C&A testa jornada 5×2 em 62 lojas do país, mas presidente aponta desafio para manter operação

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Varejista já experimenta duas folgas semanais em 62 unidades, mas presidente alerta que mudança exige adaptações para evitar aumento de custos Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.

A C&A já testa a escala de trabalho 5×2 em 62 lojas do Brasil, mas a mudança trouxe um desafio para a varejista: controlar o aumento das despesas sem comprometer o atendimento aos clientes. A experiência faz parte da preparação da empresa para o fim da escala 6×1.

Durante uma teleconferência realizada nesta quinta-feira (5), o presidente da companhia, Paulo Correa Junior, explicou que a adoção de duas folgas semanais exige uma reorganização das equipes e das atividades nas unidades. “Se você fizer exatamente a mesma coisa que faz hoje, o custo aumenta”, afirmou o executivo durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre.

Para evitar esse cenário, a C&A aposta em tecnologia, planejamento das jornadas e novas modalidades de contratação. Uma das estratégias da varejista é utilizar uma ferramenta baseada em algoritmos para distribuir tarefas e organizar os horários dos funcionários conforme a demanda de cada unidade.

A empresa também estuda ampliar o trabalho intermitente, modalidade em que os profissionais são convocados conforme a necessidade, para reforçar as equipes nos períodos de maior movimento. Os domingos são um dos principais pontos de atenção, especialmente nas lojas localizadas em shopping centers, onde o fluxo de consumidores exige mais funcionários disponíveis para atendimento.

“Uma forma de contrapor esse impacto é exatamente planejar com mais detalhe”, explicou Correa. A revisão também envolve a simplificação de processos e a busca por economia em outras áreas da companhia.

Segundo o presidente, o controle das despesas precisa ser permanente. “A despesa é igual unha, tem que estar sempre cortando”, comparou.

Apesar dos testes, a C&A ainda não informou quando pretende ampliar a jornada 5×2 para outras lojas nem divulgou quanto a mudança pode representar em custos adicionais. A experiência da C&A ocorre após a aprovação do fim da escala 6×1 pelo Congresso Nacional, em outubro de 2026.

A nova regra prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana, sem redução salarial. A jornada máxima também será reduzida de 44 para 40 horas semanais, com um período de transição de 14 meses para a adaptação das empresas.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, anunciou que o decreto de regulamentação deve ser publicado na próxima segunda-feira (9). O documento deverá detalhar como os diferentes setores econômicos poderão organizar as jornadas, assegurando pelo menos oito folgas mensais aos trabalhadores.

A mudança tem amplo apoio popular. Pesquisa realizada pela Nexus, em fevereiro de 2026, mostrou que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1.

Entidades trabalhistas defendem que a redução da jornada permitirá mais tempo para a convivência familiar, o descanso e os estudos. Além das mudanças trabalhistas, a varejista enfrenta outro desafio financeiro: os possíveis efeitos da reforma tributária sobre os contratos de aluguel das lojas.

Segundo Correa, as negociações com os administradores dos shopping centers avançam, mas ainda dependem de esclarecimentos sobre as regras do novo sistema de impostos, cuja transição começa em 2027. “As conversas estão indo muito bem”, afirmou o presidente, destacando que o relacionamento de longa data com os parceiros comerciais facilita as tratativas.

Ainda assim, a falta de orientações regulatórias e operacionais gera incertezas sobre as decisões que precisarão ser tomadas. A expectativa é alcançar acordos conforme as regras sejam definidas.

A C&A não detalhou os possíveis impactos financeiros nem informou se algum contrato já foi alterado. Carolina Sott é repórter e editora no ND Mais, onde acompanha de perto os movimentos da política, segurança pública e economia no Brasil.

Atuante na área desde 2020, é formada em Jornalismo pela Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense) e tem MBA em Jornalismo Digital. Escreve matérias que revelam bastidores, contextualizam disputas de poder e mostram, de forma clara, como decisões feitas no alto escalão impactam o cotidiano dos brasileiros.

Interessada pelo que move Brasília, São Paulo e outras capitais, costuma ler sobre política e assuntos relevantes para o cenário político e social. Indicada ao prêmio Microfone de Ouro da Acaert, já passou por portal de notícias e rádio, onde produziu e apresentou conteúdos que traduzem escolhas complexas para a vida das pessoas.

Cobriu as Eleições Municipais em Lages (2020) e Florianópolis (2024), além de trabalhar na cobertura das Eleições Gerais de 2022 em um portal de notícias. Leia mais ▾

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