Na abertura de seminário do Lide em São Paulo, João Doria disse que o país deve trabalhar pelo bem do Brasil independentemente do resultado e cobrou gestão para universalizar o saneamento O ex-governador de São Paulo e fundador do LIDE, João Doria, usou a abertura do Seminário LIDE Infraestrutura e Saneamento nesta quarta-feira (4) para comentar o resultado da eleição presidencial.
Foi o primeiro evento do grupo na capital paulista desde a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno de 25 de outubro. João Doria, que rompeu com Jair Bolsonaro durante a pandemia, declarou apoio a Flávio Bolsonaro na reta final da disputa.
No encerramento da fala, na Casa LIDE, o ex-governador pediu à plateia e ao público da transmissão que separe a crítica política do interesse pelo país. “Nós não temos que torcer pelo mal do Brasil.
Independentemente de quem ganhou a eleição, nós temos que trabalhar pelo bem do Brasil, a favor do país. Porque essa é a forma de ajudar, não contestando, não fazendo a crítica de natureza política.
A crítica construtiva, ela é sempre bem-vinda, é parte da democracia e do aperfeiçoamento. Mas jamais jamais torcer pelo mal do nosso país”, defende.
Antes do recado político, João Doria apontou o saneamento como o principal gargalo da infraestrutura nacional. “Não é razoável que um país com 215 milhões de habitantes tenha 90 milhões de pessoas que não têm esgoto nas suas casas.
E que 30 milhões desses 215 milhões não tenham água potável para tomar.” Para o ex-governador, a distância entre os indicadores paulistas e os do restante do país se explica pela administração pública.
“Gestão. Eficiência de gestão.
32 anos de gestão equilibrada”, afirmou, ao lembrar que governadores de partidos distintos comandaram o estado no período e que as concessões de rodovias começaram na gestão Mário Covas. “Mas que tristeza que o padrão de São Paulo não seja o padrão do Brasil, que é o que deveria ser.”
A cidade de São Paulo tem cerca de 99,98% da população urbana atendida com água tratada e hidrometração. Dados do Instituto Trata Brasil e da Sabesp apontam em torno de 93,28% a 99,26% da população possui rede de coleta de esgoto, superando as metas iniciais do Novo Marco Legal do Saneamento.
João Doria defendeu a parceria com a iniciativa privada, com o Estado à frente. “Quem tem a chave de comando é o setor público, não é o setor privado.” Ele citou a obra da Linha 6-Laranja do Metrô, executada pela Acciona, cujo CEO no Brasil, André de Angelo, lidera a área de infraestrutura do LIDE.
Mesmo ao dizer que não pretendia levar a disputa partidária ao debate, João Doria pediu reflexão ao eleitor com vistas às eleições municipais de 2028 e às gerais de 2030. “Eu quero chamar a atenção para isso.
Não politizar os nossos temas, nem os debates aqui, mas enxergar a dificuldade que temos com a falta de qualidade de gestão.” E completou: “Reflitam sobre as decisões de hoje e, principalmente, as decisões do futuro.” O seminário reúne ainda o presidente da Sabesp, Carlos Piani, o presidente do Metrô de São Paulo, Julio Castiglioni, o presidente da Aena Brasil, Santiago Yus, e a superintendente da Área de Soluções para Cidades do BNDES, Luciene Machado.
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