Cotado para o Ministério da Segurança Pública, Lincoln Gakiya diz que ‘seria uma honra’

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que aceitaria assumir o eventual Ministério da Segurança Pública caso seja convidado formalmente pelo Palácio do Planalto. Um dos nomes mais emblemáticos do combate ao crime organizado no país, o integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo tomou conhecimento de sua cotação pela imprensa, sem ter sido sondado diretamente até o momento.

Ao ser questionado pelo jornal O Globo sobre um possível convite, ele disse: “se vier formalmente, será uma honra e certamente vou aceitar”. A indicação do promotor é vista por interlocutores do presidente Lula (PT) como um sinal forte de enfrentamento às facções criminosas.

No entanto, a ala política do governo também avalia nomes de dentro do PT com perfil rígido na área, como os ex-governadores Rui Costa, da Bahia, e Camilo Santana, do Ceará, ambos próximos ao chefe do Executivo. Também circula nas rodas de apostas o nome de Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública que ganhou projeção no Piauí ao implementar medidas eficazes na redução do roubo de celulares.

Ele conta com o apoio do governador Rafael Fonteles (PT). A criação de um ministério exclusivo para a Segurança Pública atende a uma promessa antiga de Lula, desenhada desde 2022.

Para sair do papel, a proposta depende da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança no Senado, vista pelo governo como prioridade até o encerramento do ano. O projeto amplia as atribuições da União na gestão da segurança e permite a separação da área do Ministério da Justiça, garantindo um orçamento próprio para a nova pasta.

Especialista no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), Gakiya acumula mais de três décadas no Ministério Público, instituição onde ingressou em 20 de dezembro de 1991. Com mais de dez planos de assassinato descobertos contra ele, o promotor vive hoje sob um rigoroso esquema de proteção policial, com carro blindado e treinamento de tiro, em uma estrutura que se compara à de governadores e presidentes.

Prestes a se aposentar, ele já declarou que precisará deixar o país, uma vez que a legislação brasileira não garante a manutenção da escolta após o encerramento do cargo. A rotina sob ameaça contínua teve início em 2005 e se intensificou em 2018, quando a polícia apreendeu cartas codificadas na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.

Os textos revelavam que a cúpula da facção monitorava seus passos e o apelidara de “frango japonês”. Diante disso, em 2019, Gakiya tomou uma medida decisiva: sem respaldo prévio do governador ou do procurador-geral de Justiça, solicitou o isolamento de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e de outros 21 líderes no sistema penitenciário federal — atitude que ele próprio define como seu “decreto irreversível de morte”.

Em desdobramento recente de sua atuação, a divulgação de um áudio em que a principal liderança da facção qualificava um aliado como “psicopata” deflagrou uma ruptura inédita na cúpula da organização criminosa. A trajetória de Gakiya no enfrentamento do crime organizado consolidou-se ao longo de 20 anos nas comarcas de Presidente Bernardes e Presidente Venceslau, onde acompanhou a expansão da facção nas cadeias paulistas.

No Gaeco desde 2008, tornou-se figura central nas decisões do sistema prisional, articulando transferências rápidas de dezenas de detentos para evitar motins. O reconhecimento técnico o levou a ser recebido pelo então presidente Michel Temer em janeiro de 2017, durante o auge da crise penitenciária nacional.

Esta não é a primeira vez que seu nome surge na cena política: no pleito deste ano, ele chegou a ser convidado pelo candidato do PSD à presidência, Ronaldo Caiado, para gerir a mesma pasta, mas declinou da proposta na ocasião para resguardar sua aposentadoria.

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