O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira, que se sente "triste" com a situação política do Paraguai, após a renúncia do presidente Santiago Peña em meio a uma crise financeira, e com a forma de governar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sofreu um revés nas eleições de meio de mandato nesta semana.
A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo ao lado do deputado federal André Janones, a primeira desde sua vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Durante a live, Lula e Janones leram perguntas enviadas por espectadores que acompanhavam a transmissão.
Uma das internautas questionou como o presidente se sentia ao ser considerado uma "inspiração para a ala progressista mundial", citando como exemplos a derrota política de Trump nos Estados Unidos e a renúncia de Peña no Paraguai. Em resposta, Lula afirmou sentir tristeza pela situação dos dois líderes e relembrou uma conversa com o norte-americano sobre a diferença entre ser um líder amado e temido.
— Eu me sinto um pouco triste por eles. Eu lembro de uma conversa que tive com o Trump.
Eu disse: "Trump, você tem que fazer uma escolha, se quer ser um líder temido ou um líder amado. Porque um líder amado, as pessoas querem ouvi-lo.
Um líder temido, as pessoas se escondem com medo de apanhar" — afirmou Lula. A declaração ocorreu dias após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que representaram uma derrota política para Trump.
Na terça-feira, os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, retirando dos republicanos o controle das duas Casas do Congresso americano. A chamada "onda azul" também garantiu vitórias ao partido de oposição em estados historicamente conservadores, ampliando o revés para o presidente.
No Paraguai, Santiago Peña renunciou à Presidência nesta quinta-feira, após perder o apoio da bancada do Partido Colorado no Congresso em meio à crise provocada pela quebra do banco digital Ueno Bank. A instituição, que atendia cerca de 40% da população paraguaia, teve contas e investimentos bloqueados, provocando protestos e dificuldades para o comércio do país.
A crise também levantou questionamentos sobre a relação de Peña com o Ueno Bank, do qual foi acionista por meio de um grupo controlador até 2025. A oposição acusa o ex-presidente de ter adotado decisões regulatórias supostamente favoráveis à instituição, além de concentrar recursos públicos no banco.
Peña era considerado um aliado de Trump na América do Sul. Durante a live, Lula também defendeu que os governantes mantenham os compromissos assumidos durante as campanhas eleitorais e afirmou que a honestidade com os eleitores é uma de suas principais preocupações.
— Se tem uma coisa de que eu tenho medo é de mentir para o povo. Acho que é triste quando a gente é eleito e não consegue fazer aquilo que prometeu — disse.
O Globo