‘Brasil mostra a tua cara’: País decide seu próximo presidente neste domingo

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Fonte da notícia: Tribuna de Minas Tribuna de Minas

Ao longo do período de campanha, Lula e Flávio Bolsonaro passaram por Juiz de Fora (Fotos: Felipe Couri e Leonardo Costa) Ao fim da noite deste domingo (25), o Brasil terá escolhido seu próximo presidente da República.

O eleito terá mandato de quatro anos e governará com um Congresso formado por 513 deputados federais e 81 senadores. A disputa está entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca o quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No primeiro turno das Eleições 2026, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%.

Na reta final do segundo turno, as pesquisas apontam uma disputa equilibrada. O Datafolha divulgado na última quinta-feira (22), a três dias da votação, chegou a mostrar empate numérico no cenário de votos válidos, que exclui brancos e nulos: 50% para cada candidato.

Direita amplia espaço no Congresso De acordo com o balanço do pesquisador e professor Luiz Ademir de Oliveira, o primeiro turno teve uma disputa altamente polarizada entre a direita e a centro-esquerda, marcada pelo embate entre bolsonarismo e lulismo, mas com crescimento do bolsonarismo e redução do poder do Centrão, grupo formado por partidos de centro e centro-direita que costuma negociar apoio aos governos em troca de espaço político e participação nas decisões.

Ao analisar os dados da Câmara dos Deputados, que possui 513 cadeiras, o docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (PPGCOM/UFJF) e do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) observa que o PL se tornou a maior bancada, com 121 eleitos, frente aos 88 da federação PT/PCdoB/PV.

Na classificação apresentada pelo pesquisador,  o Centrão continua sendo o grupo majoritário, apesar de uma pequena queda, de 204 para 200 parlamentares, liderados por União Brasil, PSD e PP. Ao mesmo tempo, a extrema-direita e a direita bolsonarista cresceram significativamente, somando 178 deputados entre PL, Republicanos, Novo, PRD e nomes alinhados de outros partidos.

A esquerda, conforme a análise, manteve seu patamar, com 124 assentos somando todas as legendas, enquanto o PSDB, outrora um dos maiores partidos do país, ficou com 11 parlamentares. Campanha de Flávio Bolsonaro, em setembro, promoveu encontro com apoiadores no Calçadão da Rua Halfeld, local onde o pai do candidato, em 2018, foi vítima de uma facada (Foto: Leonardo Costa)

No Senado, conforme apontado por Luiz Ademir, o avanço da direita bolsonarista foi ainda mais acentuado. O grupo elegeu 19 nomes e hoje ocupa 28 das 81 cadeiras, cerca de um terço da Casa, chegando a 36 ao contabilizar aliados diretos do Republicanos e do Novo.

Já o Centrão perdeu espaço, caindo de 37 para 27 senadores. Por fim, a esquerda ficou em posição minoritária no Senado, com 16 representantes, enquanto o centro manteve presença menor, com duas cadeiras.

O pesquisador aponta que o segundo turno ocorre em meio a uma disputa altamente polarizada, mas com crescimento da mobilização da esquerda, tanto nas ruas quanto nas mídias sociais. “Para a esquerda, é uma novidade, pois esses movimentos têm sido muito articulados por movimentos sociais e estudantis.

Nas últimas eleições tivemos pouca mobilização de rua. O que mostra que vamos sair dessa eleição com um país dividido, com movimentos sociais mais fortalecidos e uma direita bolsonarista também mais fortalecida”, observa.

Ato de Lula, em Juiz de Fora, levou milhares de apoiadores à Avenida Getúlio Vargas (Foto: Felipe Couri) Doutor em Ciência Política e docente da Faculdade de Comunicação da UFJF, Paulo Roberto Figueira Leal avalia o grande número de governadores eleitos em primeiro turno como uma das principais novidades da eleição de 2026.

Segundo o levantamento feito, o número de vitórias já na etapa inicial vinha aumentando e chegou a 20 governadores eleitos em primeiro turno neste ano, número acima da média histórica e o maior desde a redemocratização. “Se houver mais desmobilização em alguma região ou em outra, pode ser decisivo para a disputa da eleição presidencial”, comenta.

Em Minas Gerais, por exemplo, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito em primeiro turno após receber 55,40% dos votos no último dia 4. Sobre a nova composição do Congresso Nacional, Paulo Roberto considera que houve uma vitória da extrema-direita, sobretudo do Partido Liberal (PL).

Entretanto, essa vitória, como aponta, não se deu necessariamente sobre os votos da esquerda. O Partido dos Trabalhadores (PT), por exemplo, manteve o número de senadores na Casa.

“O crescimento do PL se deu na direita tradicional. Portanto, o que está havendo é um avanço da extrema-direita tomando espaço da direita tradicional, que passa a ser menor do que era na eleição passada.

E, do ponto de vista da eleição presidencial, trata-se de uma eleição muito indefinida, com a surpresa de Flávio terminar o primeiro turno na frente, contra as indicações da maior parte das pesquisas. O segundo turno é muito disputado e, segundo todas as pesquisas neste momento, também se encontra em situação de empate técnico.

Portanto, a atual campanha, assim como a passada, de 2022, é uma eleição que provavelmente será definida em uma quantidade pequena de votos”, avalia o pesquisador vinculado a UFJF. Na avaliação de Paulo Roberto, o Congresso já tinha perfil conservador, característica que será ampliada na próxima legislatura.

