Nascida em 1926, em Ibirama, Ignez Staranschek completa um século de vida cercada pela família e por uma história marcada por trabalho, perseverança e tradição. Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
Um século de vida, muitas histórias para contar e cinco gerações que carregam um pouco de sua trajetória. Ignez Staranschek completa 100 anos neste domingo (1º), cercada por uma família de 29 descendentes diretos.
Mesmo depois de atravessar diferentes épocas e transformações, ela mantém costumes e características que remetem às próprias origens, como a comunicação em alemão e as lembranças de uma infância no interior do Vale do Itajaí. Ignez nasceu em 1º de novembro de 1926, na localidade de Rio Sellin, em Ibirama, quando a região ainda era conhecida como Hammonia.
Filha de José Pikart, imigrante austríaco, e Anna Wapenik, imigrante alemã, cresceu em uma família numerosa, com 11 filhos. A casa onde nasceu, construída em enxaimel, continua de pé até hoje.
Quase 100 anos depois, a construção preserva parte das origens da família e do lugar onde começou a trajetória da centenária. Atualmente, apenas Ignez e a irmã mais nova, Regina, permanecem vivas entre os irmãos.
Pouco antes de completar 18 anos, Ignez deixou Ibirama acompanhada de uma das irmãs e se mudou para Blumenau, no Vale do Itajaí, em busca de trabalho e de uma vida melhor. Na cidade, começou a trabalhar como empregada doméstica na residência dos proprietários de uma olaria.
Foi nesse período que conheceu Ricardo Staranschek, com quem se casou em 1947. Juntos, construíram uma família com cinco filhos: Vilson, Victor, Vera, Valfrido e Verônica.
Os dois últimos já faleceram. A trajetória de Ignez é lembrada pelos familiares principalmente pela força, perseverança e dedicação ao trabalho.
Segundo a bisneta, ela enfrentou as dificuldades de uma época em que a vida, especialmente para as mulheres, apresentava muitos desafios. Uma característica que atravessou as gerações foi o cuidado com os familiares.
Mesmo sem as facilidades da tecnologia, Ignez sempre se lembrava dos aniversários dos filhos, netos e bisnetos, sem deixar as datas passarem em branco. De acordo com a família, aos 100 anos, continua lúcida, gosta de conversar, tem sorriso fácil e mantém a comunicação em alemão.
Atualmente, recebe os cuidados do filho Vilson, que está ao seu lado no dia a dia. Ao longo dos 100 anos de vida, a família de Ignez cresceu e hoje reúne cinco filhos, oito netos, 13 bisnetos e três tataranetos, totalizando 29 descendentes diretos.
Para os familiares, a mulher representa muito mais do que a matriarca. Ela é a ligação entre diferentes gerações e a guardiã de lembranças que ajudam a preservar a história da família.
Todos os anos, o aniversário é comemorado com um café da tarde, bolos e comidas típicas da região. Mas completar 100 anos exigiu uma celebração ainda mais especial.
A ideia inicial de comemorar os 100 anos partiu do filho Vilson, que desejava organizar uma festa na própria casa da mãe. A família, porém, percebeu que a data seria uma oportunidade de reunir também primos, parentes mais distantes e pessoas que fizeram parte da trajetória de Ignez.
Com isso, a comemoração foi transferida para o salão da igreja, em um espaço maior para receber os convidados. A festa ocorre no próprio dia do aniversário de 100 anos, mantendo a tradição do café da tarde e das comidas típicas.
Toda a família se mobilizou para preparar a homenagem, mas Ignez ainda não sabe exatamente o que está sendo organizado. Para a bisneta Natasha, que tem 28 anos, ter a oportunidade de comemorar os 100 anos da própria bisavó é um privilégio.
“São gerações diferentes, realidades diferentes, mas unidas pela mesma história”, conta Natasha. Ao falar sobre as palavras que gostaria de deixar para Ignez, ela resume o sentimento da família em duas expressões: amor eterno e gratidão.
A homenagem também representa o reconhecimento pelas dificuldades enfrentadas pela centenária, pelas conquistas e pelos ensinamentos transmitidos ao longo da vida. “Quero que ela saiba o quanto temos orgulho da mulher forte, trabalhadora e especial que sempre foi”, afirma.
Para a família, o maior legado de Ignez está justamente na história que ajudou a construir e nas gerações que vieram depois dela. “Seu maior legado é a família que ajudou a construir, os ensinamentos que transmitiu e as lembranças que permanecerão conosco”, conclui a bisneta.
Brenda Bittencourt é editora-chefe do portal ND Mais na redação de Blumenau, onde coordena a equipe focada no Vale de Itajaí e Alto Vale de Santa Catarina. Jornalista, formada pela Furb (Universidade Regional de Blumenau), atua na área desde 2015 cobrindo assuntos que envolvem a infraestrutura da região, segurança, impactos econômicos e notícias que impactam os moradores.
Tem trajetória consolidada em projetos multimídia, publicações impressas e produções para TV. Participou de ação que levava o ensino do jornalismo e letramento digital para escolas de Blumenau e colaborou com programa em rádio comunitária.
Possui especializações em SEO e estratégias digitais e performance pela ESPM. Atuou como repórter nas Eleições 2020 e 2022 no Vale do Itajaí, e participou do núcleo estratégico de SEO e distribuição de conteúdos eleitorais.
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