Mais de R$ 1,1 bilhão (US$ 200 milhões) investidos por Elon Musk não foram suficientes para eleger Ken Paxton ao Senado americano. O democrata James Talarico venceu a disputa no Texas e conquistou uma vaga que os republicanos tratavam como fundamental para manter o controle da Casa.
O resultado, projetado por veículos americanos na noite de terça-feira (3), encerra uma sequência de 32 anos sem vitórias democratas em eleições estaduais no Texas. Talarico também será o primeiro senador do partido eleito pelo estado desde 1988.
A derrota atinge dois dos principais padrinhos de Paxton. O procurador-geral do Texas recebeu o apoio de Donald Trump durante as primárias e, na reta final, foi sustentado por uma ofensiva financeira comandada por Musk, que vive no estado e mantém ali algumas de suas operações empresariais mais importantes, como a base da SpaceX.
A derrota política também repercutiu nos negócios do bilionário. No pré-mercado desta quarta-feira (4), as ações da SpaceX recuavam 3,6%, enquanto as da Tesla caíam 3,5%, segundo o Wall Street Journal.
O movimento ocorreu após o avanço democrata nas eleições legislativas ampliar entre investidores a expectativa de maior pressão regulatória sobre as empresas de Musk. Segundo a AFP, o empresário destinou mais de R$ 1,1 bilhão (US$ 200 milhões) ao esforço para eleger Paxton.
A Reuters calcula que os republicanos gastaram mais de R$ 1,73 bilhão (US$ 316 milhões) para tentar conservar a cadeira. A operação financiada por Musk
Grande parte do dinheiro percorreu uma rede de comitês políticos antes de chegar à campanha publicitária. Em setembro, Musk transferiu R$ 867 milhões (US$ 158 milhões) ao Senate Leadership Fund, principal super PAC republicano dedicado às eleições para o Senado.
O grupo direcionou os recursos ao Texas PAC, que comprou anúncios para promover Paxton e atacar Talarico. Uma apuração do Texas Tribune identificou ainda outros aportes associados ao empresário e estimou, antes do fechamento da campanha, que sua participação na disputa se aproximava de R$ 1,04 bilhão (US$ 190 milhões).
Registros posteriores levaram a AFP a situar o investimento acima de R$ 1,1 bilhão (US$ 200 milhões). A publicidade retratava Talarico como excessivamente progressista para o Texas, especialmente em temas ligados a gênero e direitos LGBTQIA+.
Trump e outros republicanos também passaram a atacá-lo pessoalmente e a promover apelidos pejorativos nas últimas semanas da campanha. Talarico transformou o volume de dinheiro externo em parte de seu discurso.
O democrata acusou Musk de tentar comprar uma cadeira no Senado e apresentou a eleição como uma disputa entre os eleitores do Texas e um pequeno grupo de bilionários. Não se tratava, no entanto, de uma candidatura com poucos recursos.
Os registros da Comissão Eleitoral Federal mostram que os comitês autorizados de Talarico arrecadaram R$ 803 milhões (US$ 146,3 milhões) e gastaram R$ 749 milhões (US$ 136,4 milhões) entre setembro de 2025 e 14 de outubro deste ano. Cerca de metade do dinheiro levantado pelo democrata veio de pessoas que contribuíram com menos de R$ 1,1 mil (US$ 200) ao longo da campanha, segundo o Texas Tribune.
Talarico terminou o ciclo como um dos maiores arrecadadores entre todos os candidatos ao Senado. Custo de vida e corrupção
Ex-professor de escola pública, deputado estadual e estudante de seminário presbiteriano, Talarico ganhou projeção nacional ao combinar a identidade de cristão progressista com um discurso que sua campanha chamou de “política do amor”. Na eleição contra Paxton, ele acrescentou um ataque mais direto.
O democrata associou as controvérsias do adversário às dificuldades econômicas dos texanos e sustentou que o aumento do custo de vida era agravado por um sistema político voltado aos interesses de grandes doadores. A mensagem apareceu nos anúncios de televisão e nos eventos da campanha.
Talarico falava sobre moradia, alimentos e saúde enquanto apresentava Paxton como representante de uma estrutura política corrompida. Paxton chegou à eleição com um histórico capaz de alimentar essa estratégia.
Em 2023, sofreu um processo de impeachment aprovado pela Câmara estadual, controlada pelos próprios republicanos, sob acusações de suborno e abuso de poder. Mais tarde, foi absolvido pelo Senado do Texas.
A vulnerabilidade de Paxton já preocupava dirigentes republicanos durante as primárias. O partido tinha como senador John Cornyn, que ocupava a vaga há quatro mandatos e era visto por lideranças nacionais como um candidato mais seguro para a eleição geral.
Trump apoiou Paxton na disputa interna, e o procurador-geral derrotou Cornyn no segundo turno das primárias republicanas. A escolha obrigou o partido a despejar centenas de milhões de dólares numa cadeira que, no início do ciclo, não estava entre as mais ameaçadas do país.
Talarico também atravessou uma disputa interna competitiva. Começou a campanha atrás do ex-deputado Colin Allred, candidato democrata ao Senado em 2024, e depois derrotou a deputada Jasmine Crockett pela indicação do partido.
Com a vitória, ele assumirá justamente a cadeira hoje ocupada por Cornyn, o republicano derrotado por Paxton depois da intervenção de Trump nas primárias. Mais Lidas
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