A virada do presidente Lula (PT) nas eleições deste ano passa pelo avanço do petista na região Sudeste, especialmente em Minas Gerais, e pela redução das abstenções. Depois de sair do primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, Lula recuperou a liderança no segundo turno e foi reeleito presidente com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL.
A diferença final foi de cerca de 4,4 milhões de votos, sendo que no primeiro turno, o petista havia perdido por cerca de 2,2 milhões de voto. Republicanos, União Brasil, PSD e MDB reconhecem reeleição de Lula
Governadores eleitos reagem à vitória de Lula e se dividem entre críticas e apoio Embora o principal reduto Lulista continue sendo o Nordeste, o presidente avançou no eleitorado do Sudeste.
A mudança decisiva ocorreu em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Lula passou de 43,3% para 50,4% dos votos válidos em Minas, enquanto Flávio terminou com aproximadamente 49,5%.
Lula conseguiu reverter uma diferença de mais de 500 mil votos para um vantagem de pouco mais de 100 mil votos entre os mineiros. Com isso, ficou mantida a escrita: desde 1989, todos os candidatos eleitos para a Presidência da República também foram os mais votados em Minas Gerais.
Votos de Lula cresceram nas 27 unidades da federação Embora não tenha virado em outros estados, o petista aumentou sua votação nas 27 unidades da federação.
Em São Paulo, por exemplo, Flávio continuou vencedor, mas Lula teve 2,6 milhões de votos a mais. O estado, sozinho, respondeu por uma parcela importante da mudança na margem nacional.
No Rio de Janeiro, outro reduto bolsonarista, Lula obteve 800 mil votos a mais. Esse movimento ajuda a explicar a virada nacional.
Lula não precisava necessariamente virar São Paulo e Rio, mas sim reduzir a vantagem de Flávio nos dois maiores colégios eleitorais do Sudeste e, principalmente, conquistar Minas Gerais. A combinação dos três movimentos foi decisiva, na avaliação do consultor político Ariel Calmon.
"O Sudeste foi o mais impressionante porque o Nordeste estava um pouco precificado. Agora, no Sudeste é uma dessas regiões que ele tem uma variação de quase 25% de votos a mais.
Então, ele conseguiu ganhar muitos votos, e eu chamo a atenção porque o Sudeste concentrava boa parte dos votos dessa terceira via derrotada no primeiro turno e que apoiou o Flávio Bolsonaro. Mesmo assim, nesse segundo turno, se convenceu de que deveria votar em Lula", explica.
No nordeste, Lula manteve o domínio dos nove estados e ampliou a vantagem. Na Bahia, por exemplo, o presidente acrescentou mais de 820 mil votos em relação ao primeiro turno.
A região foi novamente fundamental para compensar as vantagens de Flávio no Sul, no Centro-Oeste e em parte do Sudeste. A mobilização do eleitorado também foi decisiva.
A abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para cerca de 19,2% no segundo. É a maior queda entre os turnos desde a redemocratização.
Foram aproximadamente três milhões de eleitores a mais nas urnas.
CBN