudo, o Partido constitui o eixo de coordenação das diferentes dimensões da vida nacional, articulando planejamento econômico, desenvolvimento científico, organização social e objetivos estratégicos de longo prazo. Essa centralidade, entretanto, amplia as responsabilidades da própria organização partidária.

Quanto maior a influência do Partido sobre o funcionamento do Estado e da sociedade, maior a necessidade de preparar dirigentes, aperfeiçoar mecanismos de fiscalização e impedir que o exercício da autoridade se converta em fonte de privilégios. O estudo relaciona essa preocupação à identificação, pela direção chinesa, da principal contradição social da Nova Era: o descompasso entre as crescentes aspirações da população por uma vida melhor e a persistência de um desenvolvimento desequilibrado e insuficiente.

Na avaliação de Carvalho, essa formulação amplia o conceito de desenvolvimento para além do crescimento quantitativo da economia, incorporando questões como desigualdade, sustentabilidade ecológica, qualidade dos serviços públicos e melhoria das condições de vida. Autorreforma: como um partido governante busca renovar a si mesmo

O conceito de autorreforma ocupa posição central na análise apresentada pelo editor internacional do Brasil 247. Segundo o estudo, a autorreforma corresponde à capacidade de uma organização política de identificar suas próprias contradições, corrigir deficiências, renovar métodos de trabalho e aperfeiçoar continuamente seus mecanismos internos de funcionamento.

Carvalho observa que essa formulação se diferencia das concepções liberais de reforma política, por atribuir ao próprio Partido a responsabilidade fundamental pela preservação de sua vitalidade e pela correção dos problemas decorrentes do exercício prolongado do poder. A questão central é formulada pelo autor nos seguintes termos:

“Que partido é necessário para governar por um longo período sem perder sua capacidade de transformação e seu compromisso com o povo?” A resposta, segundo o estudo, envolve orientação ideológica, disciplina, capacidade administrativa e disposição permanente para enfrentar problemas concretos.

O jornalista argumenta que a conquista do poder político representa apenas uma etapa de um processo histórico mais amplo. A transformação social exige capacidade organizada para sustentar mudanças, enfrentar novas contradições e assegurar a continuidade de um projeto nacional.

Nesse sentido, a autorreforma não é apresentada como um objetivo isolado, mas como condição para a eficácia da liderança política e para a preservação dos vínculos entre o Partido e a população. O estudo também associa a renovação organizativa à necessidade de desenvolver permanentemente a teoria marxista, adaptando seus instrumentos de análise às condições históricas e sociais da China contemporânea.

Para Carvalho, a aplicação do marxismo à realidade chinesa pressupõe a capacidade de compreender contradições concretas e formular respostas adequadas a cada etapa do desenvolvimento. Governança integral e rigorosa como princípio de organização

Outro eixo fundamental do trabalho é o conceito de “governança integral e rigorosa do Partido”, desenvolvido e aprofundado sob a liderança de Xi Jinping. Carvalho explica que essa orientação envolve um conjunto de medidas destinadas a fortalecer a disciplina política, elevar os padrões de conduta dos dirigentes e aperfeiçoar os mecanismos institucionais de controle.

No campo ideológico, a estratégia inclui programas de formação política e campanhas educativas voltadas à preservação da identidade e dos objetivos históricos do PCCh. Essas iniciativas procuram manter entre os integrantes do Partido a consciência de sua missão original e de suas responsabilidades perante a população.

No campo organizativo, a governança rigorosa compreende o aperfeiçoamento dos regulamentos internos, a fiscalização da atuação dos quadros e a responsabilização por desvios de conduta. O autor destaca que o enfrentamento do formalismo, do burocratismo e do relaxamento da disciplina constitui parte integrante dessa estratégia.

A preocupação central é impedir que a estrutura partidária se distancie dos objetivos políticos e sociais que justificam sua atuação. Combate à corrupção deixa de ser campanha temporária

O estudo dedica atenção especial ao combate à corrupção, considerado uma das expressões mais visíveis da política de governança rigorosa desenvolvida na Nova Era. Carvalho observa que a estratégia chinesa procura transformar o enfrentamento da corrupção em uma política institucional permanente, e não apenas em uma sucessão de campanhas temporárias.

O autor recupera uma orientação apresentada no relatório do XX Congresso Nacional do PCCh, realizado em 2022: “Enquanto existirem o solo e as condições para a corrupção, a luta anticorrupção não poderá parar nem por um único momento.”

Segundo o trabalho, a política anticorrupção chinesa articula três dimensões complementares. A primeira busca estabelecer condições para que os dirigentes não ousem praticar corrupção, diante da perspectiva de investigação e punição.

A segunda procura construir mecanismos institucionais que impeçam a corrupção, por meio do fortalecimento da fiscalização, do controle administrativo e da transparência dos procedimentos. A terceira dimensão está relacionada à formação ética e ideológica, com o objetivo de desenvolver entre os quadros uma consciência política que os leve a rejeitar práticas corruptas.

