Paraguai fecha banco, prende dono e derruba presidente em 3 dias; no Brasil, CPI do Master segue na gaveta

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Fonte da notícia: Jornal Razão Jornal Razão

O Paraguai levou três dias para fechar o banco que deixou 2,9 milhões de clientes sem acesso ao dinheiro, prender a cúpula da instituição e ver o presidente da República renunciar. Santiago Peña anunciou a saída em vídeo nesta quinta-feira (5), enquanto a Câmara dos Deputados do país discutia o impeachment dele.

O Banco Central do Paraguai fechou o Ueno Bank na madrugada de terça-feira (3), depois de constatar que o índice de solvência tinha caído para 5,56%, menos da metade do mínimo de 12% exigido. O banco, do Grupo Vázquez, emprestou dinheiro a empresas do próprio grupo, e esses empréstimos não foram pagos, segundo o BC paraguaio.

O Ueno guardava cerca de US$ 850 milhões de dinheiro público, US$ 380 milhões deles da previdência social, com depósitos de cerca de 32 mil aposentados. A resposta veio no mesmo dia.

O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que tinha presidido a financeira do Ueno antes de assumir o cargo, saiu a pedido de Peña. O dono do banco, Miguel Vázquez, se entregou à polícia.

Nesta quinta-feira, um juiz mandou Vázquez e outros cinco diretores para a prisão preventiva, e o Ministério Público paraguaio já soma 27 investigados no caso. O Congresso aprovou em tempo recorde uma lei que antecipa o seguro dos depósitos: cada cliente pode receber até 40 salários mínimos, cerca de US$ 19,8 mil, em até cinco dias úteis.

Peña, que foi sócio da holding do Ueno até 2025 e nomeou Carvallo para o Banco Central, perdeu o apoio do próprio partido, o Colorado. O presidente do partido e padrinho político de Peña, o ex-presidente Horacio Cartes, anunciou apoio ao impeachment: “No estaremos del lado del latrocinio de los fondos públicos, privados y de los jubilados” (“Não estaremos do lado do roubo dos fundos públicos, privados e dos aposentados”).

No vídeo da renúncia, Peña pediu desculpas: “Quiero pedir disculpas al pueblo si en algún momento he fallado” (“Quero pedir desculpas ao povo se em algum momento falhei”). O Congresso paraguaio ainda precisa aceitar a renúncia em sessão conjunta.

Se aceitar, o impeachment é arquivado e o vice-presidente, Pedro Alliana, assume até agosto de 2028. Dez dias antes da renúncia, em 25 de outubro, Peña foi o primeiro presidente das Américas a parabenizar Lula pela reeleição, antes mesmo do resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral.

“Saúdo o povo brasileiro por esta grande jornada democrática”, escreveu o paraguaio na ocasião. O Banco Central brasileiro liquidou o Banco Master, de Daniel Vorcaro, em 18 de novembro de 2025, há 352 dias.

O caso obrigou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a cobrir quase R$ 52 bilhões, somando o Will Bank e o Banco Pleno, o maior valor da história do fundo. Dezoito regimes de previdência de estados e municípios tinham R$ 1,87 bilhão aplicado em letras do Master, que não têm a garantia do FGC.

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em novembro de 2025, foi solto no fim daquele mês com tornozeleira e voltou à cadeia em 4 de março de 2026, por ordem do ministro André Mendonça, do STF. Ele segue preso na Papudinha, em Brasília.

A PF só indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas, entre elas o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, em 28 de outubro, num relatório parcial. Nesta semana, o presidente do STF, Edson Fachin, deu 15 dias para a Procuradoria-Geral da República dizer o que fará com o indiciamento.

No Congresso, o pedido de CPI do Master foi protocolado na Câmara em 2 de fevereiro pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e reúne cerca de 200 assinaturas, mais que as 171 necessárias. Nove meses depois, a comissão não foi instalada.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), diz que há uma fila de CPIs à frente. No Paraguai, a Câmara abriu o impeachment do presidente dois dias depois de o banco fechar.

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