A estratégia do Bradesco para driblar a inadimplência e entregar bons resultados em 2027

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

O Bradesco deve priorizar linhas de crédito mais seguras em 2027 para preservar os avanços do plano de recuperação iniciado em 2024. Em meio à alta da inadimplência, ao comprometimento da renda das famílias e à desaceleração econômica, o banco pretende ampliar a cautela na concessão de empréstimos para pessoas físicas e privilegiar operações com empresas.

A estratégia também prevê maior atenção ao consignado e ao cartão de crédito para clientes de alta renda. As informações foram explicadas pelo CEO, Marcelo Noronha, e o diretor de Relações com Investidores, André Carvalho nesta sexta-feira, 23.

O Bradesco reportou lucro líquido recorrente de 20,9 bilhões de reais no acumulado de janeiro a setembro de 2026, alta de 15,6% em relação ao mesmo período do ano passado. No terceiro trimestre, o lucro chegou a 7,1 bilhões de reais, avanço de 15,6% na comparação anual.

Apesar do crescimento do lucro, analistas da XP Investimentos consideraram o resultado misto. Segundo a corretora, o controle de custos, que recuaram 1% na comparação anual, favoreceu o desempenho.

Por outro lado, o custo do crédito absorve grande parte do crescimento das receitas. O índice de inadimplência acima de 90 dias avançou 0,5 ponto percentual em 12 meses, para 4,6% ao fim de setembro.

No mesmo período, as provisões para devedores duvidosos somaram 30,2 bilhões de reais, alta de 24,4% na comparação anual. Continua após a publicidade

Segundo os analistas, essa pressão deve limitar o potencial de expansão da rentabilidade, medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês), que ficou em 15,8% no terceiro trimestre. Para Noronha, o cenário deve continuar desafiador em 2027.

O banco prevê crescimento de apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. Além disso, o comprometimento da renda das famílias deve permanecer elevado em um ambiente de juros altos, dificultando a concessão de crédito.

Continua após a publicidade “Eu vejo um horizonte de maior pressão no custo de crédito com um índice de inadimplência um pouco maior, mas eu tenho a segurança de que a nossa carteira está preparada para esse cenário”, afirmou o executivo.

Por volta das 11h48 desta sexta-feira, 23, as ações do Bradesco recuavam 1,63, cotadas a 19,89 reais. Como o Bradesco pretende reduzir os riscos em 2027?

Diante desse cenário, o banco deve manter as linhas de crédito consideradas prioritárias. Nos empréstimos para empresas, a estratégia inclui operações com garantias do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) e do Fundo Garantidor de Operações (FGO).

Na carteira de pessoas físicas, o foco será em modalidades com garantias, como o consignado, o financiamento de veículos e o de imóveis. “Somos o maior banco no crédito consignado do país ao somar todas as modalidades.

Queremos manter essa liderança ao mesmo tempo que reduzimos nossa exposição ao crédito pessoal”, afirmou Carvalho durante a entrevista coletiva. Continua após a publicidade

No agronegócio, o Bradesco também reduziu o apetite ao risco. Neste momento, a instituição está aberta a conceder crédito a grandes empresas com boa classificação de risco (rating).

“O agro também se deteriorou e, por isso, estamos cautelosos”, afirmou Noronha. A XP avalia que a estratégia é adequada diante do cenário.

Segundo os analistas, a piora das condições econômicas tende a deteriorar as carteiras de crédito dos bancos nos próximos trimestres. No caso do Bradesco, 61,2% da carteira está direcionada a empréstimos com garantia, o que representa uma proteção relevante contra eventuais calotes.

Continua após a publicidade “Em nossa visão, a mudança em direção a operações de crédito de menor risco faz sentido no cenário atual, embora também limite a capacidade do banco de sustentar o ganho com juros (spread)”, dizem Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, que assinam o relatório da XP.

A estratégia do Bradesco para 2027 será, portanto, equilibrar a expansão do crédito com o controle da inadimplência. Com 61,2% da carteira concentrada em operações com garantia, o banco busca proteger os resultados obtidos com a reestruturação sem abrir mão de novas concessões.

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Publicação Original Notícias Veja veja.abril.com.br
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