O Bradesco (BBDC4) inaugurou a temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 (3T26) dos bancões encerrando o período com lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões, alta de cerca de 15% na comparação anual e resultado praticamente em linha com as expectativas do mercado. Apesar do número robusto, analistas destacam que a composição do resultado foi menos favorável do que aparenta, marcada pela deterioração da qualidade da carteira de crédito, compressão dos spreads e enfraquecimento dos resultados do braço de seguros.
Com isso, por volta das 10h30 (horário de Brasília), as ações caíam cerca de 2% na manhã desta sexta-feira (23). O banco ainda encerrou o décimo primeiro trimestre consecutivo de crescimento do lucro recorrente, ainda que no menor ritmo da sequência, com avanço trimestral de 0,8%; O retorno sobre o patrimônio (ROE) ficou em 15,6%, ou 16,1% ao se desconsiderar o aumento de capital de R$ 10 bilhões realizado no trimestre.
O banco também manteve seu guidance para 2026.Na visão do Itaú BBA, o resultado veio em linha, mas com uma “composição negativa” que deve pressionar as estimativas para 2027. Os analistas apontam que o crescimento das receitas foi modesto, enquanto a deterioração da carteira elevou as despesas com provisões.
O banco manteve recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 22 para o fim de 2027.Já a XP classificou o trimestre como misto. Embora o controle de custos tenha continuado avançando e ajudado a sustentar os lucros, a corretora avalia que os custos de crédito continuam consumindo boa parte do crescimento das receitas, limitando uma expansão mais significativa da rentabilidade.
A recomendação permaneceu neutra.Qualidade dos ativos segue no centro das atençõesO principal ponto de preocupação dos analistas foi a evolução da inadimplência. O índice de empréstimos com atraso superior a 90 dias (NPL) subiu para 4,6%, avanço de 30 pontos-base frente ao segundo trimestre.
A deterioração foi mais evidente nos segmentos de pequenas e médias empresas e de pessoas físicas, enquanto o índice de cobertura caiu para 143%, ante 152% três meses antes.
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