247 – O eixo de poder global está se movendo em ritmo acelerado em direção ao Sul Global e à Eurásia. Em uma análise concedida ao programa Judging Freedom, o jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar revelou os bastidores de movimentos estratégicos no Kremlin que evidenciam o isolamento da diplomacia de Washington frente à aliança entre Rússia, China e Irã.
Diretamente de Xangai, Escobar trouxe detalhes inéditos sobre uma visita oficial e secreta de alta relevância militar realizada no Kremlin. O enviado especial do líder supremo do Irã e secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezaei, esteve em Moscou para entregar em mãos ao presidente Vladimir Putin uma carta do comando supremo de Teerã.
A mesa de peso no Kremlin: inteligência e geopolítica O encontro não se limitou a formalidades diplomáticas.
Segundo Escobar, a composição da mesa de negociações em Moscou deixou clara a gravidade do momento e o foco na defesa estratégica mútua: Pelo lado iraniano: Mohsen Rezaei viajou fardado, acompanhado pelo diplomata Ali Bagheri Kani, número dois do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.
Pelo lado russo: ao lado de Vladimir Putin, estavam presentes Yuri Ushakov, principal assessor de política externa do Kremlin, e o general Igor Kostyukov, chefe da Inteligência Militar Russa (GRU). “A presença de Kostyukov na mesa mostra que o diálogo vai muito além da política externa; trata-se de coordenação militar direta e inteligência de defesa diante das ameaças de agressão no Oriente Médio”, destacou Pepe Escobar durante a transmissão.
A reunião ocorreu logo após uma conversa telefônica de 95 minutos entre Putin e lideranças iranianas, sinalizando que a cooperação no corredor do Mar Cáspio e o apoio estratégico de Moscou a Teerã atingiram um nível sem precedentes. “Yalta 2.0” em Shenzhen e o declínio da hegemonia de Washington
Outro ponto central debatido na entrevista foi a preparação para o que analistas vêm chamando de “Yalta 2.0” — uma eventual cúpula de alto nível à margem do encontro da APEC em Shenzhen, na China, reunindo as lideranças da China, Rússia e dos Estados Unidos. No entanto, Escobar avalia que qualquer tentativa da diplomacia dos EUA de impor termos à Eurásia esbarra em uma nova realidade incontornável:
“O governo dos EUA chega a essa mesa em uma posição de extrema inferioridade perante a parceria estratégica Rússia-China. Eles não possuem cartas na mão, a não ser a ameaça recorrente de sanções secundárias, às quais o Sul Global simplesmente deixou de se submeter.”
O analista observou que, enquanto Pequim e Moscou consolidam blocos econômicos e de segurança multipolares, a política externa de Washington demonstra sinais de fadiga e desorientação. Escobar citou, inclusive, as contradições do discurso político interno dos EUA sobre a capacidade militar iraniana e a escalada de tensões alimentada por Tel Aviv.
Questionado sobre os riscos de novas agressões militares no Oriente Médio, Escobar ressaltou que o Irã desenvolveu capacidade defensiva e bélica autônoma, contando com uma lista detalhada de alvos táticos para dissuasão de qualquer investida estrangeira.
Brasil 247