Quem é Pedro Alliana, vice-presidente do Paraguai que sucederá Santiago Peña após renúncia

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O vice-presidente do Paraguai Pedro Alliana (ANR), de 52 anos, assumirá a Presidência do país após a renúncia de Santiago Peña (ANR), anunciada nesta quinta-feira (5), em meio à crise bancária provocada pelo colapso do Ueno Bank. A sucessão ganhou força depois que a Câmara dos Deputados rejeitou um pedido de impeachment contra o próprio vice-presidente, afastando o principal obstáculo político à sua chegada ao comando do Executivo.

O pedido de destituição de Alliana recebeu 30 votos favoráveis e 38 contrários. O resultado assegurou sua permanência na linha sucessória e abriu caminho para que ele complete o mandato presidencial, previsto para terminar em agosto de 2028.

A renúncia de Peña ainda depende de aceitação formal pelo Congresso paraguaio. Integrante do Partido Colorado, oficialmente denominado Associação Nacional Republicana (ANR), Alliana ocupa a Vice-Presidência desde agosto de 2023, quando tomou posse ao lado de Peña.

Antes de chegar ao Executivo, construiu sua trajetória política no Legislativo, na administração regional e na direção da legenda governista. Nascido em 19 de fevereiro de 1974, na cidade de Pilar, capital do departamento de Ñeembucú, no sul do Paraguai, Pedro Hércules Alliana Rodríguez iniciou sua trajetória eleitoral disputando a prefeitura de sua cidade natal em 2006.

Dois anos depois, foi eleito governador de Ñeembucú. Em 2013, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados do Paraguai, onde permaneceu até assumir a Vice-Presidência, dez anos mais tarde.

Alliana também exerceu a presidência da Câmara dos Deputados entre 2019 e 2022, ampliando sua influência sobre as articulações do Congresso Nacional. Paralelamente à atuação parlamentar, presidiu o Partido Colorado entre 2015 e 2023.

A legenda também abriga Santiago Peña e o ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais lideranças políticas do país. Em abril de 2026, Alliana confirmou sua intenção de disputar a Presidência nas eleições de 2028.

No início de novembro, entretanto, anunciou a suspensão temporária de sua pré-candidatura diante do agravamento da crise envolvendo o Ueno Bank. Vice-presidente também foi alvo de pedido de impeachment

A chegada de Alliana à Presidência ocorre em meio às investigações e acusações relacionadas à crise financeira que derrubou Santiago Peña. Os dois integrantes do Executivo foram incluídos em pedidos de impeachment apresentados por parlamentares paraguaios.

As denúncias relacionam a atuação do governo à situação do Ueno Bank, instituição financeira submetida a um processo de liquidação pelo Banco Central do Paraguai na terça-feira (3). No caso de Alliana, os autores da acusação sustentam que o vice-presidente teria contribuído para oferecer proteção legislativa à instituição financeira, apoiado a destinação de recursos previdenciários ao banco e deixado de agir diante de alertas sobre operações de crédito envolvendo empresas ligadas aos controladores da instituição.

As alegações, entretanto, não foram suficientes para que a Câmara autorizasse a abertura do processo contra o vice-presidente. A acusação contra Peña recebeu apoio de parlamentares da oposição e de setores do próprio Partido Colorado, que retiraram a sustentação política do presidente.

Crise do Ueno Bank provocou renúncia de Peña Santiago Peña apresentou sua renúncia nesta quinta-feira enquanto a Câmara dos Deputados analisava o pedido de impeachment contra seu governo.

O presidente estava sob pressão devido à crise do Ueno Bank, instituição financeira digital com aproximadamente três milhões de clientes e que mantinha recursos de organismos públicos paraguaios. Peña foi acionista de uma empresa ligada ao grupo controlador do banco até março de 2025.

A oposição o acusa de conflito de interesses e de responsabilidade política por irregularidades relacionadas à instituição. O Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação do Ueno Bank após identificar insuficiência de recursos para o cumprimento de suas obrigações financeiras, associada a operações de crédito com empresas vinculadas à instituição.

O fechamento do banco deixou milhares de correntistas sem acesso ao dinheiro e provocou protestos no país. A crise também resultou em investigações contra executivos da instituição e ampliou a pressão sobre o governo.

A renúncia de Peña abriu o caminho constitucional para a sucessão presidencial. Pela legislação paraguaia, cabe ao vice-presidente assumir a chefia do Executivo em caso de saída definitiva do titular, completando o período restante do mandato.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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