China aperta fiscalização sobre soja e carne do Brasil, e uma única carga com resíduo acima do limite pode ser devolvida, destruída ou levar à suspensão do exportador no mercado chinês

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A China está ampliando o rigor das inspeções sobre resíduos de agrotóxicos e medicamentos veterinários em produtos agropecuários importados, aumentando os riscos comerciais para exportadores brasileiros de soja e carne bovina. Um alerta enviado ao Ministério da Agricultura em outubro de 2026 adverte que uma única carga com substância proibida ou resíduos acima dos limites chineses pode ser devolvida, destruída ou provocar a suspensão da habilitação do estabelecimento responsável pela exportação.

As informações foram publicadas pela Globo Rural. O alerta foi elaborado pelo adido agrícola brasileiro em Pequim, Leandro Diamantino Feijó, diante do aumento de notificações e recusas de mercadorias pela fiscalização chinesa.

O objetivo é reforçar o monitoramento antes do embarque e reduzir riscos para as exportações destinadas a um dos principais compradores do agronegócio brasileiro. O documento enviado pelo adido agrícola brasileiro destaca as possíveis consequências de uma irregularidade detectada durante a fiscalização chinesa.

Segundo Feijó, a identificação de uma substância proibida ou de resíduos acima do Limite Máximo de Resíduos (LMR) estabelecido pela China pode resultar na devolução ou destruição da mercadoria. A ocorrência também pode levar à suspensão da habilitação do estabelecimento exportador.

O alerta mostra que o risco não se limita à perda comercial de uma carga específica. Dependendo da decisão das autoridades chinesas, o estabelecimento envolvido também pode enfrentar restrições para continuar exportando.

O adido agrícola Leandro Diamantino Feijó encaminhou ao Ministério da Agricultura brasileiro um documento recomendando maior controle sobre os produtos destinados ao mercado chinês. O texto foi elaborado em outubro de 2026 e considera alterações realizadas anteriormente pelas autoridades chinesas.

A recomendação surgiu em um contexto de notificações e bloqueios envolvendo diferentes fornecedores internacionais, incluindo empresas brasileiras. Uma fonte familiarizada com o assunto afirmou que o objetivo do alerta não era provocar pânico no setor agropecuário, mas estimular melhorias no monitoramento das mercadorias.

O documento brasileiro faz referência a atualizações realizadas em agosto de 2026 pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China. As mudanças envolveram a Lista de Medicamentos Veterinários Proibidos e de Uso Descontinuado e a Lista de Agrotóxicos Proibidos e de Uso Restrito.

Essas relações são relevantes para os exportadores porque determinadas substâncias autorizadas no Brasil podem apresentar restrições diferentes no mercado chinês. A existência de autorização nacional para utilizar um produto não significa, por si só, que seus resíduos serão aceitos nas mercadorias destinadas à China.

Uma das propostas de Feijó é impedir a utilização de insumos proibidos pelas autoridades chinesas nas cadeias produtivas destinadas à exportação. O adido também recomenda respeitar as dosagens e os períodos de carência dos medicamentos veterinários, de maneira que os produtos finais atendam aos limites máximos de resíduos exigidos pelo país comprador.

A proposta envolve medidas que precisam ser observadas antes do embarque das mercadorias. Segundo fontes do setor citadas na reportagem, a possibilidade de excluir esses insumos da cadeia produtiva brasileira está descartada por enquanto.

A recomendação, portanto, não representa uma nova proibição já adotada pelo governo brasileiro. O alerta também recomenda atenção especial aos produtos de origem vegetal.

Os exportadores devem verificar as listas chinesas de substâncias proibidas ou restritas e comparar os limites máximos de resíduos aplicáveis às mercadorias. O cuidado é necessário porque as exigências do país comprador podem não coincidir com aquelas estabelecidas pela regulamentação brasileira.

A recomendação busca identificar possíveis incompatibilidades antes que a carga seja enviada ao exterior. No caso da soja, essas diferenças podem comprometer operações comerciais mesmo quando determinados insumos possuem autorização de uso no Brasil.

Os registros citados pelo adido mostram uma mudança no histórico recente de recusas relacionadas a resíduos. Segundo Feijó, não houve detecções entre 2020 e 2023 nos dados apresentados.

Em 2024, entretanto, foram registrados 22 lotes, concentrados em quatro declarações de três estabelecimentos. A concentração indica que as ocorrências daquele ano envolveram um número limitado de declarações e unidades exportadoras.

Os registros representam detecções relacionadas a resíduos e não devem ser confundidos com o total de notificações sanitárias por diferentes motivos. Depois das ocorrências de 2024, os registros continuaram nos períodos seguintes.

O documento menciona 13 lotes em 2025 e outros cinco lotes no primeiro semestre de 2026. Segundo o adido, quase todas as detecções envolveram produtos de origem animal.

O histórico foi apresentado para demonstrar a necessidade de acompanhar as exigências chinesas e reforçar os controles sobre resíduos antes da exportação. O alerta chama atenção para uma diferença importante entre a presença de substâncias proibidas e a identificação de resíduos excessivos de produtos autorizados.

Segundo Feijó, aproximadamente dois terços das detecções decorreram da superação dos limites máximos de resíduos de substâncias cujo uso era permitido. O principal exemplo citado foi o fluazuron, associado a 24 lotes de carne bovina.

Isso significa que parte relevante das ocorrências não foi atribuída simplesmente à utilização de produtos proibidos, mas à presença de resíduos acima do patamar tolerado pela China. O controle da dosagem e do período de carência dos medicamentos veterinários aparece, por esse motivo, entre as recomendações do documento.

