Uma eventual vitória dos democratas nas eleições legislativas nos EUA nesta 3ª feira (3.nov.2026) terá efeitos opostos para o Brasil na avaliação de analistas. Os desdobramentos positivos devem predominar.
Os democratas são favoráveis a taxar as big techs. Caso isso seja aprovado, o efeito na Bolsa será negativo.
Também são favoráveis a programas que resultam em aumento dos gastos públicos. É algo que poderia levar a juros mais altos e à valorização do dólar frente ao real e a outras moedas.
Com o controle do Congresso, os democratas poderão aprovar medidas de pressão fiscal para o governo Trump. Um possível efeito seria o aumento dos juros pagos por títulos do Tesouro norte-americano, considerados referência internacional para aplicações financeiras.
Esses itens elevariam a aversão ao risco nos mercados globais, o que retira investimentos do Brasil e de outros países emergentes. Em contrapartida, os democratas são mais alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que os republicanos.
O aumento do poder do partido no Congresso reduziria a chance de novos atos hostis do presidente dos EUA, como a alta de tarifas. “Os democratas têm maior ímpeto para regulações, então pode ter algum aumento de pressão sobre as big techs, um setor ou empresas que pagam muito pouco imposto”, disse , economista-chefe da Quantitas.
Na avaliação de Chermont, a proximidade dos democratas com o governo brasileiro pode ajudar o governo Lula, na hipótese de o partido de oposição sair fortalecido das eleições. “Haverá um contraponto dentro dos Estados Unidos para botar o Trump mais dentro da caixinha”, afirmou.
EFEITOS PARA O TARIFAÇO O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral afirma que uma vitória democrata eleva a possibilidade de aprovação de mecanismos de restrição à política tarifária de Trump.
Ao controlar o Legislativo, o partido poderá atuar para barrar medidas unilaterais do presidente, como elevações arbitrárias de tarifas. Barral avalia que um desfecho com vitória democrata na Câmara e no Senado interessa a nações como Brasil, México e Canadá. “Todos esses países estão aguardando para ver qual vai ser o resultado, para saber qual é o grau de poder que o Trump ainda vai manter para adotar medidas unilaterais”, disse.
Para o ex-secretário, a reeleição de Lula e o desempenho do partido de Trump nas midterms também podem mexer com as negociações bilaterais Brasil-EUA. As conversas para reverter o tarifaço estão estagnadas desde setembro.
Lula, agora com mais 4 anos no Palácio do Planalto, deve levar aos norte-americanos discussões como regulação das big techs e minerais críticos. Isso pode levar a novos embates entre os 2 países.
A disposição de Trump para negociar esses temas pode depender do nível de pressão que a Casa Branca sofrerá do Congresso. “São temas que seguramente não vão facilitar as negociações”, declarou Barral.
Poder 360