O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a jornalistas na madrugada desta quarta-feira (28) que aprovaria a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) com a família em solo americano. O candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais do Brasil deixou o país por terra na noite desta terça-feira após descumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de entregar seus passaportes à Polícia Federal.
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Segundo o governo argentino, chefiado pelo aliado Javier Milei, Flávio entrou na província de Misiones com a mulher e as filhas, de onde embarcou num voo privado com destino ao Equador. Dados do FlightRadar apontam que o jato em que a família estaria decolou, na sequência, rumo aos Estados Unidos, onde o irmão do senador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), mora desde o ano passado.
Numa entrevista a jornalistas quando desembarcava do Air Force One na Base Conjunta Andrews, em Maryland, Trump negou saber o paradeiro do senador brasileiro. — Ouvi dizer que ele está na Argentina.
Não sei onde ele está... ouvi dizer que é na Argentina — disse.
O chefe da Casa Branca afirmou, ainda, que "teria aprovado" a entrada de Flávio e das parentes nos Estados Unidos. — Acho que são boas pessoas — ressaltou, antes de reforçar críticas do processo eleitoral brasileiro, sem apresentar provas para quaisquer suspeitas de irregularidades.
— A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Recebeu avaliações ruins.
Veja só o que aconteceu com o mercado deles. Nesta terça-feira, o Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que irá conceder vistos ao senador e a seus familiares e permitirá a entrada deles no país.
A gestão do presidente Donald Trump não informou, porém, se o senador já se encontrava no território norte-americano. “O Departamento de Estado emitirá vistos para Flavio Bolsonaro e sua família e permitirá sua entrada nos Estados Unidos", informou o órgão em resposta ao GLOBO por e-mail.
A Polícia Federal (PF) cancelou os passaportes de Flávio, após ele descumprir a decisão judicial que determinou a entrega dos documentos até a manhã desta terça-feira. A ordem foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Cinco aliados do candidato derrotado à Presidência foram informados de que o senador teria embarcado em um jato a caminho dos EUA. Procurada, a defesa do parlamentar ainda não se pronunciou sobre essas informações.
A possibilidade de se retirar do Brasil após a derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a ser discutida por Flávio com aliados ainda no domingo. A princípio, ele havia decidido que apenas a mulher e as filhas viajariam ao exterior por questões de segurança.
A avaliação mudou depois que Moraes determinou a entrega dos passaportes à Polícia Federal sob o pretexto do "risco concreto de evasão do território nacional". Contrariado com a decisão e convencido de que poderia ser preso, Flávio decidiu acompanhar a família ao exterior.
Alvo de inquéritos Flávio é alvo de dois inquéritos no STF.
Em um deles, sob relatoria de Moraes, a PF apura o envolvimento do senador em um suposto esquema de lavagem de dinheiro junto com o advogado Willer Tomaz, que está fora do país desde agosto e é amigo próximo dele. O senador também é investigado por recursos repassados ao filme "Dark Horse", cinebiografia que narra a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Este caso está sob os cuidados do ministro André Mendonça. Na segunda-feira, Flávio foi intimado por agentes da PF a apresentar o seu passaporte num prazo de até 24 horas, por ordem de Moraes.
A determinação foi descumprida pelo parlamentar nesta terça. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o parlamentar declarou que "nunca" planejou deixar o país.
— Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país.
A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição — disse Flávio, na gravação. Na sexta-feira passada, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu que, em caso de derrota nas urnas, Flávio deveria deixar o país.
A entrevista foi dada a um programa dos Estados Unidos, onde ele mora, antes do resultado das urnas que mostrou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio, porém, negou a intenção de deixar o Brasil.
— Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar.
Mas ninguém vai me calar — completou ele.
O Globo