Os dados da Administração Geral de Aduanas da China (GACC) mostram um aumento mais amplo das notificações relacionadas à carne bovina brasileira. Entre janeiro e agosto de 2026, os exportadores receberam 320 notificações por diferentes tipos de inconformidade.

No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 167 comunicados. As ocorrências incluem problemas relacionados a resíduos, temperatura e rotulagem das mercadorias.

Portanto, as 320 notificações não significam que todas as cargas apresentaram resíduos de medicamentos veterinários acima dos limites permitidos. O levantamento reúne diferentes motivos de irregularidade identificados pela fiscalização chinesa.

Entre as ocorrências contabilizadas pela fiscalização chinesa até agosto de 2026, 82 violações foram registradas em Mato Grosso. O estado aparece nos dados apresentados pela Administração Geral de Aduanas da China sobre inconformidades em cargas brasileiras de carne bovina.

O número integra o conjunto das 320 notificações recebidas pelos exportadores no período. Como o levantamento considera diferentes tipos de irregularidade, não é possível atribuir todas as ocorrências de Mato Grosso exclusivamente à presença de resíduos veterinários.

O fluazuron foi destacado como uma das substâncias mais presentes nas ocorrências citadas pelo adido. Segundo Luciano Vacari, CEO da NeoAgro Consultoria, o produto veterinário se consolidou como um insumo amplamente utilizado na pecuária nacional.

O especialista afirma que sua utilização está relacionada à eficácia no controle de parasitas e ao atendimento de requisitos de segurança, sanidade e eficiência. Apesar dessas características, notificações recorrentes da China sobre resíduos de fluazuron na carne bovina brasileira passaram a preocupar o setor.

O problema apontado envolve a presença de resíduos detectados nas exportações, especialmente quando os níveis ultrapassam os limites aceitos pelo país comprador. Luciano Vacari relaciona os problemas com resíduos à ausência de um sistema de rastreabilidade individual plenamente implementado na pecuária brasileira.

Segundo o CEO da NeoAgro Consultoria, essa deficiência dificulta identificar com precisão qual animal deu origem à carne em que foi detectada determinada substância. A rastreabilidade individual permitiria acompanhar a identificação de cada animal dentro da cadeia de produção.

Na avaliação de Vacari, a falta desse mecanismo é um obstáculo para localizar a origem das irregularidades. O especialista considera que o problema compromete a capacidade de identificar com exatidão os animais envolvidos nas ocorrências relatadas pelas autoridades chinesas.

As dificuldades comerciais envolvendo resíduos e produtos não autorizados também atingiram a cadeia da soja. Em novembro de 2025, a China cancelou a importação de uma carga de 69 mil toneladas de soja brasileira.

A medida ocorreu após uma suspeita de contaminação por 10 toneladas de trigo tratado com agrotóxicos. O caso foi apresentado como uma possível contaminação, sem que a reportagem estabeleça a confirmação definitiva de todos os elementos investigados.

A ocorrência mostrou que problemas envolvendo outras mercadorias também podem afetar carregamentos de soja destinados ao mercado chinês. Após o episódio envolvendo a carga de 69 mil toneladas, a China também suspendeu as compras de soja provenientes de cinco unidades pertencentes a quatro empresas diferentes.

A medida foi relacionada à suspeita de presença de trigo tratado com agrotóxicos. O Brasil não possui autorização para exportar trigo à China, segundo as informações apresentadas.

Além disso, os agrotóxicos utilizados no produto envolvido na suspeita são proibidos no país asiático. O episódio demonstra que a fiscalização pode resultar em restrições que ultrapassam a carga inicialmente identificada, alcançando estabelecimentos exportadores.

O documento elaborado pelo adido agrícola brasileiro já havia sido objeto de discussões entre representantes do setor agropecuário e o Ministério da Agricultura. Segundo duas fontes ouvidas pela reportagem, o assunto foi debatido com a pasta.

Entre as recomendações apresentadas está o encaminhamento das informações às áreas responsáveis pelo controle sanitário e às entidades de exportadores. A intenção é ampliar o conhecimento das exigências chinesas e fortalecer os procedimentos de verificação utilizados nas cadeias de produção destinadas ao mercado externo.

As discussões não significam, entretanto, que todas as medidas sugeridas pelo adido tenham sido adotadas. A reportagem procurou órgãos públicos e representantes do setor para obter manifestações sobre o alerta.

O Ministério da Agricultura e o adido agrícola brasileiro na China não responderam aos pedidos de comentários. A embaixada chinesa no Brasil também não retornou ao contato.

O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) não se pronunciou sobre o assunto. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) preferiu não comentar, informando que não havia recebido comunicação oficial sobre o tema.

O alerta de outubro de 2026 coloca o controle de resíduos entre as preocupações das cadeias brasileiras de soja e carne bovina destinadas à China. As recomendações apresentadas pelo adido Leandro Diamantino Feijó incluem verificar os limites máximos de resíduos, observar as restrições chinesas, respeitar os períodos de carência de medicamentos veterinários e ampliar a circulação dessas informações entre autoridades sanitárias e exportadores.

Os dados mostram 320 notificações relacionadas à carne bovina brasileira até agosto de 2026, enquanto o episódio da soja em novembro de 2025 resultou no cancelamento de uma carga de 69 mil toneladas e na suspensão de compras de cinco unidades exportadoras. A retirada generalizada de insumos proibidos na China da cadeia produtiva brasileira permanece apenas como recomendação, considerada descartada por ora por fontes do setor.

O encaminhamento do alerta e as discussões com o Ministério da Agricultura também não representam confirmação de novas regras brasileiras já implementadas.

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