O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) anunciou, nesta quarta-feira, a destituição de dois altos funcionários ligados a uma investigação da agência anticorrupção sobre falsas centrais de atendimento (call centers), um caso que levou à fuga do procurador-geral do país em setembro.
O chefe do SBU, Oleksandr Poklad, "afastou de seus cargos dois altos funcionários do SBU envolvidos em uma investigação do Gabinete Nacional Anticorrupção (NABU)", informou o serviço no Telegram. Pleito: Cara ou coroa decide eleição para prefeito no Peru
Leia também: Coreia do Norte testa novo sistema de mísseis de defesa aérea Poklad afirmou confiar que o NABU conduzirá uma investigação "transparente, objetiva e imparcial", apesar da rivalidade política entre as duas agências.
As tensões se agravaram em 2025, quando o presidente Volodymyr Zelensky tentou retirar a independência do NABU. O NABU, por sua vez, afirmou que um dos altos funcionários do SBU "ameaçou usar uma arma de fogo" e "impediu os investigadores de acessar as instalações", que foram alvo de buscas na quarta-feira.
Segundo a agência anticorrupção, altos responsáveis do SBU, da Procuradoria e da polícia pagavam agentes das forças de segurança para que "fizessem vista grossa" ao funcionamento de centrais de atendimento fraudulentas, que organizavam golpes por telefone. "Graças à proteção das forças de segurança, os integrantes da organização garantiam o funcionamento desses centros, que aplicavam golpes em cidadãos ucranianos e estrangeiros, além de participarem do tráfico de entorpecentes e da produção ilegal de cigarros falsificados e moeda estrangeira falsa", detalhou o NABU.
A agência acrescentou que a organização criminosa contava com pelo menos 12 integrantes e também organizava "agressões, sequestros e ataques físicos". A revelação deste caso provocou, em setembro, a fuga para o exterior do procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, cuja administração é acusada de ter participado dessas atividades.
Ele negou ter cometido irregularidades. Segundo a Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC), o setor de centrais de atendimento fraudulentas emprega cerca de 60 mil pessoas na Ucrânia, o equivalente a dois terços do quadro de funcionários do setor bancário.
O setor pode gerar até US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,46 bilhões) em receita por mês.
O Globo