Advogado que atuou com Flávio Bolsonaro no caso Ana Clara também defendeu Fabrício Queiroz no caso das rachadinhas

Advogado que atuou com Flávio Bolsonaro no caso Ana Clara também defendeu Fabrício Queiroz no caso das rachadinhas - Foto
Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O advogado criminalista Paulo Klein, que trabalhou ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) na defesa de um policial militar acusado de matar a menina Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, também representou Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador e personagem central da investigação sobre o suposto esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A informação foi revelada pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, nesta quinta-feira (22).

Klein também mantém uma parceria profissional com Flávio na defesa de policiais militares acusados de executar quatro homens na favela do Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Nos dois processos envolvendo mortes atribuídas a PMs, o senador atuou em iniciativas judiciais destinadas a impedir que os acusados fossem submetidos ao Tribunal do Júri.

A ligação entre os dois advogados ganhou destaque após a divulgação da participação de Flávio na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar Ana Clara em fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói. Klein foi o responsável por conceder uma procuração que permitiu ao senador atuar no processo.

Em 2024, Flávio assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar impedir que Delaroli fosse levado a júri popular. O pedido foi rejeitado pela Corte, mas o policial ainda não foi julgado. Atualmente, o senador não aparece mais entre os advogados responsáveis pela defesa do acusado.

Ana Clara foi atingida por um disparo quando estava na porta de casa. Delaroli chegou a ser preso em flagrante após a perícia identificar vestígios compatíveis com o fuzil utilizado pelo policial. Os exames também não comprovaram a suposta troca de tiros apresentada pela defesa como justificativa para a ação.

A participação de Flávio no processo voltou ao debate público após a série Revelando, publicada pelo canal Calma Urgente, no YouTube, abordar sua atuação como advogado do PM. O episódio passou a ser explorado pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que mencionou o caso durante o debate presidencial promovido pela Band no último domingo (18).

Parceria na defesa de policiais acusados de quatro mortes no Vidigal

Além do processo envolvendo Ana Clara, Flávio Bolsonaro e Paulo Klein atuaram conjuntamente na defesa de policiais militares acusados de matar quatro homens no Vidigal.

Em abril de 2024, Klein assinou uma procuração que autorizou o senador a representar os acusados perante o STJ. Assim como no caso de Ana Clara, a iniciativa buscava evitar a realização de um julgamento pelo Tribunal do Júri. Flávio ainda consta como defensor dos policiais no sistema do tribunal.

Entre as vítimas estavam o porteiro Cláudio Henrique Nascimento de Oliveira, de 24 anos, e o entregador de supermercado Marcos Guimarães da Silva, de 51. Segundo informações divulgadas pelo Globo, os dois não tinham envolvimento com o confronto alegado pelos policiais e estavam no local quando ocorreram os disparos.

Os laudos cadavéricos apontaram que as quatro vítimas foram atingidas por tiros de fuzil disparados de cima para baixo. Testemunhas relataram que os policiais teriam entrado em um apartamento e preparado uma emboscada.

Os acusados, por sua vez, sustentaram que houve troca de tiros com criminosos e que encontraram os quatro homens feridos após o confronto. As vítimas foram encaminhadas ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas chegaram à unidade sem vida.

No STJ, a Quinta Turma acolheu o pedido dos réus para impedir o julgamento popular, considerando que as provas utilizadas eram baseadas em testemunhos indiretos, conhecidos juridicamente como relatos de “ouvir dizer”. Nesses casos, a testemunha apresenta informações sobre acontecimentos que não presenciou diretamente.

O Ministério Público Federal (MPF) defendeu a submissão dos acusados ao Tribunal do Júri e recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF). O processo, entretanto, permanece suspenso.

Em novembro de 2025, o ministro Luis Felipe Salomão determinou a suspensão da tramitação até que o Supremo decida o Tema 1.392, que trata da possibilidade de utilizar testemunhos indiretos como fundamento para levar acusados a julgamento pelo júri e da validade dessas provas na avaliação judicial.

Advogado também representou Fabrício Queiroz no caso das rachadinhas

A atuação de Paulo Klein na defesa de Fabrício Queiroz ocorreu durante a investigação sobre o suposto esquema de recolhimento de parte dos salários de funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

Queiroz, ex-policial militar que trabalhou como motorista e assessor do parlamentar, passou a ser investigado depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações financeiras atípicas em suas contas, em 2018.

Segundo as investigações conduzidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), Queiroz seria responsável por recolher parte dos vencimentos de outros funcionários e repassar os recursos ao então deputado estadual.

Os promotores identificaram 483 depósitos realizados por pelo menos 13 ex-assessores na conta bancária de Queiroz. A investigação também apontou suspeitas de que os valores recolhidos fossem utilizados em operações envolvendo uma loja de chocolates de Flávio, localizada em um shopping da Barra da Tijuca, e negócios imobiliários do parlamentar.

Klein deixou a defesa de Queiroz em dezembro de 2019, um dia depois de o Ministério Público deflagrar uma operação para cumprir 24 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados ao senador e a antigos integrantes de seu gabinete.

Na ocasião, o advogado alegou “motivos de foro íntimo” para abandonar o caso, mas afirmou ter “absoluta convicção” da inocência de seu então cliente.

Meses depois, em 2020, Queiroz foi preso durante outra operação policial. O MP-RJ denunciou Flávio, o ex-assessor e outras 15 pessoas por suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e apropriação indébita.

O processo, contudo, não avançou até um julgamento de mérito. Em 2021, o STF anulou quatro dos cinco relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf que fundamentavam a denúncia.

A Corte considerou irregular o compartilhamento direto das informações entre o órgão de inteligência financeira e o Ministério Público antes da autorização judicial para a investigação criminal.

Em 2025, o ministro Gilmar Mendes rejeitou dois recursos que buscavam reabrir o processo. Na decisão, destacou a insuficiência de provas para justificar o prosseguimento da ação penal. O caso acabou arquivado.

Atualmente, Fabrício Queiroz ocupa o cargo de subsecretário de Segurança e Ordem Pública da Prefeitura de Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, administrada pelo PL.

Advogado explica parceria com Flávio Bolsonaro

Procurado pela coluna de Malu Gaspar, Paulo Klein afirmou que sua atuação conjunta com Flávio Bolsonaro no processo sobre a morte de Ana Clara ocorreu em razão do trabalho desenvolvido no Instituto Família Policial.

Segundo o criminalista, a mesma relação institucional explica a procuração concedida ao senador para atuar na defesa dos policiais acusados pelas quatro mortes no Vidigal.

Klein, entretanto, preferiu não comentar sua participação anterior na defesa de Fabrício Queiroz.

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