A futura Esplanada de Lula: novo ministério precisará acomodar aliados derrotados e construção de base

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Eleito por margem apertada e em uma virada inédita, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve montar um ministério que concilie apoio no Congresso com a preparação de sua sucessão na esquerda. Após sete disputas presidenciais, às vésperas de completar 81 anos e impedido de disputar a eleição de 2030, o petista deve encerrar sua carreira política.

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Diante do Congresso dominado pela oposição, aliados dizem que Lula terá de governar mais ao centro e ampliar o espaço de partidos na Esplanada. Ainda assim, defendem que pastas estratégicas fiquem com aliados de primeira hora, para projetá-los nacionalmente.

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A aposta no entorno do presidente é que Camilo Santana terá papel central, após ser apontado como um dos responsáveis pela virada eleitoral. Antes cotado para a Casa Civil, Fernando Haddad perdeu espaço para o senador cearense, que coordenou a campanha no segundo turno.

Um aliado diz ser preciso nacionalizar a imagem de Camilo, hoje ligada ao Ceará, para projetá-lo como possível sucessor. Guilherme Boulos e Haddad também devem buscar destaque.

Apesar da derrota na disputa pelo governo paulista, Haddad coordenou a campanha no maior colégio eleitoral do país. A proximidade com Lula conta a seu favor, mas a provável ida de Camilo para a Casa Civil dificulta seu espaço.

Aliados dizem que Haddad não quer voltar à Fazenda ou à Educação, nem assumir uma pasta com disputas internas. Pessoas próximas afirmam que ele considera retomar as aulas na USP e ficar fora do governo.

No terceiro mandato, Lula distribuiu ministérios a partidos de centro — PP, União Brasil, MDB, PSD e Republicanos — em busca de governabilidade, mas a relação com o Legislativo teve altos e baixos. O petista deve trabalhar pela recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) às presidências da Câmara e do Senado; ambos devem influenciar a escolha da equipe.

A Esplanada pode incluir lideranças de partidos que apoiaram formalmente Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas permaneceram com Lula, sobretudo alas do MDB e do PSD e quadros nordestinos de Republicanos, PP e União Brasil. A escolha da Fazenda segue em aberto.

Uma ala defende manter Dario Durigan. Outra opção é Bruno Moretti, ministro do Planejamento, próximo de Lula e com boa interlocução no Congresso; sua escolha daria mais autonomia à Fazenda em relação à Casa Civil.

Também é citado o vice-presidente Geraldo Alckmin, sinalizando prioridade ao controle de gastos e ao equilíbrio fiscal. Ministros bem avaliados podem continuar, ainda que em outras funções, como Esther Dweck (Gestão), Leonardo Barchini (Educação) e Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário).

Lula pode acomodar Gleisi Hoffmann (PT-PR) e José Guimarães (PT-CE), derrotados nas eleições. O presidente prometeu criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança, ainda pendente no Senado.

Um nome consensual no PT é Chico Lucas, secretário de Segurança Pública do Ministério da Justiça, mas petistas não descartam alguém de projeção nacional. Janja será ouvida e participará das definições para Mulheres, Cultura, Igualdade Racial e o gabinete presidencial.

Nomes cotados para um ministério de Lula Camilo Santana: Ex-ministro da Educação, o senador é cotado para assumir a Casa Civil e considerado um possível sucessor de Lula.

Aliados não descartam uma posição de destaque no Congresso e veem chance de o ministro ocupar papel importante também na indicação de cargos para o novo governo, após ter protagonizado a estratégia de Lula que ajudou a virar a eleição. Fernando Haddad: O ex-ministro da Fazenda era cotado para chefe da Casa Civil, mas a perspectiva mudou no segundo turno com a ascensão de Camilo Santana na campanha.

Apesar disso, não é descartado outro ministério de projeção para o petista. A nomeação também serviria como recompensa por ter aceitado, mesmo contrariado, a missão de concorrer ao governo de São Paulo.

Guilherme Boulos: Apontado como possível sucessor de Lula, o deputado federal não concorreu à reeleição este ano para seguir à frente da Secretaria-Geral da Presidência. A expectativa é que comande uma pasta robusta na Esplanada.

Ex-líder do MTST, tem como trunfo a interlocução com movimentos sociais. Ganhou espaço no núcleo político do Planalto e participou das discussões da campanha petista.

Renan Filho: Sua gestão à frente do Ministério dos Transportes foi elogiada pelo presidente Lula. Ele é cotado para voltar ao governo petista em alguma pasta da área de Infraestrutura.

É senador, o que também o credencia para ocupar um posto de destaque no Congresso Nacional para fazer o enfrentamento da bancada bolsonarista, que estará maior no Senado na próxima legislatura. Gleisi Hoffmann: Após perder vaga ao Senado, Gleisi Hoffmann deve ter espaço no primeiro escalão no quarto mandato de Lula.

A ministra pode receber uma pasta da “cota pessoal” de Lula, com visibilidade política, como o Ministério de Desenvolvimento Social. Ex-presidente do PT, Gleisi mantém relação próxima com o presidente e tem trajetória marcada pela articulação partidária.

Esther Dweck: Pupila da ministra Miriam Belchior, a economista Esther Dweck é um nome técnico que conquistou a confiança de Lula no terceiro mandato e deve seguir na Esplanada. À frente da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, ganhou espaço nas discussões sobre orçamento e política para o funcionalismo.

Com a saída de Simone Tebet do Planejamento para disputar a eleição, chegou a ser cotada para assumir a pasta. Rui Costa: Ex-chefe da Casa Civil e considerado “gerentão” de obras de Lula no terceiro mandato, Rui Costa deve retornar à Esplanada para chefiar uma pasta na área de infraestrutura, com atuação mais voltada à execução de projetos e ao acompanhamento de entregas.

À frente da Casa Civil, coordenou o Novo PAC. Após deixar o governo para disputar o Senado pela Bahia, ganhou espaço no núcleo da campanha de Lula.

José Guimarães: O ministro da Secretaria de Relações Institucionais previa, inicialmente, concorrer ao Senado este ano, mas permaneceu no governo a pedido do próprio Lula. A expectativa é que seja recompensado com algum cargo na máquina federal.

Vice-presidente nacional do PT e deputado pelo Ceará desde 2007, tem longa experiência na articulação política e bom trânsito entre dirigentes do Centrão. Bruno Moretti: Ministro do Planejamento, construiu relação de confiança com Lula quando era quadro técnico da Casa Civil.

Servidor de carreira desde 2004, participou das discussões sobre política fiscal, elaboração do Orçamento e medidas de contenção de gastos e aumento de receitas. Antes de chegar ao primeiro escalão, já despachava diretamente com Lula.

É cotado para ministérios da área econômica. Dario Durigan: Ministro da Fazenda desde março, era o número dois da pasta e ganhou protagonismo na condução da política econômica ainda sob Haddad.

De acordo com aliados, o presidente tem simpatia por Durigan e estaria disposto a mantê-lo no cargo. A escolha reforçaria a continuidade daequipe econômica e poderia aproximar a Fazenda da Casa Civil, numa articulação que não marcou o terceiro mandato.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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