Vereador de São Paulo Senival Moura volta a ser preso por suspeita de envolvimento com o PCC

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Polícia Civil de São Paulo prendeu, na manhã desta quarta-feira (28), o vereador da capital Senival Moura (PT). O político é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público municipal, e já havia sido preso em junho, mas estava solto desde agosto por uma decisão judicial.

Ele foi preso novamente após o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recorrer da decisão e conseguir uma decisão favorável. Segundo as investigações, Senival seria um dos verdadeiros donos da Transunião, empresa que opera ônibus na Zona Leste da cidade.

Relembre: Quem são os alvos de operação que prendeu vereador em São Paulo Ainda segundo o que apurou o MP-SP e a Polícia Civil, a Transunião era usada por pessoas com “vínculos diretos ou indiretos com o PCC” que exerciam “ingerência sobre a atividade econômica da empresa, controlando a administração da frota operacional, a circulação de recursos financeiros e a redistribuição de receitas”, e Senival era quem decidia sobre a movimentação financeira da companhia.

Senival foi preso pela primeira vez em 25 de junho, no âmbito da Operação Última Parada, deflagrada pelo MP-SP e pela Polícia Civil, que mirou cinco pessoas que estariam envolvidas no esquema. Em 5 de agosto, a desembargadora Carla Rahal Benedetti, da 11ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), determinou a soltura do político porque já havia passado o prazo da prisão temporária.

Entretanto, no último dia 20, a Justiça acolheu um recurso do MP e determinou novamente o encarceramento de Senival. O processo está em sigilo.

Em nota, a defesa do vereador afirmou que discorda da decisão judicial que decretou sua prisão preventiva "por entender que a medida extrema não encontra fundamentação concreta suficiente para justificar a privação de sua liberdade" e que ela se baseia em elementos "que já integram a denúncia oferecida pelo Ministério Público, sem demonstrar adequadamente a existência de fatos novos ou contemporâneos que evidenciem a necessidade atual da prisão".

O advogado afirmou que irá buscar "medidas judiciais cabíveis" para questionar a "ilegalidade" da decisão, e que o cliente provará sua inocência "no curso do processo". "É fundamental distinguir a existência de uma acusação criminal dos requisitos legais indispensáveis à decretação de uma prisão preventiva.

O recebimento de uma denúncia não implica, por si só, a necessidade de encarceramento do acusado. A defesa destaca que a decisão atribui ao parlamentar um suposto risco de continuidade das práticas investigadas, mas questiona a ausência de demonstração suficientemente individualizada de atos recentes que comprovem esse perigo.

Senival Moura nega categoricamente qualquer envolvimento com organização criminosa ou participação em esquema de lavagem de dinheiro e, desde o início das investigações, reafirma sua inocência e sua confiança na Justiça", acrescenta o advogado Marcio Sayeg na nota. Quem é o vereador

Senival está em seu sexto mandato e, até ser preso em junho, ocupava cargos estratégicos na Câmara Municipal de São Paulo, como o de 1º Secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito e Transporte. Essa posição, na avaliação dos investigadores, possibilitaria a ele exercer influência indireta sobre agentes do setor regulado, alinhar versões e interferir na produção de provas.Segundo as investigações, Moura comandava uma estrutura financeira paralela da Transunião Transportes, mesmo não sendo parte dos quadros da empresa de ônibus.

Sem o aval dele, nenhum repasse de valores era liberado. A Polícia Civil começou a apurar o caso a partir do homicídio de Adauto Soares Jorge, então diretor-presidente da empresa Transunião Transportes, em março de 2020, no estacionamento de uma padaria no bairro do Lajeado, na Zona Leste de São Paulo.

As evidências coletadas revelaram que o crime estava ligado a disputas pelo controle financeiro e operacional da empresa, que estaria sendo usada para escoar recursos ilícitos. Os policiais identificaram que a Transunião operava sob uma estrutura paralela de comando.

Indivíduos que não figuravam oficialmente no quadro societário exerciam controle sobre a frota, a circulação de recursos e a redistribuição de receitas. A análise das planilhas identificou que o vereador seria o beneficiário real de, ao menos, 13 ônibus, enquanto a titularidade formal era distribuída entre laranjas ou empresas interpostas.

Familiares de Moura, como sua esposa e filhos, além de seu assessor de apoio parlamentar, figuravam formalmente como proprietários ou subscritores de capital, ocultando o controle material do vereador. Segundo a Polícia Civil, Moura movimentou R$ 4,39 milhões entre 2019 e 2022.

Deste total, R$ 2,47 milhões não possuem origem declarada, o que indica uma dissociação entre sua renda formal como agente político e a circulação efetiva de valores. Foram identificados imóveis de alto padrão em seu nome ou vinculados a ele em Juquehy, no litoral de São Paulo, e na capital, além de uma propriedade rural em Extrema, Minas Gerais.

Uma carta manuscrita do PCC encontrada pelos investigadores sugere que o homicídio de Adauto Soares Jorge ocorreu porque ele estaria desviando valores para Moura, sem dar respaldo ao comando da facção.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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