Com taxa de 9,49% ao ano acima da inflação, país lidera levantamento internacional após Copom manter Selic em 13,75%; juros elevados encarecem empréstimos, financiamentos e compras parceladas Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
O Brasil tem hoje a maior taxa de juros reais do mundo, segundo levantamento da MoneYou em parceria com a Lev Intelligence, divulgado na última quarta-feira (4). O país aparece em primeiro lugar entre 40 economias analisadas, com juros reais de 9,49% ao ano, à frente da Turquia, que registra 7,77%, e da Argentina, com 6,80%.
O resultado foi divulgado após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidir manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano. A decisão interrompeu uma sequência de cinco cortes consecutivos promovidos pela autoridade monetária ao longo dos últimos meses.
Mas o que significa ter a maior taxa de juros reais do mundo? Na prática, significa que o Brasil oferece uma das maiores remunerações financeiras quando se desconta a inflação esperada. O indicador também ajuda a medir o custo do dinheiro na economia e a intensidade da política adotada pelo Banco Central para controlar a alta dos preços.
Para chegar ao juro real, o levantamento considera as taxas de juros projetadas para os próximos 12 meses e desconta a inflação esperada no mesmo período. No Brasil, a inflação projetada utilizada no cálculo foi de 4,99%.
É importante diferenciar esse indicador da Selic. A taxa básica de juros é uma referência para o custo do dinheiro no país e influencia os juros cobrados pelos bancos em empréstimos e financiamentos, além da remuneração de aplicações financeiras.
Já o juro real mostra quanto essa taxa representa acima da inflação. A liderança brasileira também não significa que o país tenha a maior taxa nominal do planeta.
Nesse outro critério, que considera os juros sem descontar a inflação, o Brasil ocupa a quarta posição, com 13,75% ao ano. Turquia, Argentina e Rússia aparecem à frente.
Depois do Brasil, que registra 9,49%, aparecem Turquia (7,77%), Argentina (6,80%), Rússia (6,57%) e Colômbia (4,05%). Na sequência estão Indonésia (3,67%), México (3,26%), África do Sul (2,93%), Hungria (2,04%) e Chile (1,69%).
O grupo dos 20 primeiros colocados inclui ainda Israel, com 1,47%; República Tcheca, com 1,24%; Coreia do Sul, com 0,97%; Polônia, com 0,92%; Hong Kong, com 0,78%; França, com 0,63%; Malásia, com 0,62%; Bélgica e Itália, ambas com 0,50%; e Dinamarca, com 0,49%. O levantamento considera 40 economias e mostra diferenças expressivas entre os países.
Enquanto o Brasil registra uma taxa real de 9,49%, algumas economias apresentam juros reais próximos de zero ou negativos, situação em que a remuneração dos juros fica abaixo da inflação projetada. Embora o ranking dos juros seja uma comparação internacional, seus efeitos podem ser percebidos no cotidiano de quem precisa de crédito.
Quando os juros permanecem elevados, fica mais caro pegar dinheiro emprestado, financiar um carro ou imóvel, contratar crédito pessoal e parcelar compras com juros. Isso acontece porque a Selic serve de referência para as taxas praticadas no mercado financeiro.
Quando o Banco Central mantém os juros em patamar elevado, os bancos tendem a cobrar mais caro pelo dinheiro emprestado, embora o repasse varie conforme a modalidade de crédito, o prazo e o perfil do cliente. Na prática, quem precisa recorrer ao cheque especial, ao crédito pessoal ou ao rotativo do cartão de crédito pode encontrar custos ainda maiores.
As dívidas também podem crescer mais rapidamente quando o consumidor não consegue pagar o valor integral das faturas ou cumprir as parcelas contratadas. Os efeitos da taxa de juros chegam também às empresas.
Com o crédito mais caro, fica mais difícil financiar estoques, ampliar negócios e investir em novos projetos. Parte desse custo pode chegar ao consumidor por meio dos preços, enquanto a redução do consumo e dos investimentos pode desacelerar a atividade econômica e afetar a geração de empregos.
Por outro lado, os juros elevados podem beneficiar quem tem dinheiro aplicado em investimentos de renda fixa atrelados às taxas de juros. Nesse caso, a remuneração tende a ser maior, embora o resultado dependa do tipo de aplicação, dos impostos e da inflação.
A manutenção de juros altos é uma das estratégias utilizadas pelo Banco Central para conter a inflação no Brasil. Com o crédito mais caro, famílias e empresas tendem a reduzir o consumo e os investimentos.
A diminuição da demanda ajuda a aliviar a pressão sobre os preços, embora os efeitos da política monetária não sejam imediatos. A decisão de manter a Selic em 13,75% ao ano foi unânime entre os integrantes do Copom.
O comitê interrompeu o ciclo de cinco reduções consecutivas da taxa básica e adotou uma postura de cautela diante das incertezas econômicas. No comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central destacou a elevação das expectativas de inflação, o aumento das incertezas no cenário econômico e a desaceleração mais acentuada da atividade doméstica como justificativa para manter a taxa de juros em alta.
As projeções do mercado para a inflação, apuradas pelo boletim Focus, também permaneceram acima da meta de 3% perseguida pelo Banco Central. As estimativas para 2026 e 2027 estavam em 5,2% e 4,8%, respectivamente.
O Copom afirmou que continuará acompanhando a evolução dos indicadores econômicos para manter a política monetária em nível restritivo pelo tempo necessário à convergência da inflação para a meta. Tatiana Azevedo é repórter do ND Mais em Brasília e, como parte do Núcleo Nacional, cobre o cenário político da capital federal.
Acompanha de perto as principais pautas do Congresso Nacional, Executivo e Judiciário, com foco em decisões que impactam diretamente o país. Escreve matérias sobre os desdobramentos mais relevantes da política brasileira, traduzindo temas complexos de forma clara e precisa, em reportagens que conectam fatos, contexto e implicações à vida dos brasileiros.
Também segue novidades envolvendo deputados federais, senadores, a presidência da República e outras figuras públicas. Jornalista formada em Comunicação Social com ênfase em Audiovisual pela UniverCidade, no Rio de Janeiro, tem ampla experiência em rádio, televisão e jornalismo digital, incluindo passagens por emissoras públicas e privadas.
Atuou em assessoria de imprensa no setor público e em grandes instituições, o que lhe proporcionou visão aprofundada sobre processos legislativos, políticas públicas e bastidores de Brasília. Com vasta trajetória política, cobriu as Eleições 2002 pela Rádio Câmara e atuou no núcleo de rádio do TSE e na Rádio Justiça em 2010, além de anos de cobertura pela Rádio e TV Câmara.
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