O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (5/11) que é preciso ter “seriedade” e responsabilidade fiscal para atrair investimentos para o Brasil. A declaração ocorre após ruídos sobre o rumo da política fiscal do país.
“Se a gente quiser atrair capital, temos que ter seriedade. Ninguém vai colocar dinheiro aqui por causa dos belos cabelos do Lula e do [Geraldo] Alckmin […] as pessoas vão colocar dinheiro aqui se elas perceberem que o investimento delas vai criar o benefício para os objetivos dela e, ao mesmo tempo, gerar retorno financeiro para os seus investimentos”, afirmou o presidente durante a reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos.
➡️ Brasil precisa ter responsabilidade fiscal para atrair investidor, diz Lula pic.twitter.com/VVtbxEBcjS Durante o discurso, o petista disse ainda que o país precisa ter uma “economia arrumada” para conquistar investidores.
Trata-se de um ajuste de tom em relação à postura que o petista adotou ao longo do mandato e na campanha eleitoral. Por vezes, o petista fez duras críticas ao mercado financeiro diante da cobrança por um ajuste fiscal.
O presidente defende equilibrar a responsabilidade fiscal com gastos no social. “É por isso que temos que ter responsabilidade jurídica, é por isso que nós temos que ter responsabilidade fiscal, é por isso que a gente não pode brincar de fazer parcerias, de fazer o projeto que nós estamos fazendo”, declarou o petista.
“Para a gente atrair, a gente vai ter que ter uma economia arrumada. Ninguém vai querer vir fazer investimento numa economia totalmente desordenada.
As pessoas querem saber se nós estamos falando sério”, frisou. Mais cedo, o petista se reuniu com ministros e economistas para debater saídas para melhorar as contas públicas.
Segundo o titular da Fazenda, Dario Durigan, na ocasião não foram discutidas medidas específicas. Ele deve ouvir opiniões técnicas antes de apresentar propostas ao presidente.
Após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, aumentou a pressão sobre o governo por medidas para equilibrar as contas públicas. Desde o último dia 25, a bolsa de valores perdeu mais de 30 mil pontos.
O dólar, que estava abaixo de R$ 5, disparou e valia R$ 5,49 na tarde desta quinta. Na quarta, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75%, interrompendo o ciclo de cortes.
O colegiado sinaliza a política fiscal do governo como um fator para a decisão. “O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, diz trecho do comunicado do Copom.
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