A produção de trigo de São Paulo deve ficar abaixo de 20% das 350 mil toneladas inicialmente esperadas para a safra de 2026. As perdas foram agravadas pelas chuvas registradas em setembro, que também comprometeram a qualidade do cereal colhido.
A estimativa foi apresentada na quinta-feira (29/10), durante a reunião da Câmara Setorial do Trigo do Estado de São Paulo. Segundo o presidente da Câmara Setorial, Ruy Zanardi, a situação se agravou em relação às previsões do encontro anterior.
Além da quebra na produção, a qualidade do trigo preocupa o setor: apenas 10% a 15% do volume colhido deve ser classificado como Tipo 1. “A previsão de que a safra não seria boa, feita na última reunião da Câmara, se confirmou.
Mas, pelos relatos que ouvimos aqui, a situação se agravou e foi pior do que o esperado. A expectativa era colher cerca de 350 mil toneladas, mas não chegaremos nem a 20% desse volume”, afirmou Zanardi.
As perdas estão relacionadas ao aumento das chuvas a partir do início de setembro. Em alguns municípios paulistas, o volume de precipitação chegou a 629 milímetros ao longo do mês.
A continuidade das chuvas também mantém o risco de prejuízos nas áreas que ainda não foram colhidas. Apesar do cenário, Zanardi afirmou que a indústria moageira segue aberta à compra do trigo produzido no Estado.
O presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo), Max Piermartiri, destacou a necessidade de aproximar produtores e indústria para fortalecer a cadeia produtiva diante das dificuldades econômicas previstas para os próximos anos. “O caminho daqui para frente será difícil.
Ainda enfrentaremos desafios nesta safra de 2026/2027, em um cenário econômico que pode continuar complicado em 2027 e até 2028. Precisamos fortalecer a aproximação entre a produção agrícola e a indústria moageira”, disse Piermartiri.
Globo Rural