O advogado Willer Tomaz afirmou neste sábado, 24, que o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) nunca foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária de sua empresa no Santander. Segundo Tomaz, uma carta emitida pela instituição financeira na sexta-feira, 23, comprovaria que ele é o único titular desse perfil de acesso desde a abertura da conta, em maio de 2025.
A declaração contesta informações divulgadas pela imprensa com base em documentos obtidos pela Polícia Federal (PF). Em publicação nas redes sociais, o advogado afirmou que a conta foi aberta em 16 de maio de 2025 e que o único usuário com perfil master desde então seria ele próprio.
“Flávio nunca foi usuário dessa conta”, declarou Tomaz, que disse ter divulgado em vídeo a relação de pessoas autorizadas a acessá-la. O advogado classificou as reportagens sobre o assunto como falsas e negou manter qualquer sociedade com o candidato.
“Flávio nunca teve sociedade comigo. Nossa relação é de amizade e amizade não é crime”, afirmou.
A carta mencionada por Tomaz não foi obtida de forma independente por esta reportagem. View this post on Instagram
O que diz a investigação da Polícia Federal A controvérsia começou após a divulgação de informações obtidas pela PF durante uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
Segundo reportagens publicadas em outubro, os investigadores identificaram trocas de e-mails entre uma funcionária de Tomaz e representantes do Santander envolvendo a conta da Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado. Continua após a publicidade
Uma das mensagens, enviada em 22 de maio de 2025, solicitava ao banco a desvinculação de contas associadas ao perfil master, incluindo uma identificada com o nome de Flávio Bolsonaro. A instituição respondeu que as contas haviam sido excluídas do contrato, conforme solicitado.
De acordo com os documentos descritos nas reportagens, a PF considerou que o cadastro poderia indicar acesso operacional do senador à conta e levantou a hipótese de uma eventual participação econômica ou societária na empresa. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam ter compartilhado contas bancárias ou mantido negócios em sociedade.
Continua após a publicidade A Alcazar Holdings também aparece nas investigações por sua participação em uma estrutura empresarial ligada à propriedade de um avião executivo utilizado em viagens do advogado e do senador.
Na mesma publicação, Tomaz criticou uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou medidas contra ele no âmbito da investigação. A decisão, divulgada na sexta-feira, 23, incluiu a quebra dos sigilos bancário e fiscal do advogado, o cancelamento de passaportes e o bloqueio de bens até o limite de 6 bilhões de reais.
Continua após a publicidade Tomaz contestou o valor estabelecido e afirmou que a quantia não corresponde ao seu patrimônio.
Também questionou a divulgação da medida às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. O advogado acusou os responsáveis pela investigação de promover uma “pescaria probatória para usar na campanha”.
Trata-se de uma avaliação de Tomaz, sem comprovação apresentada na manifestação. Continua após a publicidade
O limite de 6 bilhões de reais estabelecido pela decisão judicial não significa que o advogado possua esse montante em bens ou que todo o valor tenha sido efetivamente bloqueado. Tomaz afirmou que apresentará documentos à Justiça para contestar as suspeitas e cobrou dos veículos de comunicação a publicação de eventuais correções.
Até o momento, a existência de versões conflitantes sobre o cadastro bancário permanece como um dos pontos centrais da investigação. Publicidade
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