A revelação da apresentadora Márcia Goldschmidt, de 64 anos, sobre a descoberta de uma obstrução de 71% na principal artéria do coração e a necessidade de uma angioplastia de emergência acendeu um alerta sobre uma condição cardiovascular que pode colocar a vida em risco. Após receber alta hospitalar, na última terça-feira (3), Márcia contou que não apresentava sintomas aparentes e que o problema foi identificado durante uma investigação cardiológica iniciada por uma alteração no teste ergométrico.
"Milagre. Vocês acreditam? Eu acredito.
Peço desculpas por não ter falado antes, mas eu não tinha forças. Fiquei tão chocada e assustada! Foi um baque enorme, mas foi um milagre.
Estou balançada ainda, mas muito grata. Sabe quando aquelas pessoas super saudáveis estão fazendo esteira e caem dura e roxa? Eu poderia não estar aqui se não fosse um anjo que Deus enviou na minha vida", contou.
O diagnóstico divulgado pela apresentadora foi de angina instável, condição associada à redução do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco e que integra o grupo das síndromes coronarianas agudas. Mas como uma pessoa aparentemente saudável pode descobrir uma obstrução tão significativa sem ter percebido sinais de alerta? E o que significa, na prática, ter uma artéria com 71% de estreitamento?
Assista ao relato da apresentadora: Márcia Goldschmidt fala sobre internação após receber alta
Angina instável Segundo a cardiologista Fernanda Weiler, médica no Hospital Sírio-Libanês de Brasília e diretora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, o caso chama a atenção para a importância da investigação cardiovascular, especialmente diante de alterações identificadas em exames.
"A doença arterial coronariana acontece quando placas de gordura e outros componentes se acumulam nas paredes das artérias que levam sangue ao coração. Esse processo pode evoluir ao longo dos anos e nem sempre provoca sintomas perceptíveis.
Por isso, uma pessoa pode se considerar saudável e ainda apresentar alterações importantes na circulação coronariana", explica. A angina instável merece atenção especial porque pode indicar uma situação de risco cardiovascular agudo.
Diferentemente da angina estável, que costuma aparecer de maneira previsível durante esforços físicos e melhorar com o repouso, a forma instável pode surgir em repouso, apresentar piora progressiva ou ocorrer de maneira inesperada. Ela exige avaliação médica imediata, pois pode preceder um infarto.
No caso de Márcia, a investigação começou com uma alteração no teste ergométrico, exame que avalia o comportamento do coração durante o esforço físico. Na sequência, a apresentadora realizou uma angiotomografia das coronárias, que permitiu identificar o estreitamento arterial.
A partir dos resultados, foi indicada uma angioplastia, procedimento minimamente invasivo realizado para restabelecer o fluxo sanguíneo na artéria comprometida, geralmente com a utilização de um cateter e, quando necessário, um stent. Márcia Goldschmidt
Reprodução/Instagram "Uma obstrução de 71% é um achado relevante e precisa ser avaliado com atenção, mas é importante entender que o percentual de estreitamento não conta toda a história.
A localização da placa, suas características, a presença de sintomas e o contexto clínico do paciente também influenciam a decisão sobre o tratamento. Não existe um número isolado que determine automaticamente a necessidade de uma intervenção", esclarece Fernanda.
A especialista também destaca que nem sempre os sinais de um problema cardíaco correspondem à conhecida dor no peito. Falta de ar, cansaço fora do habitual, desconforto nas costas, mandíbula ou braços, náuseas e sudorese podem ser manifestações de problemas cardiovasculares.
Algumas pessoas, entretanto, podem apresentar alterações na circulação coronariana sem sintomas evidentes, o que torna a avaliação dos fatores de risco ainda mais importante. Márcia Goldschmidt
Divulgação Para Fernanda, o episódio da apresentadora reforça a necessidade de não negligenciar alterações identificadas em exames, mesmo quando a pessoa se sente bem.
"O maior aprendizado é que não devemos esperar o aparecimento de sintomas para olhar para a saúde cardiovascular. Conhecer a pressão arterial, os níveis de colesterol e glicemia, o histórico familiar e os demais fatores de risco permite identificar quem precisa de uma investigação mais aprofundada.
A prevenção não significa fazer exames indiscriminadamente, mas investigar de maneira adequada e individualizada", afirma. Médica esclarece mitos e verdades
Quem não sente dor no peito não tem doença cardíaca? MITO.
"A ausência de sintomas não exclui a possibilidade de doença arterial coronariana. Algumas alterações podem ser identificadas apenas durante uma investigação médica", diz Fernanda.
Uma obstrução de 70% significa que a pessoa terá um infarto. MITO.
"O percentual de estreitamento é um dado importante, mas não determina sozinho a ocorrência de um infarto. O risco depende de diversos fatores clínicos e das características da placa", explica a médica.
O teste ergométrico pode ajudar a identificar alterações que merecem investigação. VERDADE.
"O exame avalia a resposta cardiovascular ao esforço e pode apontar sinais sugestivos de isquemia, embora não seja capaz de identificar sozinho todas as obstruções coronarianas", destaca Fernanda. A angioplastia é uma cirurgia de peito aberto.
MITO. "Trata-se de um procedimento realizado por cateter, geralmente introduzido por uma artéria do punho ou da virilha, para tratar o estreitamento e melhorar a circulação sanguínea", explica a cardiologista.
Estresse pode influenciar a saúde cardiovascular. VERDADE.
"O estresse crônico pode contribuir para alterações na pressão arterial, no sono e em comportamentos que aumentam o risco cardiovascular. Entretanto, não é possível atribuir uma obstrução coronariana a um episódio de estresse isoladamente", afirma a especialista.
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