O estudo ressalta que essas três dimensões são concebidas como partes de uma estratégia integrada, voltada tanto à punição de irregularidades quanto à prevenção de novos desvios. Entre os setores estratégicos mencionados estão o sistema financeiro, as empresas estatais e a área de energia, considerados especialmente relevantes para a segurança econômica e o desenvolvimento nacional.

Disciplina e combate ao burocratismo Carvalho também destaca que a construção partidária na Nova Era não se limita ao enfrentamento da corrupção financeira.

O aperfeiçoamento dos mecanismos internos de governança inclui a fiscalização de práticas administrativas, a avaliação do desempenho dos dirigentes e a crítica a comportamentos burocráticos que possam comprometer a implementação das políticas públicas. Nessa perspectiva, a disciplina partidária é apresentada como um instrumento para assegurar coerência entre as decisões estratégicas da direção política e sua execução nos diferentes níveis da administração.

O autor relaciona esse processo à necessidade de preservar a capacidade de mobilização e coordenação do Partido em uma sociedade marcada por rápidas transformações tecnológicas, econômicas e culturais. A formação dos quadros assume, portanto, uma dimensão estratégica.

Não se trata apenas de transmitir orientações políticas, mas de desenvolver capacidades de gestão, compreensão das mudanças sociais e enfrentamento de desafios cada vez mais complexos. Planejamento de longo prazo e centralidade do povo

Um dos argumentos desenvolvidos no estudo é que a capacidade de planejamento de longo prazo constitui uma característica fundamental do modelo chinês de desenvolvimento. Carvalho sustenta que a liderança do PCCh permite articular objetivos históricos com decisões econômicas e administrativas cotidianas, preservando a continuidade de projetos estratégicos.

Essa capacidade de coordenação seria especialmente importante em áreas como modernização industrial, inovação tecnológica, infraestrutura, desenvolvimento científico e transformação ecológica. O autor argumenta, entretanto, que o crescimento econômico não constitui um fim em si mesmo dentro da concepção socialista examinada.

A ampliação da riqueza nacional e o fortalecimento do poder do Estado devem, segundo essa perspectiva, contribuir para melhorar as condições de vida da população, enfrentar desigualdades e ampliar as possibilidades de desenvolvimento social. O estudo atribui à relação entre o Partido e o povo uma importância decisiva para a legitimidade e a continuidade do projeto político chinês.

A preservação dessa relação depende, na interpretação de Carvalho, da capacidade de transformar objetivos estratégicos em resultados concretos para a sociedade. O modelo chinês e as diferenças em relação ao liberalismo ocidental

Na parte conclusiva, o editor internacional do Brasil 247 examina as diferenças entre o modelo de organização política chinês e os sistemas multipartidários de matriz liberal-democrática. Segundo o estudo, o PCCh não considera a reprodução das instituições políticas ocidentais como condição necessária para a modernização do país.

Em lugar disso, a direção chinesa aposta no aperfeiçoamento de sua própria estrutura organizativa, no fortalecimento da disciplina interna e no desenvolvimento do centralismo democrático como princípios de funcionamento partidário. Carvalho interpreta essa opção como parte da busca chinesa por um caminho próprio de modernização, adaptado às condições históricas, culturais e sociais do país.

O trabalho ressalta que a construção do socialismo com características chinesas envolve a combinação entre continuidade histórica e inovação institucional. A experiência acumulada pelo Partido ao longo de mais de um século é apresentada como uma fonte de aprendizado, mas não como um conjunto de fórmulas imutáveis.

Na avaliação do autor, cada etapa do desenvolvimento socialista exige novas respostas teóricas e práticas, capazes de enfrentar contradições que se modificam com o avanço da sociedade. Rejuvenescimento nacional e desafios do século XXI

O estudo relaciona a construção partidária ao objetivo estratégico de rejuvenescimento nacional, frequentemente associado ao chamado Sonho Chinês. Essa perspectiva envolve a transformação da China em um país socialista moderno, desenvolvido e tecnologicamente avançado, com capacidade de exercer influência crescente no cenário internacional.

Carvalho destaca que o projeto chinês articula desenvolvimento econômico, soberania nacional, valorização cultural e modernização institucional. A autorreforma permanente do PCCh aparece, nesse contexto, como uma condição para preservar a capacidade de liderança diante de desafios internos e externos.

O autor conclui que a longevidade política de uma organização governante depende de sua disposição para examinar criticamente sua própria atuação, corrigir problemas e renovar seus instrumentos de direção. Na interpretação apresentada no trabalho, o futuro do socialismo com características chinesas está diretamente relacionado à capacidade do Partido Comunista da China de preservar sua identidade política e, simultaneamente, adaptar-se às exigências de uma sociedade em transformação.

Ao levar essa reflexão ao ciclo de debates da Academia Chinesa de Ciências Sociais, José Reinaldo Carvalho contribui para o intercâmbio intelectual entre Brasil e China sobre organização política, governança, desenvolvimento e os desafios contemporâneos da construção socialista. O estudo propõe, sobretudo, uma reflexão sobre a relação entre teoria e prática na condução de processos históricos de transformação nacional, tomando a experiência chinesa como objeto de análise das possibilidades de renovação de uma organização política que exerce o poder há mais de sete décadas.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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