247 – A derrota política sofrida pelo governo Donald Trump nas eleições de meio de mandato estadunidenses e o aumento da tensão geopolítica no Golfo Pérsico foram os temas centrais de uma entrevista concedida pelo professor Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã, ao ex-juiz Andrew Napolitano no programa Judging Freedom.
Durante a conversa, Marandi avaliou que a crise no Estreito de Ormuz e a pressão contínua exercida por Teerã colocaram em evidência o custo político das agressões promovidas pelo governo norte-americano. Na visão do acadêmico, o resultado das urnas nos Estados Unidos representou um “voto de desconfiança monumental” contra a política externa agressiva da Casa Branca.
“Em Teerã, as pessoas brincam dizendo que promovemos uma ‘mudança de regime’ nos Estados Unidos”, pontuou Marandi. Ele ressaltou, porém, que o governo iraniano não cultiva ilusões quanto ao Partido Democrata: “A liderança democrata apoia as mesmas agendas.
A guerra na Síria, o desastre na Líbia e o início da crise em Gaza ocorreram sob gestões democratas. Para o Irã, a diferença entre os dois partidos é marginal.”
Perigo de escalada e alerta militar Apesar do enfraquecimento político do presidente dos EUA, Marandi alertou para o risco iminente de novas agressões militares dirigidas pelo Pentágono e estimuladas pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
“Trump é como um jogador de cassino. Ele se comporta como um animal ferido e culpa o Irã por seus próprios fracassos políticos.
As Forças Armadas do Irã estão em alerta máximo porque sabemos que ele pode tentar um ataque a qualquer momento.” — Prof.
Mohammad Marandi. O analista reforçou que qualquer agressão direta dos Estados Unidos encontrará uma resposta sem precedentes.
Segundo Marandi, um ataque contra o território iraniano provocaria um colapso econômico global em decorrência do fechamento das rotas energéticas no Golfo Pérsico, acelerando a crise política em Washington. Armas químicas: Marandi rebate Netanyahu
Questionado sobre as recentes acusações israelenses de que o Irã estaria desenvolvendo armas químicas, o professor, que é sobrevivente de ataques com gás mostarda e agentes neurotóxicos ocorridos durante a Guerra Irã-Iraque na década de 1980, classificou as alegações como uma provocação desonesta.
Marandi lembrou o papel histórico do Ocidente no fornecimento de tecnologia química ao regime de Saddam Hussein: Responsabilidade ocidental: “O regime de Saddam recebeu armas químicas de governos ocidentais com o consentimento e cobertura de inteligência dos Estados Unidos.”
Bloqueio de defesa: “Enquanto os iranianos eram massacrados por armas químicas em escala industrial, governos ocidentais proibiam o Irã de comprar até mesmo máscaras de gás.” Proibição religiosa: “Quando líderes militares pediram permissão ao Ayatollah Khomeini para produzir armas de retaliação, ele recusou categoricamente, afirmando que armas de destruição em massa são imorais e proibidas (haram).”
O professor enfatizou que a posição de Teerã quanto ao banimento de armas químicas e nucleares permanece inalterada sob os decretos religiosos (fatwas) vigentes. Divisão interna em Washington
Comentando as acusações mútuas dentro do Partido Republicano após a derrota eleitoral, incluindo críticas abertas do vice-presidente sobre os custos políticos da guerra, Marandi apontou que o establishment político norte-americano perdeu a sintonia com a população. “O povo americano rejeita novas guerras infinitas, mas os dois grandes partidos continuam presos à lógica do complexo militar-industrial.
Se o processo político norte-americano continuar ignorando a vontade popular, a própria população começará a concluir que o sistema chegou a um ponto cego”, concluiu o acadêmico iraniano.
Brasil 247