Ataque à Binance: Michael Saylor alerta que IA pode tornar hackers mais perigosos

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Fonte da notícia: Valor Valor

O avanço da inteligência artificial (IA) está tornando ataques cibernéticos mais sofisticados e ampliando os riscos para corretoras de criptomoedas, bancos digitais e outros serviços financeiros, segundo Michael Saylor, presidente executivo da Strategy, maior detentora corporativa de bitcoin do mundo.

A avaliação foi feita durante o OranjeBTC Summit, realizado em São Paulo, em uma conversa por vídeoconferência em que foi citado o ataque hacker à Binance, ocorrido no fim de outubro. “Um hacker que tenha os modelos mais avançados ao seu alcance se torna um hacker muito competente”, afirmou Saylor.

Segundo ele, os sistemas mais vulneráveis são aqueles que combinam estruturas complexas de software com a movimentação de recursos financeiros. “A coisa mais vulnerável do mundo será um software complicado, mal construído, que movimenta dinheiro”, disse.

A discussão ocorre após dois ataques recentes a corretoras de criptomoedas. Em 29 de outubro, a Binance sofreu um incidente que afetou aproximadamente US$ 6,34 bilhões em ativos digitais.

Quatro dias depois, o Mercado Bitcoin também identificou um ataque, que atingiu suas carteiras quentes. As duas empresas informaram que os prejuízos dos clientes seriam cobertos com recursos próprios.

Para Saylor, as instituições financeiras precisam utilizar a própria inteligência artificial para identificar vulnerabilidades antes que elas sejam exploradas por criminosos. O executivo recomendou que bancos, corretoras e provedores de carteiras digitais empreguem continuamente os modelos mais avançados, incluindo os desenvolvidos pela OpenAI e pela Anthropic, para realizar testes de invasão e corrigir falhas de segurança.

“Vocês estão utilizando os modelos de inteligência artificial mais avançados para testar, proteger e reforçar a segurança do seu software?”, disse, referindo-se a perguntas que clientes deveriam fazer ao escolher uma instituição financeira. Saylor também defendeu a adoção de autenticação multifator e dispositivos físicos de segurança, como chaves de autenticação, em substituição a mecanismos baseados apenas em perguntas pessoais.

Apesar do alerta, o executivo fez uma distinção entre os riscos das plataformas que operam com ativos digitais e a segurança da própria blockchain. Na avaliação dele, a decisão de manter o protocolo relativamente simples, sem incorporar funcionalidades mais complexas, como contratos inteligentes, tornou a rede mais resistente a ataques.

“O que é arriscado é quando alguém cria um software extremamente complicado sobre ativos digitais ou sobre qualquer outro ativo”, afirmou. Segundo Saylor, a rede (blockchain) Bitcoin é mais resistente a ataques porque utiliza mecanismos de segurança baseados em criptografia e poder computacional, sem depender de programas complexos para funcionar.

Já corretoras e outros serviços que permitem armazenar e movimentar criptomoedas utilizam softwares próprios, que podem apresentar falhas exploradas por hackers. “A verdadeira ameaça é um hacker altamente focado, utilizando inteligência artificial contra um software novo, que não foi adequadamente testado nem protegido e que alguém colocou em produção rápido demais”, afirmou.

O fundador da Strategy, Michael Saylor Ronda Churchill/Bloomberg

Publicação Original Valor valor.globo.com
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