“No cenário de reeleição do Lula, ele terá mais dificuldades para formar maioria. Já em um eventual governo de Flávio, há maior possibilidade de implementação da sua agenda”, afirma.

Por isso, o docente ressalta que a leitura do cenário político ainda depende do resultado da eleição presidencial. Quanto ao Senado Federal, ele avalia que, tendo o PL como centro, formou-se um cenário de enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“Com Lula, eventualmente o governo terá instrumentos para tentar reaglutinar partes do Centrão em seu apoio. Com (Flávio) Bolsonaro, a força gravitacional tende a atrair esses partidos da direita tradicional e o Centrão para seu apoio.

Inclusive, há a possibilidade de formar uma maioria para aprovar o impeachment de um ministro do Supremo”, comenta. Já a cientista política e também professora da UFJF Marta Rocha considera que a Corte passa pela “maior crise de legitimidade de sua história”.

Para ela, não há surpresa diante de uma situação que já vinha sendo apontada por estudiosos devido a conflitos de interesses. “Uma instituição aristocrática que não combina com o regime democrático, pois os ministros não são eleitos, mas indicados, e é composta em sua maioria por homens”, pondera.

A professora argumenta que o Conselho Nacional de Justiça deveria exercer o controle da magistratura, porém se tornou um órgão insuficiente para essa função. “O Supremo Tribunal Federal não está sujeito a controles e é muito resistente a essa ideia.

Basta ver a reação dos ministros à proposta do Edson Fachin de instituição de um código de ética que estabelecesse questões óbvias em relação à conduta”, pontua. Para Marta, os problemas atuais da Corte colocam a eleição presidencial em uma situação complicada.

Ela também considera que, após a proibição das bets, houve um abafamento do escândalo envolvendo o STF no debate público. “Quanto mais se falava em STF, mais o governo sangrava.

Algo que tem muito a ver com a cobertura da mídia. Então, depois da proibição, mudou o assunto e a agenda”, defende.

A jornalista e doutora em Comunicação Najla Passos aponta que o debate público do primeiro turno foi marcado pelo peso dado às denúncias de corrupção, especialmente às relações do ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, com grupos ligados às duas candidaturas. Na avaliação dela, esse enfoque reduziu o espaço para outras discussões, relacionadas a questões de classe, gênero, raça e território.

A pesquisadora também destaca como novidade a pressão sobre empresas de tecnologia, como Meta e Google, diante de questionamentos sobre a isonomia na circulação de informações e o funcionamento dos algoritmos durante a campanha. Especialistas avaliam debate entre os candidatos

Marta Rocha considera lamentável o debate realizado pela Band entre os candidatos à Presidência na noite de 18 de outubro. Conforme argumentado, o debate eleitoral tem como uma de suas finalidades a apresentação de propostas e pode auxiliar na escolha dos eleitores que ainda estão indecisos.

No entanto, o formato adotado pela emissora, segundo avaliação da professora, gerou assimetrias entre os candidatos e deu espaço a acusações mútuas em detrimento das propostas dos respectivos planos de governo, além da disseminação de informações falsas posteriormente identificadas por agências de checagem.

“Um elemento que talvez seja digno de destaque é a baixa explicitação de compromissos por parte, por exemplo, da candidatura Flávio Bolsonaro na economia. Debates como o da Bandeirantes não serviram para isso, pelo contrário”, complementa Paulo Roberto.

Assim como Marta, o professor considera o debate profundamente esvaziado de discussões políticas e da explicitação de programas de governo, o que, em sua avaliação, compromete a decisão racional dos eleitores. Para ele, o cenário sugere que muitos estão se guiando mais por rejeições afetivas do que propriamente por um cálculo racional sobre as propostas de governo.

Composição do Congresso entra no debate sobre direitos Diante de um Congresso mais conservador, Marta avalia que pautas relacionadas a grupos minorizados podem perder espaço na próxima legislatura.

Segundo ela, esse cenário também pode representar riscos a direitos de mulheres, pessoas negras, indígenas e LGBTQIAP+. No entanto, a professora estima que, se Lula vencer, parte da direita eleita pode abandonar o campo bolsonarista e se aproximar do governo em busca de recursos do Executivo.

Luiz Ademir de Oliveira também aponta que, com uma composição conservadora, será possível aprovar emendas à Constituição que possam significar retrocessos nos direitos de grupos minorizados. “Assim como os direitos da classe trabalhadora.

Tivemos o fim da escala 6×1, que pode ser revisto por Flávio Bolsonaro, e ainda rever outras questões trabalhistas”, exemplifica. Najla Passos também avalia que pautas relacionadas aos direitos de grupos minorizados devem permanecer como um dos pontos de divergência no próximo governo, citando como exemplo a política de demarcação de terras indígenas.

Paulo Roberto também acredita que, na próxima legislatura, diante da nova composição do Congresso, será improvável que pautas progressistas tenham avanços significativos. “É muito distinto um Poder Executivo progressista com um Congresso conservador e um Poder Executivo da extrema-direita com o Congresso em que essa força cresceu.

A peça do tabuleiro que falta para vermos as possibilidades maiores e menores das agendas depende do resultado da eleição presidencial”, finaliza. LEIA MAIS notícias sobre Política aqui

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