A dificuldade de sair de casa para uma consulta, a necessidade de ajuda nas tarefas diárias e a falta de uma rede de apoio estão entre os desafios enfrentados por milhares de pessoas idosas e suas famílias. Para ampliar a assistência a esse público, o Sistema Único de Saúde (SUS) conta com uma nova estratégia federal de atendimento domiciliar e uma proposta que busca fortalecer o acompanhamento cotidiano de quem precisa de cuidados.
De um lado, o Governo Federal colocou em andamento o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil), que leva equipes multiprofissionais às casas de pessoas com limitações funcionais. De outro, o Programa Acompanhante da Pessoa Idosa (PAI), já desenvolvido em alguns municípios do país, pode ganhar alcance nacional por meio de projeto de lei da deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP).
As iniciativas conversam diretamente com uma das prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o seu quarto mandato: a criação de políticas públicas efetivas para o cuidado com a população idosa. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que este é o momento ideal de reorganização do SUS para melhor atender essa população.
Um post compartilhado por Alexandre Padilha (@padilhando) Instituído pela Portaria GM/MS nº 9.584, de dezembro de 2025, e lançado em junho de 2026, o Padi Brasil representa uma estratégia nacional de cofinanciamento federal voltada à estruturação do atendimento domiciliar para pessoas idosas na Atenção Primária à Saúde (APS).
A iniciativa é destinada a pessoas com 60 anos ou mais que estão restritas ao domicílio e apresentam condições crônicas estáveis, comprometimento funcional ou cognitivo e necessidade de acompanhamento regular. O atendimento é realizado por equipes Multiprofissionais (eMulti), em articulação com as equipes de Saúde da Família, e inclui avaliação das condições de saúde, elaboração de planos individuais de cuidado e orientação aos familiares e cuidadores.
Para ampliar a oferta, o Ministério da Saúde prevê cerca de R$500 milhões em recursos federais até 2027. Os municípios podem solicitar novas equipes ou ampliar as já existentes, com aumento da carga horária e contratação de profissionais de diferentes áreas, como médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos e terapeutas ocupacionais.
A adesão ao programa já mobiliza os municípios brasileiros. De acordo com atualização do Ministério da Saúde, 2.733 cidades já solicitaram participação no Padi Brasil, envolvendo 3.677 equipes eMulti, entre novas implantações e ampliações.
Cada equipe pode receber um incentivo adicional mensal de até R$10 mil, conforme sua modalidade. O cuidado com a pessoa idosa vai além do atendimento médico e envolve também o apoio nas atividades cotidianas, a convivência e a preservação da autonomia.
Para quem enfrenta dificuldades de locomoção, dependência funcional ou não conta com uma rede de apoio, ter alguém que acompanhe consultas, auxilie nas tarefas diárias e facilite o acesso aos serviços públicos pode fazer diferença na qualidade de vida. É nesse contexto que se insere o Programa Acompanhante de Idosos (PAI).
A iniciativa já conta com experiências na rede pública de saúde, como a desenvolvida em São Paulo. O trabalho reúne profissionais de saúde e acompanhantes de idosos, que oferecem apoio nas atividades da vida diária, acompanham os usuários em consultas e ajudam a ampliar o acesso aos serviços públicos.
A ampliação desse modelo para todo o país é o objetivo do Projeto de Lei 2.168/2025. De autoria da deputada federal reeleita Juliana Cardoso (PT-SP), a iniciativa busca garantir acompanhamento a pessoas idosas em situação de vulnerabilidade e dependência funcional, ampliando o acesso ao cuidado domiciliar e o suporte às famílias.
Entre as ações previstas estão o auxílio nas atividades cotidianas, o acompanhamento em consultas e serviços de saúde, o combate ao isolamento social e o apoio aos familiares e cuidadores. A proposta também busca promover a autonomia e a independência das pessoas idosas, articulando a assistência à saúde com a rede de proteção social.
O projeto já foi aprovado pelas Comissões de Saúde e de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados. Em agosto de 2026, foi encaminhado à Comissão de Finanças e Tributação, onde aguardava designação de relator.
Depois, ainda deverá passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
PT