Trump prevê acordo "muito grande" com Rússia enquanto sua esposa pede trégua "duradoura" na Ucrânia

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Fonte da notícia: Folha de Pernambuco Folha de Pernambuco

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previu nesta quinta-feira (5) um acordo "muito grande" com a Rússia, que abrangeria "toda a Europa", para além da guerra na Ucrânia. A declaração foi feita depois que sua esposa, Melania Trump, defendeu um cessar-fogo "mais duradouro" em território ucraniano.

A primeira-dama americana recebeu na Casa Branca representantes de Kiev e de Moscou, em uma tentativa de impulsionar uma nova trégua após o cessar-fogo de seis dias encerrado no domingo na cidade ucraniana de Oleshky, ocupada pelas forças russas e afetada pela fome. Donald Trump, por sua vez, antecipou o que chamou de um "grande acordo" com a Rússia, que abrangeria questões para além da guerra na Ucrânia.

"Será algo muito grande. Envolverá mais do que a Ucrânia e eu poderia até dizer que poderá envolver toda a Europa", afirmou o presidente americano a jornalistas.

"Será um acordo grande e maravilhoso, e todos ficarão encantados", acrescentou, esclarecendo que não conversou com as autoridades ucranianas que também estavam na Casa Branca nesta quinta-feira. Os comentários do republicano podem alimentar os temores na Europa de que ele esteja se aproximando do Kremlin e venha a pressionar a Ucrânia a aceitar um acordo desfavorável para pôr fim à invasão russa.

"Agora precisamos ter a mesma coragem que demonstramos em Oleshky para encontrar pontos em comum por meio da preocupação compartilhada com o sofrimento de pessoas inocentes", declarou, por sua vez, a primeira-dama aos jornalistas. "Juntos, podemos criar algo mais duradouro do que um cessar-fogo temporário", enfatizou.

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A primeira-dama, nascida na Eslovênia, afirmou que havia entregado aos representantes de Moscou e de Kiev cartas pessoais dirigidas ao presidente russo, Vladimir Putin, e a seu par ucraniano, Volodimir Zelensky. Ela também pediu que o cessar-fogo em Oleshky - a trégua mais prolongada desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022 - fosse considerado uma "centelha em um mundo mergulhado na escuridão".

"O cessar-fogo em Oleshky não teria sido possível sem o presidente Putin e sem o presidente Zelensky. A cooperação entre eles estabelece um precedente significativo para avançar em direção à paz em toda a região", acrescentou.

A incomum interrupção das hostilidades, encerrada no domingo, foi respeitada por ambos os lados e permitiu a desminagem de estradas e a saída de moradores, tanto em direção à Ucrânia quanto à Rússia. O representante russo, Kirill Dmitriev, expressou, em nome de Putin, sua gratidão a Melania Trump por seu "notável trabalho humanitário" na mediação da trégua em Oleshky, assim como por seus esforços para promover o reencontro de crianças que foram separadas de suas famílias em consequência da guerra.

Entre elas estão menores que, supostamente, foram sequestrados pela Rússia. Diplomacia nos bastidores 

A reunião na Casa Branca também proporcionou o reencontro entre a defensora dos direitos humanos da Rússia, Yana Lantratova, e seu par ucraniano, Dmitro Lubinets, que estabeleceram uma relação inesperada durante o cessar-fogo em Oleshky. Ambos estiveram presentes na cidade devastada, onde compareceram juntos diante da imprensa para informar sobre os trabalhos de evacuação dos moradores e a entrega de ajuda humanitária.

As iniciativas diplomáticas da primeira-dama americana ocorrem antes das conversas trilaterais que serão realizadas na próxima semana em Abu Dhabi, com o objetivo de pôr fim à guerra na Ucrânia. Serão as primeiras negociações entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos desde fevereiro.

Esses diálogos reacenderam as esperanças de pôr fim à guerra, embora uma recente aproximação entre Donald Trump e Putin tenha despertado temores de que os Estados Unidos possam abandonar Kiev. O presidente americano havia prometido encerrar a guerra na Ucrânia em um prazo de 24 horas após assumir o cargo, em janeiro de 2025.

No entanto, seus esforços para alcançar a paz têm sido intermitentes, já que, neste ano, grande parte de sua atenção esteve concentrada na guerra no Irã. Zelensky afirmou que manteve uma conversa "muito detalhada, com duração de uma hora e meia", com os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, antes da reunião em Abu Dhabi na próxima semana.

O presidente ucraniano concedeu a Melania Trump uma condecoração nacional por seu papel no cessar-fogo em Oleshky, entregue pessoalmente a ela por Lubinets na Casa Branca. A primeira-dama americana surpreendeu o mundo quando anunciou, em outubro de 2025, que havia estabelecido um canal secreto de comunicação com Putin com o objetivo de reunir crianças separadas de suas famílias pela guerra.

Desde então, ela tem desempenhado um papel diplomático cada vez mais importante, embora discreto, no conflito ucraniano, mesmo enquanto seu marido faz campanha abertamente para conquistar o Prêmio Nobel da Paz, apesar de suas próprias tentativas malsucedidas de pôr fim à guerra.

Publicação Original Folha de Pernambuco folhape.com.br
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